Fila de desempregados em SP

Após um mês de campanha eleitoral, as pesquisas de opinião pública colocam à frente os principais candidatos da direita capitalista: Celso Russomano (Republicanos) e Bruno Covas (PSDB).

Celso Russomano é o candidato de Bolsonaro em São Paulo. Ele promete um auxílio emergencial maior, embora Bolsonaro tenha sido o responsável pela redução do auxílio para R$ 300. Russomano promete melhorar a saúde enquanto Bolsonaro se recusa a comprar as vacinas contra o coronavírus fruto de um acordo entre o laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan. Uma vitória de Russomano em São Paulo certamente fortalecerá o projeto obscurantista de Bolsonaro de voltar à época da ditadura militar.

Já Bruno Covas é o candidato do governador Dória. Ambos fracassaram no combate à COVID-19 e tornaram São Paulo um dos três municípios com mais mortos pela pandemia no mundo. Igual a Russomano, Covas só fala em privatização, mesmo frente ao fato de que as privatizações não melhoraram a vida da população, haja visto os transportes coletivos que são privados, caros e superlotados. Sua vitória vai aprofundar a desigualdade social na cidade mais rica da América Latina.

Em quarto lugar está Márcio França (PSB). Aliado de Geraldo Alckmin de quem foi vice-governador, França é apenas uma variação das propostas de privatização de Covas.

Prefeito Bruno Covas e governador João Doria, ambos do PSDB, aproveitam a pandemia do coronavírus para impor EaD

Boulos, Tatto e Orlando Silva: a esquerda que concilia com o capital

Em entrevista ao El País do dia 13 de outubro, Guilherme Boulos afirmou que: “Os empresários tem que estar na cidade, investir na cidade, mas não arrancando o couro do trabalhador. Tem que ter contrapartidas sociais para a cidade. É o que defendo. E tem uma parte importante do setor empresarial que compreende isso e que estaria disposta a construir mecanismos nesta direção.

Nesta entrevista, Boulos defende uma aliança com uma “importante parte do empresariado” mas não esclarece quem são? Será o Bradesco? Itaú? TIM? Claro? Grupo Pão de Açúcar? Magalu? Hospital Albert Einstein? Grupo Ruas?

São Paulo tem várias das maiores empresas privadas do país. Mas essas empresas vivem de arrancar o couro do trabalhador e de obrigar o poder público a atender suas demandas. Essa conversa de parceria entre trabalho e capital é antiga, e sempre se fez através do sacrifício dos trabalhadores em benefício do capital.

Por sua vez, Jilmar Tatto sempre teve como perspectiva a aliança entre trabalho e capital. À frente da Secretaria dos Transportes do município na gestão do PT, sempre trabalhou para manter a parceria com a máfia dos transportes capitaneada pelo grupo Ruas.

Orlando Silva vai na mesma direção. Defende reindustrializar São Paulo. Mas não fala nada sobre estatização. Mas como Orlando Silva vai atrair as indústrias senão através da guerra fiscal com outros municípios? Ao invés de enfrentar o capital, Orlando vai subsidiar o capital para a alegria do empresariado.

O que nos espera

Por trás das promessas fáceis de Russomano e Covas, e dos patrões bonzinhos de Boulos, Tatto e Orlando Silva, existe a realidade.

Há uma grande crise econômica e sanitária em curso. O FMI prevê uma queda de 5,8% do PIB brasileiro em 2020. A dívida pública se aproxima dos 100% do PIB. Há 41 milhões de desempregados no país. E temos 500 mortos pela Covid-19 todos os dias, sem testagem em massa e com conflitos interburgueses sobre a vacina.

Os capitalistas tem uma fórmula certa para enfrentar essa crise: reduzir salários e direitos, privatizações, reformas contra os direitos sociais, corte no orçamento da saúde, educação e Previdência, e mais polícia para enfrentar os protestos operários e populares.

Ao defender parcerias com o capital, Boulos, Tatto e Orlando Silva se preparam para repetir na cidade as mesmas experiências de conciliação de classe que Luiza Erundina, Marta Suplicy e Fernando Haddad promoveram na prefeitura, e que as (os) levaram, respectivamente, a esmagar a greve dos condutores da CMTC em 1992, a cortar as verbas da educação de 30% para 25% em 2001, e a enfrentar as jornadas de junho de 2013.

Polícia cerca garagem da CMTC durante greve em foto publicada pela Folha de S. Paulo

Enfrentar o capital e levantar a bandeira do socialismo e da revolução

A verdade é que não é possível defender o trabalho e o capital ao mesmo tempo. São interesses antagônicos. O capital vive da exploração do trabalho. Nestes momentos de crise, mais que nunca, é necessário tirar dos ricos para atender às demandas operárias e populares por salário, emprego, educação, saúde e moradia.

Sem medidas contra o capital não é possível garantir as promessas que Boulos, Tatto e Orlando Silva fazem aos trabalhadores.

Essa é a diferença entre a esquerda conciliadora que vende ilusões de parceria entre capital e trabalho, e a esquerda revolucionária que defende que é necessário organizar o povo trabalhador em conselhos populares para derrotar o capital, estatizar as grandes empresas sob o controle dos trabalhadores e lutar pelo verdadeiro socialismo, com liberdades democráticas e trabalhadores no poder.

Quando falamos de verdadeiro socialismo, não nos referimos ao modelo autoritário e capitalista aplicado na Venezuela. Quem defende o regime venezuelano é Boulos, Tatto e Orlando Silva. O verdadeiro socialismo é aquele que se opõe à ordem mundial capitalista liderada pelos Estados Unidos e ao mesmo tempo luta pelo poder dos trabalhadores em base à democracia operária.

Essa é a proposta da candidata do PSTU, Vera, a primeira mulher negra a disputar a prefeitura de São Paulo. Cada voto na esquerda revolucionária fortalece as lutas dos trabalhadores e a perspectiva de luta pelo socialismo. É o único voto útil disponível para a classe trabalhadora.