Numa demonstração de total intransigência e de que a sanha da direção dos Correios e do governo Bolsonaro é acabar com os direitos dos trabalhadores a qualquer custo, a audiência de conciliação no TST (Tribunal Superior do Trabalho) acabou sem acordo na tarde desta quinta-feira (27) e o dissídio da greve irá à julgamento.

Na audiência, o vice-presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, propôs estender por mais um ano o ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) do ano passado, mantendo todas as cláusulas sociais, mas sem a concessão de reajuste salarial. Além disso, colocou como condição do acordo o fim da paralisação.

Os sindicatos aceitaram levar a proposta para votação dos trabalhadores em assembleia, mas o presidente dos Correios general Floriano Peixoto rejeitou a proposta, insistindo de que o objetivo é acabar com 70 das 79 cláusulas sociais da categoria.

A greve continua!

Diante de tamanha intransigência e ataque, a greve dos trabalhadores dos Correios completa 11 dias nesta sexta-feira e a orientação dos sindicatos é de que se intensifique ainda mais.

O general Floriano Peixoto e o governo Bolsonaro querem derrotar a nossa mobilização para impor a qualquer custo a destruição dos nossos direitos trabalhistas. Só a unidade e a mobilização dos trabalhadores podem impedir este ataque”, reafirma o dirigente da FENTECT e integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas Geraldinho Rodrigues.

Vamos fortalecer a unidade para lutar, com todos os nossos sindicatos. Intensificar a greve, controlada pela base, sem nenhuma ilusão nos tribunais”, defende Joelby Costa da Silva, trabalhador do CDD Cristo Redentor de João Pessoa (PB).

A postura intransigente da empresa confirma que o ataque ao ACT da categoria tem a ver com o plano de privatização da estatal já anunciado por Bolsonaro e Paulo Guedes. O objetivo é reduzir os custos da empresa para entregá-la de bandeja ao setor privado. Na semana passada, o BNDES selecionou o consórcio que irá desenvolver os estudos para preparar o processo de desestatização.

Outra contradição apontada pelos trabalhadores é o falso discurso sobre a situação financeira dos Correios. O general Floriano Peixoto vive fazendo declarações de que a empresa precisa fazer ajustes, mas esconde que os Correios lucraram apenas este ano, em meio à pandemia, mais de R$ 600 milhões.

Além disso, os trabalhadores denunciam que o general e Bolsonaro estão abrindo vagas para militares na estatal, criando um verdadeiro cabide de empregos, com salários de R$ 30 a R$ 46 mil.

Ainda assim, o general Floriano Peixoto, que tem salário de R$ 48 mil, além de outros privilégios como um auxílio-moradia de R$ 1.800, quer impor um ataque tão brutal aos trabalhadores dos Correios que, em média, ganham no máximo R$ 2 mil.

Nesta sexta-feira, as mobilizações da categoria seguem pelo país. O Centro Operacional de Encomendas dos Correios, em Indaiatuba (SP), segue ocupado pelos trabalhadores desde a noite de quarta-feira (26). Em São Paulo, os grevistas realizam uma nova carreata, saindo do Estádio do Pacaembu nesta manhã. Em Taubaté, também tem passeata e a continuidade da campanha “Ecetista sangue bom” de doação de sangues para os hemocentros.

Para o dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, é preciso cobrir de solidariedade e apoio total a greve dos trabalhadores dos Correios. “A vitória da luta dos companheiros e companheiras trabalhadores dos Correios será uma vitória para toda nossa classe. É preciso unir os trabalhadores dos Correios, petroleiros, bancários, metalúrgicos, todos que estão em campanha salarial, para fortalecermos a luta contra os ataques aos direitos e as privatizações”, defende o dirigente.

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