QUAL A SAÍDA PARA A CRISE CAPITALISTA?

Já não é possível maquiar a imagem da decadência quando o país vem abaixo aos olhos de todos. O Brasil vive um longo processo de reversão colonial. Sacudido pela crise mundial do capitalismo, o retrocesso está no horizonte.

O governo Bolsonaro-Mourão-Guedes, perante a crise capitalista, está tentando aplicar um projeto pró-Estados Unidos e pró-banqueiros no país, altamente destrutivo e predatório. Quer impor um novo patamar de entrega do Brasil, de guerra social e barbárie aos de baixo.

Para aplicar isso, defende maior violência, que vai aumentar o genocídio e o encarceramento em massa da juventude pobre e negra das periferias. Ele não descarta, inclusive, dar um autogolpe se achar necessário, ou seja, acabar com as liberdades democráticas e instalar uma ditadura.

A agressão contra mulheres, negros, LGBTs, indígenas, quilombolas e camponeses pobres, visa oprimir e dividir a classe trabalhadora.

Neste especial, analisamos a crise capitalista mundial e brasileira. Discutimos o projeto econômico e a natureza do governo Bolsonaro e para onde caminha o Brasil. Apresentamos propostas socialistas para tirar o Brasil da crise. Debatemos que os projetos capitalistas de oposição que prometem reformar o capitalismo, como os do PT e do PSOL, não vão à raiz do problema. Não são solução. Defendemos a necessidade de uma revolução socialista, com a classe operária à frente, para mudar de verdade o país.

Convidamos você à leitura e a ajudar a gente a construir uma alternativa de organização revolucionária.

BRASIL

A LONGA DECADÊNCIA CAPITALISTA

As rupturas das barragens das mineradoras é o retrato de um país: enquanto a multinacional Vale leva o minério e o lucro, deixa para trás a morte de pessoas e do meio ambiente. Por que essa tragédia mostra o que é o Brasil?

As rupturas das barragens ocorrem porque a Vale não investe em segurança, para aumentar o lucro dos acionistas à custa da morte das pessoas. Esse mesmo motivo explica o desabamento de pontes e viadutos país a fora; o desemprego recorde; o desabamento de edifícios; a morte de centenas nas filas dos hospitais públicos; o corte nas verbas das universidades paralisando pesquisas; a insegurança pública e as chacinas; as enchentes que matam pessoas e mostram o caos da infraestrutura urbana.

Já não é somente o futuro incerto que paira sobre a vida das pessoas, mas a sua própria sobrevivência em meio a um caos. O que aparece como caos ou desordem tem uma causa profunda: a falência do sistema capitalista que já não consegue garantir sequer as condições de sobrevivência da maioria da população. No Brasil, isso se agrava pela subordinação da classe dominante ao capital financeiro internacional.

A sensação de que o país retrocede é pura realidade. Há 30 anos, o Brasil exportava produtos industrializados. Hoje, igual aos tempos da colônia, especializou-se na exportação de soja, minério de ferro e carnes, que não garante emprego para a maioria. Enquanto as cidades vão caindo aos pedaços, desabando na cabeça do povo, um punhado de capitalistas parasitas ganham rios de dinheiro.

Quem está trabalhando é submetido a uma exploração brutal, com rebaixamento de salários e mais horas de trabalho. Mas isso não é suficiente para aumentar o lucro de capitalistas. Por isso, a ordem que vem lá do imperialismo é para saquear tudo e destruir o país.

SÓCIO-MENOR

UM DEGRAU ABAIXO

No gráfico abaixo, você pode ver a decadência da indústria brasileira: como sua participação na indústria mundial vem retrocedendo muito rápido, ao mesmo tempo em que a exportação da agroindústria se acelera. As multinacionais que puxavam o investimento na indústria nacional se deslocaram para a Ásia, e as que aqui ficaram impõem a importação de insumos para produzir e produzem com tecnologia que substitui os trabalhadores por máquinas cada vez mais modernas.

O capital financeiro internacional reservou ao Brasil outro papel no mercado mundial: ser exportador de produtos em recursos naturais. Os governos de FHC, Lula e Dilma não somente aceitaram essa localização como a impulsionaram. Por isso, deram rios de dinheiro à JBS, aos plantadores de soja e isenções de impostos para montadoras.

Aumentaram a subordinação do país e sua dependência. Quando os preços dos produtos primários estavam altos, dava a aparência que o país se desenvolvia. Puro engano: não existe país no capitalismo que se desenvolva sem uma indústria forte. Com a desaceleração da economia capitalista na China, os preços dessas mercadorias despencaram, e o Brasil entrou numa recessão da qual até agora não consegue sair.

O rebaixamento do Brasil é imposto pelos Estados Unidos e foi aceito pela classe dominante brasileira porque ela entra como sócia minoritária das novas empresas que seriam o carro-chefe do capitalismo no Brasil.

BURGUESIA BRASILEIRA

UMA CLASSE DOMINANTE SUBMISSA E COVARDE

Os donos da Vale mostram toda a covardia da classe dominante brasileira. Estão dispostos a vender o país e jogar a população na lama, contanto que ganhem rios de dinheiro. A Vale era uma estatal. Quando começou a ter muito lucro, foi privatizada, ou melhor, entregue de bandeja aos tubarões de Nova Iorque.

Hoje, eles têm 51% das ações contra 21% dos capitalistas brasileiros. Mais da metade do lucro extraído das minas brasileiras é enviado ao exterior. Aqui fica só a morte e a destruição.

A trajetória da Vale reflete o que ocorre no país: o Estado constrói uma empresa com o dinheiro dos impostos pagos pela população. Quando a empresa começa a ter lucro, eles vendem a preço de banana. E se o lucro for muito grande, a maior parte vai para o capital internacional, enquanto a burguesia nacional recebe sua parte como sócia minoritária.

Buscas em Brumadinho (MG). Foto Romerito Pontes
"O capitalismo brasileiro não sai da recessão porque é subordinado ao imperialismo."

MARCHA À RÉ

ESTANCAMENTO E RETROCESSO

O capitalismo brasileiro não sai da recessão porque é subordinado ao imperialismo. Com a paralisia dos investimentos das multinacionais e com os preços da agroindústria mais baixos, o lucro dos grandes empresários é menor no período recessivo.

Se não há lucros aumentando, eles não investem e não precisam de novos trabalhadores para explorar. Tudo indica que estamos diante da mais longa recessão do capitalismo brasileiro.

Isso significa que a arrecadação do Estado vem diminuindo, enquanto a falsa dívida pública aumenta. Os investimentos nos serviços prestados à população são paralisados, e o que já era ruim fica ainda pior.

O país vai retrocedendo em tudo. Quem sofre com isso é a população trabalhadora e sem emprego. Os bairros são inundados pelas tragédias da falta de investimento na infraestrutura urbana, no transporte ruim e caro, na falta de moradia e saneamento básico.

UMA DÍVIDA FALSA

DÍVIDA PÚBLICA É SAQUE DO ORÇAMENTO

Para aumentar o lucro sem investir, começaram com a reforma trabalhista. Obrigam as pessoas a trabalharem mais com menos salários e menos direitos. Querem eliminar todos os direitos trabalhistas e acabar com a carteira de trabalho. É isso que significa a tal da carteira verde e amarela de Bolsonaro. A ordem é terceirização para todos.

Além disso, tem o saque do Estado por meio do pagamento da dívida pública, uma dívida falsa que já foi paga dezenas de vezes (veja ao lado).

Esse roubo dos impostos, pagos pela maioria da população trabalhadora, é a forma como os grandes bancos nacionais e estrangeiros levam o dinheiro da maioria do povo. Mas como a crise se aprofunda e tem menos dinheiro de impostos, eles agora querem levar também a Previdência pública.

Entregando tudo
Não fica por aí. A venda dos campos de Libra do Pré-Sal por Dilma foi somente um tira gosto do que viria pela frente. Bolsonaro prepara a entrega das refinarias e a diminuição da produção de combustíveis num país autossuficiente. Faz isso para que os produtos derivados sejam importados dos EUA. Isso representa o fim de uma longa pesquisa científica sobre refino e extração do petróleo desenvolvida pela Petrobras.

Roubo de terras
Na medida em que os preços dos produtos agrícolas exportados baixam, os empresários não vão querer investir no aumento da produtividade para aumentar a produção na mesma área plantada. Querem terras novas, frescas e férteis. Expandem a fronteira agrícola, destruindo o que resta do cerrado e entrando na Amazônia.

A consequência é a expulsão e o assassinato de camponeses, quilombolas e indígenas, acabando com a possibilidade de que a biodiversidade da região seja cientificamente conhecida.

Chegamos a um estágio na crise do capitalismo brasileiro em que o lucro é sinônimo de destruição. Não existe regra para saqueadores, além do roubo puro e duro.

É POSSÍVEL DERROTAR BOLSONARO-MOURÃO

A NATUREZA SOCIAL E POLÍTICA DO GOVERNO

Bolsonaro foi eleito com um voto contra “tudo que está aí”. A minoria votou por suas propostas. Ele se elegeu porque a maioria da pequena burguesia, um amplo setor popular e, inclusive, a maioria da classe operária do Sudeste e do Sul deram um voto de castigo no PT.

É um governo de extrema direita, produto da crise do país: impasse e divisão da burguesia, crise da democracia dos ricos, indignação da pequena burguesia e polarização da luta de classes. E do fracasso dos governos capitalistas-reformistas do PT.

Bolsonaro não estava nos planos da burguesia, foi improvisado. Mais do que a força do imperialismo e da burguesia – divididos e em crise – ou de um casamento indissolúvel das classes médias com a extrema direita, esse governo sobe no vácuo da desorganização e da falta de uma alternativa revolucionária de massas do proletariado depois de 14 anos de governos do PT.

O fenômeno Bolsonaro se insere na crise capitalista mundial e no surgimento de setores populistas de extrema direita. Uma das particularidades aqui é a relação das Forças Armadas e a presença dos militares no governo. Ao contrário de outros países, houve um pacto negociado para a transição da ditadura, que agora cobra o seu preço.

Essa volta dos militares carrega um risco de mudança do regime vinda do governo que não deve ser descartado. Como disse Mourão, eles não descartam autogolpe se necessário.

Golpe e ditadura não são hoje o projeto da cúpula militar, do imperialismo ou dos principais setores da burguesia. Porém é fato que os militares compõem a ala mais forte no governo e a que pode dar um golpe ou um autogolpe, embora o clã familiar tenha, assim como os militares, uma relação ambígua com a democracia burguesa e até mais golpista.

A adesão das Forças Armadas ao governo Bolsonaro é também uma faca de dois gumes. Se não conseguirem mudar a situação e derrotar a classe trabalhadora e os setores populares na luta, estes poderão colocar em crise as próprias Forças Armadas. A instituição já vem colhendo o desgaste, fruto do aumento da rejeição de Bolsonaro.

UM GOVERNO FRÁGIL E INSTÁVEL

A eleição de Bolsonaro provocou uma mudança na conjuntura, mas não alterou de forma qualitativa o regime político nem a correlação de forças mais estrutural entre as classes. Na conjuntura, o governo se apoia em ilusões e não numa derrota da classe na luta ou num cenário de estabilidade capitalista.

Trotsky dizia que existiam governos bonapartistas (autoritários ou ditatoriais) que se instalavam depois de derrotar a classe trabalhadora. São exemplos: os que se transformam em bonapartistas após um regime fascista ou nazista ter derrotado a classe operária e mesmo a pequena burguesia; as ditaduras militares. Estes tendiam a ser governos ditatoriais estáveis.

Havia, porém, os que eram pré-bonapartistas ou caricaturas de bonapartismo: subiam antes que a classe fosse derrotada. Estes tendiam a ser instáveis e frágeis. É o caso do governo Bolsonaro.

A classe trabalhadora não está derrotada. Os setores de classe média que se alinharam ao governo não estão casados com ele para sempre, como mostra sua popularidade caindo cada vez mais. Já a burguesia segue dividida. A crise é muito grande, e os planos do governo são tremendamente impopulares. Tudo isso faz deste um aspirante a Bonaparte que traz perigos, mas está assentado numa montanha de contradições e tende ao desgaste e à crise.

A classe trabalhadora tende a lutar. Os grandes embates ainda estão por vir.  É possível derrotar Bolsonaro-Mourão. Pela frente, não temos só perigos. Temos também oportunidades.

ENTENDA

FASCISMO, BONAPARTISMO E PRÉ-BONAPARTISMO

Trotsky criticava o stalinismo, que chamava qualquer governo com traços autoritários de fascista. É errado definir o governo Bolsonaro como fascista, ou mesmo como tipicamente bonapartista, ou governo de um regime ditatorial.

Fascismo é um regime de terror, que se apoia em amplo setor armado da pequena burguesia por fora da institucionalidade para destruir, com métodos de guerra civil, a classe operária e suas organizações. Um governo fascista expressaria uma derrota estrutural dos trabalhadores, uma contrarrevolução.

Um governo bonapartista típico pareceria um árbitro acima das classes e, apoiando-se no aparato militar-policial e na burocracia de Estado, imporia um poder ditatorial, por cima do regime parlamentar, mesmo que mantivesse formas parlamentares de fachada. Bolsonaro gostaria disso, mas não tem essa força.

A expressão “bonapartismo” vem de “Bonaparte”. Marx, especialmente na obra O 18 Brumário de Luís Bonaparte, analisa a ascensão e golpe de Luís Bonaparte, suposto sobrinho de Napoleão Bonaparte, imperador entre 1804 e 1814, na França de 1851. Nos anos 1930, Trotsky escreve bastante sobre o tema.

PROJETO BOLSONARO-MOURÃO-GUEDES

ENTREGA DO PAÍS, GUERRA SOCIAL E BARBÁRIE

Um projeto predatório de capachos de Trump, especuladores e banqueiros internacionais

A reforma da Previdência de Bolsonaro, Mourão e Paulo Guedes  vai acabar com a aposentadoria e reduzir o benefício do BPC aos idosos carentes de um salário minímo para R$ 400. Como se não bastasse, recentemente Bolsonaro anunciou o fim de praticamente todas as normas de segurança no trabalho, num país que detém o quarto lugar no mundo em acidentes de trabalho. A cada ano, são 135 mil dedos mutilados nas prensas das fábricas. Em sete anos, foram quase 17 mil trabalhadores mortos. As normas atuais não impediram esses verdadeiros assassinatos de pessoas que precisam levar o pão de cada dia para suas famílias, porque os patrões não garantem os equipamentos necessários. Bolsonaro diz que a regra agora é essa. Obviamente, ele sabe que isso aumentará ainda mais as mortes na construção civil, nas fábricas e nos frigoríficos.

A violência que as novas condições de exploração exigem encontra no discurso do capitão uma mentira como justificativa: “queremos gerar emprego.” O presidente é a cara de um capitalismo para o qual emprego é sinônimo de morte.

Hoje, são mais de 70 milhões entre desempregados e subempregados, o que em si já é uma violência. A escolha entre mutilação e morte no local de trabalho ou desemprego é a alternativa que será imposta. Isso é a superexploração.

Desemprego e miséria
Ao contrário do que o governo dizia, a reforma trabalhista não gerou emprego nenhum. Está gerando, sim, mais superexploração e trabalho sem direitos. Começou com Dilma tirando alguns direitos. Depois, deu um salto com Temer. Bolsonaro quer ir ainda mais longe. Por trás da falsa simpatia de Mourão, tem a promessa feita por ele a empresários e banqueiros de acabar com o 13º, “uma jabuticaba”, como disse. A carteira verde e amarela de Paulo Guedes acaba com todos os direitos para dar aos patrões o poder de fazer o que bem entenderem para esfolar os trabalhadores. Vai permitir a demissão dos que têm direitos trabalhistas para substituí-los por outros com salários mais baixos e sem nenhum direito.

Enquanto enriquece o 1% de capitalistas e os corruptos, chama professores de privilegiados e imbecis, querendo dividir a classe trabalhadora. Enquanto isso, os salários no Brasil só descem. Hoje, o trabalhador brasileiro já ganha menos que o trabalhador chinês, sendo um dos que recebem os menores salários no mundo, embora o país sesteja entre as dez maiores economias do planeta.

O projeto é a barbárie
Esse plano predatório também aprofunda a submissão e a entrega do país ao capital financeiro internacional. O festival de privatizações anunciado por Guedes é a pura rapinagem. Os capitalistas não querem investir em novas fábricas, por isso vão roubar as estatais.

Da mesma forma, o fim das reservas ambientais e da demarcação das terras indígenas são parte do mesmo plano predatório. Significa entregar terras gratuitamente aos empresários rurais e às mineradoras e liberar os jagunços para assassinar e expulsar as pessoas dos seus lugares.

Estamos diante de um plano predatório que pretende, em meio à crise mundial do capitalismo, fazer avançar mais a entrega do país, a superexploração dos trabalhadores, a destruição do meio ambiente, a destruição da educação e da saúde públicas.

Isso vai aprofundar a subordinação do Brasil às potências imperialistas. Vai aumentar a exploração, o empobrecimento e o roubo, especialmente dos trabalhadores e do povo pobre, mas também dos pequenos proprietários.

"O presidente é a cara de um capitalismo para o qual emprego é sinônimo de morte."

FASCISMO, BONAPARTISMO E PRÉ-BONAPARTISMO

Esse projeto só pode ser aplicado até o final  com o aumento da violência contra as lutas dos trabalhadores e com o genocídio dos pobres e negros nas periferias. Um genocídio que cresceu sob FHC, deu um salto sob os governos do PT e de Temer e vai dar um novo salto agora com Bolsonaro. A defesa da ditadura militar não é gratuita. O governo quer dar licença para a polícia e exército matarem e promover o armamento legal para milicianos e traficantes.

Por sua vez, a promoção de ideias obscurantistas, a censura nas escolas, o machismo, o racismo, a LGBTfobia, a opressão de indígenas e imigrantes,  procuram dividir a classe trabalhadora para impor esse projeto. Por isso, quebram placas que homenageiam a ex-vereadora Marielle Franco, assassinada no ano passado.

SAÍDA

PROPOSTAS SOCIALISTAS PARA A CRISE

DERROTAR OS PLANOS DE BOLSONARO E DO IMPERIALISMO

Com poucos meses de governo, Bolsonaro já enfrenta uma forte rejeição. Não é por menos. Contrariando as expectativas pelas quais foi eleito, Bolsonaro e sua trupe aprofundam uma política que joga nas costas dos mais pobres todos os efeitos da crise.

O desemprego, a pobreza e a miséria crescem a olhos vistos, assim como a violência urbana. A inflação come parte cada vez maior da renda do povo, enquanto os serviços públicos estão à míngua e ameaçam parar com os cortes. Já a sucessão de tragédias que vivemos nesse período mostra a barbárie capitalista que coloca o lucro acima de todos. O assassinato em massa praticado pela Vale em Brumadinho (MG) é expressão disso.

Governo entreguista e corrupto
Além de aprofundar a política dos governos anteriores atacando direitos históricos e aumentando a exploração, o governo Bolsonaro se supera no entreguismo. Ele foi aos EUA se encontrar com Trump, bateu continência à bandeira norte-americana e declarou, junto com o banqueiro e ministro Paulo Guedes, que quer vender tudo: Petrobras, Correios, Banco do Brasil etc. Seu projeto de recolonização quer transformar o Brasil novamente numa fazenda para exportação de matérias-primas.

Seu governo também não deve nada aos anteriores quando se trata de corrupção. O avanço das investigações contra seu filho, Flávio Bolsonaro, e o motorista-assessor, Fabrício Queiroz, mostra uma quadrilha ligada a milicianos instalada no Palácio do Planalto.

Como se não bastasse, ele não esconde que defende a ditadura e torturadores. Já se falou em autogolpe, seu vice é um general e faz chantagem com ataques às liberdades democráticas.

Os estudantes e os trabalhadores, porém, vêm dando sua resposta nas ruas. É nas ruas e na mobilzação que derrotaremos esse governo. Basta de Bolsonaro e Mourão!

Além de derrotar Bolsonaro, precisamos construir uma alternativa da classe trabalhadora à crise e ao sistema capitalista. Precisamos de uma saída para que não sejam mais os 99% da população que paguem pela crise, mas o 1% de ricos e corruptos que se beneficiam do desemprego, dos baixos salários, do confisco das nossas aposentadorias, da pobreza, da destruição do meio ambiente e do genocídio de pobres e negros, além da violência contra mulheres, indígenas, quilombolas e LGBTs.

DEFENDEMOS: TIREM R$1 TRILHÃO DOS BANQUEIROS

PLANO DOS TRABALHADORES PARA A CRISE

Não à reforma da Previdência
A reforma da Previdência é o objetivo principal de Bolsonaro e da burguesia. É um duro ataque aos direitos de milhões de trabalhadores que vai aumentar a miséria para beneficiar os verdadeiros privilegiados, 1% da população, especialmente os banqueiros. É preciso repudiar essa reforma por completo. Ela não tem pontos bons e pontos ruins, é inteiramente contra o povo e os pobres. Não vamos aceitar nenhuma negociação sobre nossos direitos e nossa aposentadoria!

Emprego e salário dignos para todos
A guerra social do governo e da burguesia contra os pobres tem no desemprego seu principal efeito. São 70 milhões de pessoas desempregadas, subempregadas em bicos ou procurando um emprego para sobreviver, Um recorde.

Os que têm um emprego sofrem com o medo constante de serem demitidos e são obrigados a aceitar salários cada vez mais rebaixados. O salário mínimo de R$ 998 é uma vergonha, e Bolsonaro ainda acabou com o pouco reajuste que vinha tendo. O salário mínimo não cumpre nem sua função constitucional, de suprir as carências básicas de um trabalhador no mês. Segundo o Dieese, esse salário deveria ser de pelo menos R$ 4 mil.

Defendemos dobrar o salário mínimo, rumo ao mínimo do Diesse, e garantir emprego digno a todos. Para isso, é preciso reduzir a jornada de trabalho sem reduzir os salários, para abrir novas vagas, e um plano de obras públicas que, além do desemprego, possa enfrentar o grave problema de moradia e saneamento que enfrentamos.

Revogação da reforma trabalhista e fim das terceirizações
A reforma trabalhista prometia mais empregos com o fim de vários direitos. O resultado foi o contrário: aumento do desemprego e da informalidade, assim como o lucro dos empresários. Bolsonaro e Mourão querem aprofundar a reforma trabalhista ainda mais. É preciso revogar por completo essa reforma e o “liberou geral” das terceirizações.

Educação e saúde públicas de qualidade
Bolsonaro, Mourão, Guedes e toda a sua quadrilha impõem cortes bilionários nas áreas sociais para darem mais dinheiro aos banqueiros. As escolas e universidades estão caindo aos pedaços (e estudantes e professores sendo xingados pelo presidente), enquanto nos hospitais públicos o estado é de calamidade. Temos de reverter todos os cortes e aumentar drasticamente os investimentos em saúde, educação e demais áreas sociais e serviços públicos, tais como moradia popular e saneamento básico. Defendemos, ainda, a estatização da educação e da saúde privadas, assim como as máfias dos planos de saúde, colocando-as sob controle dos trabalhadores desses setores. Saúde e educação não são mercadorias, devem ser públicas, gratuitas e de qualidade.

Não pagar a falsa dívida pública
O governo repete que precisa de R$ 1 trilhão com a reforma da Previdência para cobrir o rombo que eles dizem ter. Na verdade, o rombo que existe é causado pelos banqueiros pelo pagamento da falsa dívida pública, mecanismo de corrupção legalizada que leva, todos os anos, mais de 40% do Orçamento federal. Só para se ter uma ideia, em 2018, pagamos R$ 1,065 trilhão de dívida, ou 40,66% do Orçamento.

Defendemos parar de pagar essa dívida absurda e ilegítima, fazer uma auditoria para constatar a roubalheira que tem nela e investir esse dinheiro, aí sim, para gerar emprego, na educação, além de aumentar o salário mínimo.

Fim dos subsídios e isenções de impostos às grandes empresas

Nos últimos anos, os governos sustentaram os lucros das grandes empresas, inclusive multinacionais, com a “bolsa-empresário”. Ainda por cima, na crise, demitem e reduzem salários.

Segundo dados do próprio governo, foram concedidos quase R$ 4 trilhões nos últimos 15 anos em subsídios. Só em 2019, serão R$ 376 bilhões. É mais do que o governo espera ganhar com a reforma da Previdência. É preciso acabar com essa bolsa-empresário e pôr fim a essa política de subsídios e isenções.

Parar as privatizações e reestatizar as empresas privatizadas
Bolsonaro, Mourão e Guedes querem entregar todo o patrimônio nacional de bandeja aos grandes banqueiros internacionais. Essa política entreguista é a grande responsável, por exemplo, pelo alto preço do gás de cozinha e da gasolina. Hoje, o preço que pagamos no combustível e no gás é estabelecido pelo mercado internacional, porque a maior parte da empresa está nas mãos de acionistas da Bolsa de Nova Iorque.

Precisamos reestatizar as empresas privatizadas, como a Vale, a Petrobras, a Embraer, a Eletrobras, e colocá-las sob controle dos trabalhadores para que produzam para atender às necessidades do povo, e não de um punhado de grandes especuladores.

Cobrar as empresas e os bancos que devem ao INSS
Segundo a CPI da dívida pública do Senado, realizada em 2017, grandes bancos e empresas devem mais de R$ 450 bilhões ao INSS. É muito mais do que o rombo que dizem ter (R$ 198 bilhões em 2018). Defendemos cobrar das grandes empresas e dos bancos essa dívida e estatizar aqueles que não pagarem, colocando-as sob controle dos trabalhadores.

Estatização das 100 maiores empresas
As 100 maiores empresas, incluindo os bancos e o agronegócio, controlam juntas mais de 70% da economia do Brasil. Ou seja, trabalhamos não para suprir nossas necessidades, mas para o lucro e a especulação de meia dúzia de banqueiros e acionistas estrangeiros. Defendemos a estatização das 100 maiores empresas e dos bancos sob controle dos trabalhadores, para que produzam e sirvam às necessidades da maioria da população, do país e do avanço científico e tecnológico.

Prisão e confisco dos bens de todos os corruptos e corruptores
Defendemos que todos os corruptos e corruptores sejam presos. Seus bens devem ser confiscados. Não foi isso que se viu na Lava Jato de Sérgio Moro. Pelo contrário, praticamente todos os grandes empresários e empreiteiros presos pela Lava Jato ficaram pouco tempo na prisão e estão em suas mansões aproveitando o dinheiro que roubaram, o que mostra o caráter seletivo da Justiça. Além disso, Moro é um espertalhão que faz parte de um governo que flerta com ditadura e que está cheio de corruptos e milicianos, como Flavio Bolsonaro e Queiroz.

 

Contra a violência às mulheres e LGBTS
O número de feminicídio explodiu, assim como a violência às LGBTs.

• A LGBTfobia já causou 141 mortes em 2019, sendo 126 homicídios e 15 suicídios;

• De janeiro a março foram noticiados 344 casos de feminicídio tentados ou consumados, 207 resultaram na morte da mulher;

• Mais de 500 mulheres sofrem agressão física por hora no país, a maioria das vítimas são mulheres negras.

Defendemos a criminalização da LGBTfobia, e investimentos no combate à violência contra as mulheres, para que a Lei Maria da Penha, por exemplo, funcione de fato, com a construção de casas abrigo e delegacias da mulher.

 

Pelo fim do genocídio negro
A cada 23 minutos, um jovem negro morre no Brasil.

• 71,5% das vítimas de assassinato no país são pretos ou pardos.

  Somente no Rio, entre janeiro e abril, 558 pessoas foram mortas pela PM, um aumento de 19% em relação a 2018. A maioria eram negros como o músico Evaldo Rosa, fuzilado pelo Exército.

Pelo fim do genocídio negro! Pela desmilitarização da PM, e uma polícia submetida ao controle popular, com direitos como o de sindicalização e greve.

 

Em defesa das liberdades democráticas, ditadura nunca mais!
O governo Bolsonaro e o seu setor mais próximo querem resolver a profunda crise política em que estão com um projeto autoritário. Querem acabar com as poucas liberdades democráticas que ainda temos. Não defendemos essa democracia dos ricos, mas tampouco defendemos a volta de uma ditadura, que significa o fim da liberdade de opinião, manifestação e organização. Numa ditadura, qualquer um que discorde do governo é preso, torturado e assassinado, como foi no regime militar (1964-1985). Naquela época, a corrupção rolava solta, mas a censura proibia a divulgação da roubalheira.

PLANO DOS TRABALHADORES PARA A CRISE

Contra essa falsa democracia dos ricos, precisamos de uma democracia de verdade, dos de baixo, dos trabalhadores, do povo pobre e das periferias. Precisamos de um governo socialista dos trabalhadores, que governe em conselhos populares nas fábricas, nos locais de trabalho e moradia, nas escolas, e não desta falsa democracia dos ricos, na qual se elege quem tem dinheiro, mente para ser eleito e depois governa contra os de baixo em favor dos banqueiros.

DUAS TAREFAS FUNDAMENTAIS

Em primeiro lugar, é preciso unidade para lutar, defender os trabalhadores dos ataques deste governo, impedir suas contrarreformas, a retirada de direitos, a repressão e as tentativas de ataques às liberdades democráticas.

Precisamos, junto com isso, apresentar um projeto e uma alternativa ao sistema capitalista e à democracia dos ricos. É necessário organizar a classe operária, o povo pobre, o movimento popular, a juventude, os negros, as mulheres e as LGBTs da classe trabalhadora para lutarmos por esse projeto e mudarmos o Brasil para valer.

FRENTE ÚNICA

UNIDADE PARA LUTAR

É fundamental a unidade para lutar contra qualquer ataque do governo e dos capitalistas contra os direitos dos trabalhadores.

Todo ativista deve defender e até mesmo exigir que todos os sindicatos, centrais sindicais, partidos que se dizem da classe trabalhadora e movimentos sociais se unam para defender os trabalhadores, os setores populares e a juventude diante de qualquer ataque, seja econômico, seja democrático ou contra a repressão. A defesa dessa unidade para lutar deve ser feita e construída na base, mas também com as organizações e as direções dessas entidades. Da mesma forma, qualquer vacilação, traição ou desmonte de lutas unitárias deve ser fortemente denunciado.

A base deve sempre se auto-organizar, exigir democracia, assembleias, comandos, tudo que favoreça o controle das lideranças nos processos de luta, mas defender e construir sempre a mais ampla unidade para lutar entre todos que estiverem dispostos a fazê-lo. Da mesma maneira, quando cúpulas burocráticas se tornam obstáculo para as lutas e para sua unidade, é preciso ajudar a base a ultrapassá-las.

A Frente Única entre todas organizações dos de baixo para lutar e se defender é uma necessidade e, quando se viabiliza, é muito eficaz para impedir que governos como o de Bolsonaro e os capitalistas derrotem a classe. Além disso, pode virar o jogo, colocando a classe na ofensiva, mais consciente de suas forças, com maior capacidade de autodeterminação, abrindo caminho para a luta pelo poder operário e popular.

Devemos também estar dispostos a fazer unidade de ação na luta com todo mundo contra os ataques às liberdades democráticas ou qualquer questão relativa às reivindicações democráticas, embora sempre organizando a classe trabalhadora de forma independente enquanto classe. Como já dizia o revolucionário Lenin: golpear juntos, marchar separados.

DEFENDER UM PROJETO REVOLUCIONÁRIO, SOCIALISTA E DE INDEPENDÊNCIA DE CLASSE

Se é muito importante defender a mais ampla unidade para lutar, é fundamental apresentar, construir e defender um projeto, um programa, uma alternativa socialista para o país.

É fundamental organizar a classe operária, os trabalhadores e a juventude para lutar por esse projeto revolucionário. A classe operária não pode viver apenas para se defender eternamente do sistema capitalista ou para obter pequenas melhorias, que logo lhe são roubadas novamente. Isso é como enxugar gelo. Precisamos lutar para mudar o sistema.

Por isso, se faz muito sentido unir todas as organizações da classe trabalhadora para lutar para se defender, não faz nenhum sentido unir projetos diferentes e até antagônicos em frentes políticas ou eleitorais. Isso significaria abrir mão de apresentar, defender e chamar a classe a se organizar com independência de classe para lutar por um projeto revolucionário e socialista. Um projeto para enfrentar a classe dominante e fazer com que os ricos paguem pela crise, lutar por um governo socialista dos trabalhadores, para governar com democracia operária, por conselhos populares. Isso não nascerá espontaneamente, precisa ser organizado e construído de forma consciente.

Para nos defendermos e lutarmos por algumas reivindicações, podemos e devemos batalhar pela mais ampla unidade. Por outro lado, para lutar por um projeto revolucionário e socialista, teremos inevitavelmente de confrontar não apenas organizações da classe dominante. Será preciso, também, debater e se contrapor aos projetos de partidos e organizações que atuam no interior da nossa classe, que defendem meras reformas no sistema capitalista e atuam contra o desenvolvimento de um processo revolucionário, que priorizam as eleições e a ação parlamentar em vez da luta e da organização dos trabalhadores em direção a uma revolução social, como é o caso do PT, do PCdoB e do PSOL, que defendem um programa democrático, nos limites do capitalismo e da democracia dos ricos. Por isso, quando dizem uma “aliança progressista”, querem dizer junto a partidos da classe dominante para governar o país.

REBELIÃO

O BRASIL PRECISA DE UMA REVOLUÇÃO SOCIALISTA

Rebelião! Foi o chamado feito pela Vera e pelo Hertz, candidatos do PSTU à presidente e vice do Brasil. Operária negra e nordestina, Vera, dizia, repetindo o samba da Mangueira: “Eu quero o Brasil que não está no retrato!

Desde 1500, tem mais invasão do que descobrimento, diz a música. São 519 anos de capitalismo, e o Brasil continua sendo um dos países mais injustos e desiguais do mundo, dominado e subalterno aos países ricos.

Pouco mais de 100 famílias bilionárias, donas de bancos, indústrias, latifúndios, redes de lojas, supermercados e meios de comunicação, controlam o país. É uma classe dominante que é sócia menor dos capitalistas estrangeiros na exploração e na rapina do país. Ela tem sangue retinto pisado atrás de seus heróis emoldurados e trabalho não pago e exploração dos trabalhadores que construíram tudo que existe e toda riqueza que ela usufrui.

Para manter os lucros dessa gente, temos um país em que a maioria não tem emprego ou é obrigado a viver de bico, e quem trabalha recebe uma miséria.

Vivem prometendo um país do futuro, enquanto infernizam nosso presente com um vale de lágrimas. A crise e a decadência do capitalismo exigem um nível ainda maior de exploração, rapina e crueldade nos planos dos governos. É necessário ajuste, remédio amargo, sacrifício, dizem eles. Só não dizem que o sacrifício é para nós, os de baixo. Para eles, é lucro.

Fundo do poço
Com o governo Bolsonaro-Mourão-Guedes vai piorar. Eles flertam com ditadura e querem elevar o patamar de rapina do país e de exploração dos trabalhadores.

A cara desse sistema capitalista é a destruição de Brumadinho. Revolta saber que outras barragens podem explodir destruindo gente, rio, peixes, cidades. A ganância da Vale por lucros continua intacta. Vemos um prédio desabar sobre seus moradores no Muzema e a impunidade das milícias corruptas e, mais uma vez, choramos os mortos da nossa classe. Como não se indignar quando vemos nove militares do Exército darem mais de 80 tiros no carro de uma família desarmada que ia a um chá de bebê, matando Evaldo dos Santos Rosa por ser negro e pobre, dizendo que o “confundiram” com bandido? Chamam de imbecis os estudantes e professores e querem inviabilizar a educação e a saúde públicas. Propõem acabar com o maior programa social do Brasil, a Previdência pública.

Temos um país dos mais desiguais, injusto e violento do planeta. O encarceramento em massa, o genocídio do povo pobre e negro da periferia, a destruição do meio ambiente, a fome, a miséria, são expressão de barbárie.

Basta!
Sim. Chegou a vez de ouvir as Marias, Mahins, Marielles, Malês. Sim. É na luta que a gente se encontra. É preciso organizar o Brasil que não está no retrato e fazer uma revolução social para garantir o fim da exploração e de toda a opressão.

Não será com essa falsa democracia dos ricos, com suas eleições de cartas marcadas, que vamos mudar tudo isso aí. Menos ainda com uma ditadura.

Precisamos organizar os de baixo para derrubar os de cima, para, por uma revolução social, garantir os operários e o povo pobre no poder e uma democracia operária, verdadeira, na qual os trabalhadores governem em conselhos populares. Uma sociedade socialista.

"...a rapina das riquezas de países como o Brasil é o que querem os países ricos"

ACABAR COM ESSE SISTEMA

O CAPITALISMO LEVA O MUNDO PARA A BARBÁRIE

O sistema capitalista está em decadência e numa crise mundial. Um sistema voltado para o lucro de um punhado de bilionários e para a acumulação de capital cumpre hoje um papel completamente destrutivo. Mesmo os seus avanços, sejam científicos, sejam técnicos, ao invés de beneficiarem a humanidade, destroem empregos e o meio ambiente, causam miséria e guerras. A desigualdade, a injustiça e a exploração são geral.

O capitalismo é um sistema mundial, e há desigualdade também entre os países, onde um punhado de grandes potências donas da maioria dos monopólios, exploram e oprimem os demais países.

De acordo com o Banco Mundial, metade da população do planeta (3,4 bilhões de pessoas) luta diariamente para satisfazer suas necessidades básicas, pois vive com até US$ 3,20 por dia ou US$ 5,50 nos países de renda média-alta. O número de refugiados não para de crescer: 68 milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas devido a fome, guerras ou crises econômicas e sociais.

Os governos imperialistas, como o de Trump nos EUA, impõem ataques aos direitos dos trabalhadores do mundo todo, inclusive de seu país.

As reformas da Previdência e trabalhista são propostas em todo o lado. O projeto de recolonização imperialista e a rapina das riquezas de países como o Brasil, isso é o que querem os países ricos, com os EUA à frente. Plano de rapina para o qual Bolsonaro bate continência como um lacaio.

Contra esses planos e governos, os trabalhadores lutam em todo o globo.

Os trabalhadores de todo o mundo devem se unir, porque a sociedade tem um dilema: ou avança para o socialismo ou cairá na barbárie.

Um mundo socialista é possível! O caminho é a revolução social!

ALTERNATIVAS CAPITALISTAS NÃO SÃO A SOLUÇÃO

PT defende “mal menor” e promete impossível volta ao passado

O PT, perante o desastre anunciado do governo Bolsonaro, apela para os tempos passados de crescimento dizendo: “Com Lula era melhor.” Tenta, assim, recompor-se eleitoralmente, reafirmando o mesmo projeto dos seus 14 anos de governo. Não conta que seu projeto e seus governos terminaram em fracasso e desmoralização, sendo responsáveis, em boa medida, pela eleição de Bolsonaro.

A queda de Dilma ocorreu depois de sua popularidade ter ido abaixo do volume morto. Foi o resultado da aplicação de um duríssimo ajuste fiscal contra os trabalhadores em prol dos banqueiros. Isso, junto com o envolvimento de inúmeros dirigentes partidários em denúncias de corrupção, levou milhões de trabalhadores a se sentirem decepcionados e traídos pelo PT.

Esse é o resultado do fracasso de um projeto político, de uma estratégia de governo, de um programa, de uma política de alianças, de um modelo de partido.

A estratégia que norteou a política do PT foi chegar ao governo em aliança com partidos burgueses progressistas para governar o capitalismo com suposta “distribuição de renda”. O vice de Lula foi José Alencar, o maior empresário têxtil do país; o de Dilma, foi Temer; e as alianças foram com partidos burgueses como PDT, PSB, PMDB, PTB e até o PP.

Mesmo em tempos de crescimento econômico, o combate à desigualdade não avançou. Sendo a 8ª economia do mundo, está na 175º posição em igualdade. Como mostra o estudo do economista francês Thomas Piketty, entre 2001 e 2015, os 10% dos brasileiros mais ricos aumentaram sua fatia da riqueza nacional de 54% para 55%, enquanto os 50% mais pobres aumentaram de 11% para 12% sua parte. Isso às custas dos “remediados”, os 40% que estão no meio do caminho e viram sua participação na renda diminuir de 34% para 32%.

O crescimento econômico do período foi abocanhado, em sua maior parte, pelos mais ricos. Esses 10% mais ricos ficaram com 61% do que o país cresceu. A metade do povo mais pobre, com só 18%. Ou seja, ao contrário do que o PT diz, seu governo não combateu a desigualdade e o crescimento serviu, sobretudo, aos mais ricos, que ficaram ainda mais ricos.

Quando chegam as crises, a burguesia procura aumentar a exploração e destrói as políticas compensatórias de distribuição de renda anteriores. No governo de um Estado capitalista, o PT não pode fugir da lógica de um gerente de negócios do capital. O gerente obedece às ordens dos patrões.

O envolvimento do PT nos grandes esquemas de corrupção obedece à mesma lógica. A corrupção é um instrumento a serviço da acumulação capitalista burguesa baseada na pilhagem do Estado.

O crescimento econômico baseado em exportação de produtos primários maquiou também o processo de desindustrialização, atraso tecnológico e decadência. Enquanto pagou trilhões da falsa dívida, o PT sequer universalizou o saneamento.

É preciso lembrar, além disso, que foi sob os governos do PT que explodiu o genocídio da população negra e o encarceramento em massa. Foi também sob o PT que foram editadas leis e portarias repressivas, como a Garantia de Lei Ordem (GLO), investindo nas Forças Armadas para repressão interna e para ocupar o Haiti em defesa das multinacionais e do sistema capitalista e imperialista.

Hoje, em plena crise, um governo do PT não seria o governo Lula da bonança. O PT estaria fazendo o mesmo que seus governadores, jogando a crise nas costas dos trabalhadores para salvar o capitalismo.

PSOL TEM PROJETO SEMELHANTE AO DO PT

O PSOL, que nasceu de deputados que romperam com o PT quando Lula fez uma reforma na Previdência, tem hoje um projeto bastante semelhante ao do PT.

O projeto do PSOL também é um projeto nos limites do capitalismo, com reformas cosméticas na democracia dos ricos. O programa da candidatura de Guilherme Boulos nas eleições passadas sequer defendia a suspensão do pagamento da dívida pública. Conforme apontou a Auditoria Cidadã da Dívida: “O candidato Guilherme Boulos (PSOL/PCB), em seu programa oficial, sobre a dívida pública, fala na ‘Realização de auditoria’, porém essa auditoria serviria ‘para evitar novos contratos lesivos ao povo brasileiro junto a instituições financeiras’. Ou seja, a auditoria proposta por Boulos seria voltada apenas para a prevenção de problemas futuros, deixando de enfrentar as inúmeras provas de irregularidades e até fraudes na formação da chamada dívida pública.

Junto com o PT, o PSOL está empenhado na conformação de uma “aliança progressista” ou uma frente de colaboração de classes, com partidos e figuras da burguesia, para, de novo, defender a gestão do sistema capitalista e tentar algumas reformas pelos mecanismos da democracia dos ricos e sua institucionalidade. Segue, então, os rumos do PT, embora tenha uma crítica ou desavença aqui ou ali.

NOVA SOCIEDADE

AFINAL, O QUE É SOCIALISMO?

Em seu discurso de posse, Bolsonaro afirmou que seu governo começaria “a libertar o Brasil do socialismo”. No entanto, o Brasil nunca foi socialista. Tampouco os governos do PT foram socialistas como insinua Bolsonaro.

CAPITALISMO

RIQUEZA PRODUZIDA NAS MÃOS DE POUCOS

O capitalismo é um sistema social fundado na apropriação privada dos grandes meios de produção, ou seja, os instrumentos de trabalho, as fábricas e suas máquinas, a terra e a produção e distribuição de alimentos estão nas mãos de um punhado de grandes capitalistas, menos de 1% da população. Eles usam uma parte do seu dinheiro para comprar a força de trabalho dos trabalhadores. Estes últimos têm de trabalhar todos os dias por um salário, que é o valor mínimo para garantir sua reprodução e, às vezes, nem isso garante a cada final de mês como sabemos.

Os trabalhadores são a maioria e produzem toda a riqueza, tudo que está a sua volta – edifícios, carros, estradas, alimentos. O salário é uma pequena parte da riqueza produzida pelo trabalhador. O restante é trabalho não pago embolsado pelos capitalistas, donos dos grandes meios de produção, fábricas, fazendas e bancos. Essa classe enriquece com o trabalho dos trabalhadores como você.

O objetivo dos capitalistas é lucrar o máximo possível. Por isso, para competir entre si, precisam baixar os custos de produção, rebaixar salários, aumentar a jornada de trabalho e destruir direitos. É por isso que no capitalismo existe exploração, miséria e desemprego.

"Só com uma revolução, liderada pela classe operária em aliança com o povo pobre da cidade e do campo, é possível começar a construir uma sociedade socialista."

SOCIALISMO

A RIQUEZA NAS MÃOS DOS TRABALHADORES

Agora imagine uma sociedade na qual os trabalhadores, que produzem toda a riqueza, fossem também coletivamente os proprietários dos meios de produção.

Assim, a riqueza produzida pelos trabalhadores, que hoje vai parar nas mãos de meia dúzia de capitalistas, será utilizada para satisfazer às necessidades do conjunto do povo, dedicando esses recursos à educação, à saúde, à investigação científica e ao bem-estar geral. Eis a primeira explicação do que é socialismo.

Hoje, o capitalismo desenvolve a tecnologia para diminuir postos de trabalho, aumentar a produção e a exploração para lucrar mais. No socialismo é diferente. O atual nível tecnológico permitiria que você trabalhasse menos e dedicasse mais tempo à sua família, ao lazer, à vida política e à cultura.

Tem outra coisa. Dizem que a gente vive numa democracia, uma palavra grega que quer dizer “governo da maioria”. Mas a gente sabe que isso não existe. O poder político é controlado por uma minoria de capitalistas, 1%, que financia os políticos. As eleições são um jogo de cartas marcadas. No socialismo, é diferente. O poder político é controlado diretamente pela classe trabalhadora, a maioria, e não por um punhado de políticos corruptos a serviço dos capitalistas.

Para manter sua dominação, os capitalistas precisam do Estado burguês, que é um aparato corrupto a serviço da exploração dos trabalhadores. Isso a gente vê nas leis aprovadas pelo governo e pelo Congresso, na injustiça, e, principalmente, pela violência praticada pelos aparatos de repressão, a polícia e o Exército contra os pobres e contra qualquer forma de luta e de rebelião.

O socialismo precisa de um novo tipo de Estado, baseado em conselhos populares, organizados em locais de trabalho, moradia e estudo. Assim, todo trabalhador poderá participar da vida política do país, definir as prioridades de um plano econômico, controlar e gerir fábricas e escolas. Tudo isso é bem diferente da atual democracia capitalista que, na verdade, é uma ditadura dos ricos contra os pobres.

Muito diferente também das ditaduras, como existiram em Cuba, China ou na União Soviética depois da contrarrevolução stalinista que derrotou a Revolução Russa de 1917. Essas ditaduras estiveram a serviço da restauração do capitalismo nesses países.

O socialismo é um sistema no qual a classe trabalhadora, a maioria da sociedade, controla o poder político (ou seja, uma verdadeira democracia) e toda a produção e a distribuição da riqueza gerada por ela. Isso nunca existiu no Brasil nem na Venezuela (um país capitalista e com uma ditadura) como nos quer fazer crer Bolsonaro.

Dá para entender o motivo da campanha contra o socialismo realizada pelos capitalistas. Uma delas diz que no socialismo vão tomar o seu celular e seu carro. Ora, isso é uma bobagem. No socialismo só os capitalistas, que são os donos da fábrica de celular, têm a perder.

O caminho é a revolução
O capitalismo só pode ser abolido na sua totalidade. Isso exige o engajamento ativo dos trabalhadores, a partir dos seus interesses comuns, unidos numa luta por uma revolução. Não vai ser governando o capitalismo, aliados aos burgueses, como fez o PT, que a gente vai acabar com ele. Não vai ser pelas eleições, como dizem PT e PSOL – que querem reformar o capitalismo – que a gente vai mudar a sociedade.

O socialismo será resultado do movimento real dos trabalhadores. Só com uma revolução, liderada pela classe operária em aliança com o povo pobre da cidade e do campo, é possível começar a construir uma sociedade socialista.

CONHEÇA O PSTU

VENHA PARA O PARTIDO DA REVOLUÇÃO E DO SOCIALISMO

Você pode ter se encontrado com militantes do PSTU numa manifestação ou simplesmente distribuindo panfletos numa estação de trem ou metrô, denunciando um ataque aos direitos dos trabalhadores e chamando todos para a luta. Quando fazemos uma panfletagem de madrugada em portas de fábrica, vários trabalhadores nos perguntam: por que vocês estão aqui a essa hora nesse frio? E quando sabem que não ganhamos um centavo para isso se espantam.

Uma parte dos que passam por nós e veem nossas bandeiras vermelhas nos olha com desconfiança. Isso é um reflexo da desilusão no PT, falsamente associado ao socialismo. Para ficar bem claro: não temos nada a ver com o PT, fomos oposição a todos os seus governos.

Afinal, o que é o PSTU? Quem são seus militantes? O que defendemos? Qual é a causa pela qual lutamos?

Um partido contra o sistema
Em primeiro lugar, somos um partido da classe trabalhadora que defende os interesses de todos os explorados e oprimidos pelo capitalismo. Em nossas fileiras, não há lugar para exploradores, capitalistas, latifundiários e políticos corruptos. Em nossas reuniões, atos e congressos, você vai encontrar trabalhadores e trabalhadoras como você, jovens, estudantes, LGBTs, negros e negras.

Em nosso partido, a militância é voluntária. Nossa causa é a luta pelo socialismo. Nenhum de nós ganha dinheiro, cargos ou privilégios. Os poucos funcionários do partido ganham o mesmo salário de um trabalhador médio.

Um de nossos objetivos centrais é a mobilização e a organização da classe trabalhadora para lutar por seus direitos, unindo essa luta com a dos setores oprimidos contra o racismo, o machismo e a lgbtfobia. Por isso, sempre estamos nas greves, nas ocupações de terrenos, nas escolas e nas fábricas. Da mesma forma, procuramos ajudar os sindicatos e as organizações estudantis e populares.

Sem aliança com a burguesia
Também participamos das eleições para divulgar o programa socialista e fazer propaganda do nosso partido. Porém sempre explicamos que, sob o capitalismo, as eleições são um jogo de cartas marcadas. Por isso, priorizamos as lutas diretas e não as eleições.

Não aceitamos frentes políticas com a burguesia. Defendemos a independência da classe trabalhadora e do partido diante dos governos e da burguesia.

Não admitimos carreiristas, políticos privilegiados ou corruptos. Nossos candidatos se comprometem, caso sejam eleitos, a viver com o salário de um trabalhador e entregar o resto para a causa operária e popular. Também não aceitamos dinheiro de empresas. Os próprios militantes e simpatizantes mantêm financeiramente o partido com suas contribuições.

Uma nova sociedade
O objetivo maior do PSTU é ajudar a classe trabalhadora a avançar em suas lutas cotidianas até chegar à conclusão de que é necessário conquistar o poder de Estado. Isso significa instaurar um governo dos trabalhadores e do povo pobre, baseado em conselhos populares, um novo tipo de Estado com um regime de ampla democracia operária contra a ditadura do capital que governa para 1% da população.

Caberia a esse governo dar os primeiros passos em direção ao socialismo. A socialização começaria pela expropriação imediata do capital, a abolição da propriedade privada dos bancos, das grandes indústrias, dos grandes estabelecimentos de comércio e das terras dos grandes latifundiários. Ela passaria a ser propriedade popular, coletiva, garantida pelo Estado e gerida pela administração socialista dos trabalhadores. Dessa forma, seria possível uma planificação democrática de toda a economia do país para garantir uma vida digna com emprego, salário, educação, saúde e moradia para todo o povo.

Revolução mundial
O socialismo deve ser um sistema mundial ou então a força do imperialismo o fará retroceder como aconteceu com as ditaduras stalinistas na ex-União Soviética, em China e em Cuba, onde o poder foi usurpado por burocracias privilegiadas. Por isso, o PSTU luta por uma revolução socialista mundial e, junto com várias organizações de diferentes países que fazem parte da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI).

Democracia interna
Objetivos e um programa não bastam. A atividade prática de qualquer organização humana exige a correção de orientações, erros e problemas. Por isso, existe no PSTU um ambiente permanente de discussão, crítica e autocrítica. Tudo é discutido nos organismos de base e de direção e decidido democraticamente em congressos anuais. Todos devem seguir as resoluções votadas. Os dirigentes não são os donos do partido e são os principais responsáveis por aplicar o que foi resolvido.

Esse é nosso partido e temos muito orgulho de construí-lo. Você está convidado a participar conosco dessa grande empreitada revolucionária. Venha militar conosco. Venha para o PSTU!

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