Dívida Pública: Não existe rombo no Orçamento, existe roubo!

Os candidatos dos grandes empresários e dos banqueiros prometem criar empregos e dizem que vão investir em saúde, educação e segurança pública. Quando eleitos, dizem que os governos estão quebrados e que não há verbas. Então, fazem o oposto do que prometeram: cortam verbas da saúde, da educação e das áreas sociais.

Dizem que vão fazer a reforma da Previdência porque, segundo eles, existe um rombo no Orçamento. Neste especial sobre a dívida pública, queremos demonstrar que isso é uma mentira. A dívida, hoje, é de R$ 5,16 trilhões, o que representa quase 80% de tudo o que o país produz em um ano, ou seja, o Produto Interno Bruto (PIB). Para pagá-la, os bancos, as grandes empresas e os políticos corruptos financiados por eles roubam do Orçamento.

Qualquer trabalhador ou trabalhadora, quando tem uma dívida, esforça-se para pagá-la. Afinal, ninguém quer ter o nome SPC. Quando você não tem dinheiro para chegar ao fim mês e faz uma dívida, sabe para onde você destinou o empréstimo: para o aluguel, o supermercado, um tratamento médico.

A mídia e quase todos os candidatos falam o mesmo sobre a dívida pública. Se você pegou emprestado, tem que pagar. Contudo, tem um detalhe: ninguém sabe para onde foi o dinheiro dessa dívida. Se as escolas públicas estão caindo aos pedaços e entrar num hospital público é um risco, para onde foi toda a grana da dívida? Não era para pagar as contas do governo como diz a Globo?

Além de ninguém saber aonde foi esse dinheiro, o pagamento de juros e amortizações da dívida come, hoje, metade do Orçamento do país. O governo não está fazendo dívida para investir em saúde, educação, salários etc.

Não estamos diante de uma dívida para cobrir um buraco no Orçamento. Estamos diante de um roubo do Orçamento público por parte de bancos, grandes empresários e políticos que eles financiam. Essa gangue criou um sistema da dívida pública para roubar você, mas, até agora, ninguém foi para a cadeia por isso.

Um sistema para assaltar você

O Orçamento é o dinheiro dos governos (federal, estaduais e municipais) para manter a administração funcionando e investir nos serviços para a população. Ele depende fundamentalmente dos impostos. Entretanto, quem menos paga imposto no país é quem mais lucra com a dívida pública.

Os impostos vêm da riqueza gerada pelos trabalhadores. A cada dia, milhões de horas trabalhadas tomam a forma de mercadorias que são transportadas, vendidas em lojas ou entre as próprias empresas. O fruto do trabalho de milhões se transforma em lucro para os patrões e em juros para os banqueiros. Uma pequena parte se converte em salários. É dessa riqueza gerada pelos trabalhadores que o governo recolhe os impostos.

O governo tem duas formas de arrecadar impostos. Uma é o chamado imposto direto, cobrado sobre a renda e o patrimônio das pessoas. A outra, o imposto indireto, incide sobre o consumo. Nesse caso, todo mundo paga igual, pois, na hora de comprar uma cerveja, não é pedido o contracheque das pessoas.

Quem paga mais imposto no Brasil
O imposto deveria ser a principal arrecadação do governo. O lucro dos capitalistas depende do investimento do Estado em energia elétrica para as fábricas, estradas para transportar suas mercadorias, investimento público para que as empresas funcionem e tenham lucros. Mas os capitalistas não pagam por isso.

O imposto sobre a propriedade representa somente 3,93% da arrecadação. Isso significa que os grandes empresários ou fazendeiros, que necessitam de estradas e ferrovias construídas pelos impostos, não pagam praticamente nada ao fisco.

Com o Imposto de Renda sobre as Pessoas Físicas (IRPF), que deveria obedecer ao critério de “quem ganha mais paga mais”, ocorre o contrário. Todos os rendimentos superiores a R$ 4.664,68 mensais são tributados em 27,5%. Isso significa que um operário metalúrgico paga a mesma alíquota que o seu patrão ou que o dono de um banco.

A maioria da arrecadação de impostos é feita pelo consumo de bens e serviços, quase 52% da arrecadação tributária. Quem ganha até dois salários mínimos precisa trabalhar 197 dias do ano para pagar tributos na forma de impostos indiretos, aqueles que são cobrados no preço de tudo que se compra.

Conclusão: com o seu trabalho, o patrão paga o imposto da empresa, quando não sonega. O governo tira do salário do trabalhador de duas formas: de maneira direta, via Imposto de Renda Retido na Fonte, e indireta, via cada item que você consome.

O imposto que você paga vai para o banqueiro

O imposto que você paga engorda o bolso dos banqueiros. Metade de tudo que o governo arrecada com o seu imposto vai para o pagamento da dívida pública. Em 2016, foram destinados R$ 2,5 trilhões para a dívida, quase 44% do orçamento. É desse jeito que você paga por uma dívida que não fez e não usufruiu dela, pois não existe investimento em saúde, educação, segurança pública, terra etc. (veja o gráfico).

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