A greve dos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios entra em sua segunda semana depois do violento ataque do STF (Supremo Tribunal Federal) que, por 10 votos a 0, suspendeu todos os direitos conquistados por décadas dessa categoria. Além de repudiarmos essa decisão do tribunal, todo o movimento organizado deve intensificar, já, a solidariedade ativa a essa luta e, nesse sentido, as centrais sindicais brasileiras tem a obrigação de lançar-se nessa ação. É preciso, no mínimo, convocar um dia nacional de luta, manifestações e protestos em apoio a esses companheiros e companheiras, em defesa de seus direitos e contra a privatização dessa importante estatal.

Tratas-se de um duríssimo ataque a uma das categorias estatais com menor salário e que, durante todo esse período de pandemia, foi obrigada a trabalhar, se expondo à contaminação e à morte pelo coronavírus. Já são mais de 100 companheiros e companheiras que morreram e não se sabe quantos milhares foram infectados já que a direção da empresa se nega a testar a categoria, e a divulgar o número inclusive dos já falecidos.

Apesar das péssimas condições de trabalho e salários, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, pela dedicação de seus funcionários, sempre foi reconhecida e defendida pelo povo do nosso país, especialmente pelos mais pobres e, destacadamente, pelos que moram nos lugares mais longínquos de nosso Brasil. Todos sabem da importância estratégica e da força social dos serviços prestados por esses valorosos camaradas.

Diante desse desmonte da empresa e dos violentos ataques aos trabalhadores orquestrados pelos planos privatistas de Bolsonaro e Mourão, por Paulo Guedes, pelo presidente da empresa, o general Floriano Peixoto, e com a conivência ativa do STF, é preciso que nos somemos e alimentemos a força e a resistência dessa greve. Se, de um lado, estamos assistindo ao governo federal, estaduais, prefeitos e grandes empresas atacando a nossa classe, do outro estamos vendo inúmeros exemplos de lutas que resistem a essa escalada e arrancam conquistas parciais muito importantes. Exemplos são a vitória dos metroviários de São Paulo contra Dória e Bruno Covas e a heroica greve dos metalúrgicos do Paraná contra a Renault.

Essa luta se desenvolve na esteira das mobilizações dos entregadores e entregadoras de aplicativos, na luta de nosso povo negro contra o racismo, das periferias contra os despejos e a violência policial, das mulheres contra violência machista e sexual, dos LGBT’s contra toda forma de opressão, bem como de nossos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e os pequenos agricultores contra o latifúndio, o garimpo e os assassinatos de suas lideranças.

Sim, é nessa polarização social que se encontra a greve dos nossos companheiros e companheiras dos Correios e, por isso, devemos apoiá-los ativamente. O desfecho dessa luta e seus reflexos importam a todos nós da classe trabalhadora brasileira. Trata-se de uma luta frontal contra o governo de ultradireita de Jair Bolsonaro e Mourão e todos que defendem o avanço dos planos capitalistas em nosso país.

Não se pode perder a capacidade da indignação. Enquanto milhares de companheiros e companheiras ecetistas sofrem tantos ataques, esses camaradas, seguindo o caminho da luta, nos mostram o caminho da greve, e nos indicam que é hora de nos unirmos em uma ação, cada vez mais direta e unificada.

As centrais sindicais brasileiras, para fortalecer esse combate, podem e devem chamar um dia nacional em apoio a essa greve e, juntando todos os trabalhadores e trabalhadoras das estatais, como os bancários ameaçados de reajuste zero e retirada de direitos pelos banqueiros; eletricitários e petroleiros, também ameaçados por ataques aos direitos e privatizações; assim como impulsionar uma campanha nacional em defesa de todas as estatais e dos direitos dos trabalhadores. Nesse marco, vamos estender essa batalha em unidade com o funcionalismo público federal, golpeado pelo Bolsonaro, Mourão, Guedes e pelo Congresso Nacional, que lhes impôs dois anos sem reajustes de salários, sob a sórdida campanha de desmoralização desenvolvida pela grande mídia burguesa a serviço do mesmo plano ultraliberal.

É hora de ação afetiva! Não fazê-lo, significa omissão e até conivência com essa ofensiva capitalista. Trata-se, portanto, de termos uma atitude unitária contra esse governo. Uma luta em defesa da vida, do emprego, dos direitos e contra as privatizações, luta essa que devemos e podemos reforçá-la, via os caminhos trilhados pela greve dos nossos companheiros e companheiras funcionários dos Correios.

Por fim, queríamos acrescentar que é muito importante que incorporemos a luta contra a abertura das escolas, hoje enfrentada por nossas companheiras e companheiros do Ensino Básico Estatal de inúmeros estados, bem como pelos profissionais do mundo da Educação em geral.

Vamos juntos. Somos todos ecetistas!

Todo apoio a Greve dos Trabalhadores e trabalhadoras dos Correios!

– Por um dia nacional de atos, paralisações e protesto em apoio à Greve nos Correios;

– Em defesa da vida, do emprego e contra as privatizações;

– Se não tem emprego e nem vacina, o auxílio não pode acabar e nem diminuir, tem de manter  e aumentar;

– Estabilidade no emprego e readmissão de todos os demitidos na pandemia;

– Quarentena geral de 30 dias, com renda digna para todos;

– Fora Bolsonaro e Mourão, já!

Geraldinho Rodrigues, dirigente da FENTECT (Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares) e da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas

Atnágoras Lopes, integrante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas