Cena do filme "Eles Não Usam Black Tie"

Wellingta Macedo, de Belém (PA) e Wilson H Silva, da Sec Nacional de Formação 

Essa é uma pequena lista de clássicos e títulos mais recentes que tratam da organização da classe trabalhadora, em particular a operária, seus métodos de lutas, greves e manifestações, bem como suas condições de vida e trabalho e aliança com outros setores da sociedade, como mulheres e LGBTIs.

A ideia é fornecer um acervo para que, neste Primeiro de Maio, essas obras sirvam de inspiração e reflexão sobre a importância das lutas independentes da classe trabalhadora, principalmente para avanço da consciência política e da destruição do capitalismo.

A seleção foi feita por Wellingta Macêdo, militante do PSTU, em Belém do Pará, jornalista, atriz e educadora social, que também integra o Coletivo de Artistas Socialistas (CAS), filiado à CSP-Conlutas, e apresenta o programa “Cinema Livre”, pela web rádio “Censura Livre, a Voz da Classe Trabalhadora!”.

Para evitarmos classificar os filmes (em termos de “qualidade” ou importância), os títulos estão listados em ordem cronológica e, sempre que possível, fornecemos um link que possibilita acesso à obra completa e legendada.

A Greve

(União Soviética, 1925, 82 min., preto e branco). O filme foi dirigido por Sergei M. Eisenstein, um dos cineastas que melhor transpôs para as telas, na forma e conteúdo, o impacto da revolução nas Artes. “O Encouraçado Potemkin” (1925), por exemplo, ao narrar uma rebelião dos marinheiros do navio de guerra, em 1905, contra seus opressivos oficiais, também serve como metáfora para a Revolução Russa de 1905, parte fundamental do processo levou os trabalhadores à tomada do poder. Já “Outubro” (1927) é uma excepcional representação da Revolução de 1917.

A abertura do filme traz uma frase de Lênin: “A força da classe trabalhadora é a organização. Sem organização das massas, o proletariado não é nada; organizado é tudo. Ser organizado significa unidade da ação, unidade da atividade prática.”

Nele, o suicídio de um operário, injustamente acusado de roubo, é o estopim para o início de uma greve numa fábrica russa, em 1903, um episódio baseado num evento real durante a Rússia Czarista. A narrativa trata do lento processo de negociação, expõe uma série de ações e contra-ações entre grevistas e polícia, discute o papel da patronal e do governo monárquico, retratando, ainda, as condições de vida da classe operária pré-Revolução.

Contudo, ele é também exemplar da maior contribuição de Eisenstein para a história do cinema: a chamada “montagem de atrações” ou “montagem dialética”, uma teoria baseada na convicção de que o cinema pode ajudar na elevação do nível de consciência das massas, não só através de seus temas, mas, também, a partir de sua linguagem, em como som, imagens, cenas etc. se articulam.

Em suma, a ideia é produzir um tipo de filme distinto do modelo “narrativo” (típico do chamado cinema de Hollywood), cuja montagem e elementos da linguagem cinematográfica “conduzem” o espectador, o levando às emoções, reflexões, reflexões e conclusões pré-estabelecidas pelo diretor.

O objetivo do cineasta russo era fazer com que quem assista o filme seja obrigado a refletir sobre o significado das imagens a partir das contradições que se estabelecem entre elas, o som e demais elementos. Outra característica importante do filme é a ausência de protagonista, que serve como forma de reafirmar que o “sujeito” da História é a luta coletiva. Para conhecer melhor a vida, obra e proposta estética do cineasta, leia os artigos “Obrigada, camarada Eisenstein!” e Einsenstein e a dialética no cinema.

Exemplos disto, em “A Greve”, são as cenas em que um touro sendo abatido brutalmente num matadouro (algo que não tem nada a ver com a narrativa) serve como metáfora para a violência das forças repressivas. O mesmo que acontece em outra sequência, onde acionistas da fábrica espremem, alegremente, limões em seus “drinks”, enquanto os grevistas são cercados pela cavalaria da polícia.

Tempos Modernos

(EUA, 1936, 87 min., preto e branco). Dirigido pelo ator britânico Charles Chaplin, cujas simpatias pelo comunismo levaram à sua expulsão dos Estados Unidos, na década de 1950, o filme traz o icônico “Vagabundo” (conhecido, entre nós, como “Carlitos”) empregado em uma fábrica onde as máquinas, inevitável e completamente, dominam a vida dos operários.

Apesar de hilário, como geralmente são as obras do diretor, o filme, rodado na época da Grande Depressão, é considerado uma das maiores críticas de todos os tempos ao capitalismo (principalmente na sua fase “fordista”, caracterizada pela linha de montagem), ao imperialismo e, também, ao nazifascismo, que, nos anos 1930, já contaminava a Europa, em países como Alemanha e Itália.

É emblemática, por exemplo, a cena de abertura, quando uma fusão mescla as imagens que mostram trabalhadores, a caminho do trabalho, saindo cabisbaixos de uma estação de metrô, com a de carneiros indo para o abatedouro. Como também se tornou “clássica” a cena em que o operário vivido por Chaplin é, literalmente, engolido pelas engrenagens da fábrica.

O filme é, ainda, uma celebração da unidade entre os marginalizados e das lutas. No decorrer da narrativa, o Vagabundo é preso algumas vezes, dirige (“acidentalmente”) uma passeata de trabalhadores e, também, conhece uma garota órfã e artista, com quem estabelece uma relação de fraternidade e amor, através da qual vislumbramos tanto as dificuldades da vida moderna, quanto os sonhos e esperanças alimentados pelo povo.

Os Companheiros

(1963, Itália, França, Iugoslávia, 2h e 10min preto e branco) O diretor Mário Monicelli é um ícone do chamado “cinema político italiano”. Dentre suas obras encontra-se o fantástico “O incrível exército de Brancaleone” que, situado na Idade Média, escracha o sistema e todas as instituições de poder vigentes na época em que a história se passa (e, por tabela, as atuais), através de uma ácida sátira, na qual o anti-herói Brancaleone e seus homens (um bando de pobres e marginalizados recolhidos pelo caminho) enfrentam a peste negra, a violência do exército sarraceno, as imposições da igreja bizantina e os bárbaros, em defesa de um pedaço de terra.

Em “Os companheiros”, Monicelli aborda o período da Revolução Industrial, no final dos anos 1800, na Itália, focado em operários de uma grande fábrica têxtil, submetidos a jornadas de trabalho desumanas, de até 14 horas, o que leva a muitos acidentes e num aumento absurdo nos índices de inválidos, além de salários miseráveis. A situação de sofrimento gera crescente insatisfação entre os operários, algo que vai se transformando em revolta e é acirrado ainda mais pela chegada à cidade do professor Sinigaglia, um socialista que percorre a Itália espalhando seu sonho de conscientização política e mobilização dos trabalhadores.

A situação explode quando os operários, em greve, decidem ocupar a fábrica. O filme já foi muito criticado em função do fato de que o professor, com sua bagagem de Educação formal e leituras, surge como um “agente externo” em relação à classe, que muitas vezes segue suas orientações mesmo sem compreendê-las a fundo. Contudo, é por isto mesmo que “Os companheiros” ainda é um bom gancho para refletir sobre o processo de tomada de consciência da classe operária.

A Classe Operária vai ao Paraíso

(Itália 1971, 1h e 50 min, colorido). O filme foi dirigido por Elio Petri, outro grande nome do “cinema político italiano”, que militou no Partido Comunista nos anos 1950, e dirigiu obras como “Investigação sobre um cidadão acima de qualquer suspeita” (1970), sobre a repressão policial a ativistas e militantes políticos.

A narrativa acompanha a saga de Lulu Massa, um “operário padrão”, dedicado e admirado pelos patrões por seu trabalho exemplar e disciplinado e, consequentemente, detestado pelos colegas da fábrica. Por conta dos baixos salários e das péssimas condições de trabalho, o sindicato decide entrar em greve, apoiado pela grande maioria, à exceção de Lulu. Contudo, após sofrer um acidente, que lhe custa um dedo, e ser tratado com descaso pelos patrões, o operário adere ao movimento.

Narrado num tom de comédia ácida, o filme é canal para discutir temas o “taylorismo” (o modelo de produção capitalista que tenta “arrancar tudo” do trabalhador, a partir da busca do máximo da eficiência operacional no trabalho), a solidariedade de classe e a atuação das entidades sindicais.

Contudo, é particularmente interessante no que se refere ao processo de tomada de consciência e ao papel da luta organizada, inclusive no que se refere à vida pessoal dos trabalhadores. A narrativa é, praticamente, uma saga sobre o processo de “desalienação” de Lulu Massa. No início, ele é exemplar do sujeito alienado, não só separado dos meios de produção, mas também de suas próprias potencialidades como ser humano e, quase, de sua sanidade mental. Alienado ao ponto da “coisificação”, da transformação de si próprio em um apêndice da máquina, como expresso numa famosa passagem do filme: “Eu sou um parafuso, eu sou uma correia de transmissão, uma bomba”.

Neste sentido, a chegada ao “paraíso” não é exatamente a vitória das lutas ou a conquista de uma nova sociedade; mas, sim, o “paraíso” se faz na luta, apontada como único caminho para se escapar de uma vida medíocre, fútil (presa ao dia a dia e ao consumismo) e, inclusive, da loucura a que o sistema e os métodos de trabalho podem nos levar.

ABC da Greve

(1979, Brasil, 1h e 25min, colorido) Dirigido por Leon Hirszman, o documentário faz parte de uma onda, poderosíssima, de filmes de ficção e, principalmente, documentários que registraram os movimentos grevistas e a luta contra a ditadura no final dos anos 1970.

Vale citar alguns títulos: “Braços Cruzados, Máquinas Paradas” – (Roberto Gervitz e Sérgio Toledo, 1979), sobre a eleição para a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, que, na época, era comandada há 14 anos por Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão, uma das máximas representações da figura do “pelego”; “Greve!”  – (João Batista de Andrade, 1980), que, rompendo a censura da ditadura, que impediu que a imprensa televisa noticiasse a Greve Geral de 1979, coloca os trabalhadores em cena, para falar sobre o movimento e “Linha de Montagem” –  (Renato Tapajós, 1981), que acompanha o movimento sindical do ABC entre março de 1979 e julho de 1981, registrando o cotidiano das greves, as históricas assembléias no Estádio de Vila Euclides, em São Bernardo, e, também, a fundação do PT.

ABC da Greve se debruça sobre parte dos mesmos acontecimentos retratados em Linha de Montagem, mas focalizado em um período mais curto de filmagens, entre 19 de março a 19 de maio de 1979. O filme é um exercício do chamado “cinema direto”, um tipo de documentário que se baseia no uso do som direto, ou seja, que se utiliza da  captação  do som  ambiente  e  de  entrevistas  também diretas, sem  roteiro, o que reforça a ideia dos trabalhadores como “sujeitos” de suas próprias histórias e lutas, sem um processo de “edição das narrativas” por terceiros.

O filme foi rodado em 1979, mas só teve uma edição final em 1990, depois, inclusive, da morte do diretor, que morreu bastante jovem, em decorrência do HIV/Aids, adquirido numa transfusão de sangue, deixando uma potente obra sobre as lutas dos mais explorados e oprimidos e outras questões sociais. Formado pelo chamado Cinema Novo e militante estudantil, foi responsável, por exemplo, pela direção de “Pedreira de São Diogo”, um dos cinco episódios de “Cinco vezes favela” (1962) e de “Eles não usam black-tie”, citado abaixo.

Para saber mais, leia o artigo “‘Maioria Absoluta’ e outros 10 filmes de Leon Hirszman para assistir online”.

Eles Não Usam Black Tie

(Brasil, 1981, 2h, colorido). Dirigido por Leon Hirzman e baseado em uma peça teatral, dos anos 1950, escrita por Gianfresco Guarnieri, o filme, inegavelmente, é um dos mais belos e impactantes sobre a classe operária no Brasil, tendo como pano de fundo as greves metalúrgicas no ABC Paulista e São Paulo, no final dos anos 1970, que marcaram o começo do fim da ditadura. Para conhecer mais Guarnieri suas obras, leia os artigos “Há 50 anos, o teatro tirou o “black-tie”  e “Nossa homenagem a Gianfrancesco Guarnieri”.

No filme, Otávio (interpretado pelo próprio Guarnieri) é um militante sindical que organiza um movimento grevista para resistir às práticas exploradoras de uma metalúrgica, onde seu filho Tião também trabalha. Mas, com a namorada grávida, o jovem resiste à greve para não perder o emprego.

A relação dos dois serve como metáfora para o debate entre os trabalhadores alienados (que chegam a furar greves) e os que têm consciência de classe, bem como para as profundas mudanças que ocorriam na estrutura sindical, na esteira das lutas contra a ditadura, algo sintetizado num diálogo entre Otávio e Tião: “Os tempos são outros, você cresceu na ditadura, não é hora de ficar pensando em perder ou não perder, mas de batalhar, as coisas mudam…”.

O filme ainda conta com atuações magistrais de Fernanda Montenegro e Milton Gonçalves (num papel escrito em homenagem o metalúrgico negro Santo Dias, morto pela ditadura em 1976) e coloca em pauta temas como a fidelidade à luta, a vida das famílias operárias e o sonho pela liberdade.

Reds

(EUA, 1981, 200min, colorido). Dirigido e protagonizado por Warren Beatty, o filme se baseia na “Dez dias que abalaram o mundo”, livro-reportagem escrito pelo jornalista e militante socialista norte-americano John Reed, que foi para a Rússia para documentar a Revolução Bolchevique e se envolveu de forma militante no processo. Para saber mais sobre sua vida e trabalho, leia o artigo “John Reed: um jornalismo dedicado à revolução socialista”.

O filme acompanha, num tom que mescla reportagem e épico, a vida do jornalista, seu romance com Louise Bryant, importante ativista na luta em defesa das mulheres, seu envolvimento na fundação do Partido Comunista dos Estados Unidos, os momentos mais importantes da Revolução e a vida efervescente nos “soviets” (conselhos), que organizaram a tomada do poder e cujo funcionamento fascinou o jornalista. “Nunca antes fora criado um corpo político mais sensível e perceptivo à vontade popular. Isto era necessário, pois nos períodos revolucionários a vontade popular muda com grande rapidez.”, escreveu em “Os Sovietes em Ação”, publicado em 1918.

Vale dizer que, no filme, não é dado o mesmo destaque que Reed deu a Leon Trotsky, no livro. Tendo entrevistado pessoalmente o dirigente do Exército Vermelho, o jornalista destaca Trotsky à frente do Comitê Militar Revolucionário, que planeja a insurreição de Outubro, e o acompanha em vários momentos decisivos da tomada do poder e primeiros momentos Revolução.

O filme pode ser encontrado nos “streamings” (canais que disponibilizam vídeos online).

Germinal

Há duas versões. Uma franco-italiana, levada às telas em 1963, por Yves Allégret (2h, colorido), e uma produção ítalo-belga-francesa, de 1993, dirigida por Claude Berri (2:50 horas, colorido).

Ambas baseiam-se no livro escrito por Émile Zola, em 1885, que narra a história de Étienne Lantier que, em 1863, começa a trabalhar em uma mina, depois de ser sido demitido de seu trabalho na ferrovia em função de suas atividades revolucionárias. Apesar de tentar se “acomodar” ao sistema, Lantier logo se rebela novamente contra as péssimas condições de trabalho em contraposição à opulência e fartura da vida burguesa, voltando à militância socialista e organizando uma greve que se enfrenta com uma brutal repressão.

O título é baseado no mês “Germinal” (do calendário adotado pela Revolução Francesa, entre 1792 e o início dos anos 1800), referindo-se ao período em que a terra está fértil para o plantio e a germinação, uma metáfora em relação à classe trabalhadora sintetizada num famoso trecho do livro: “Homens brotavam, um exército negro, vingador, que germinava lentamente nos sulcos da terra, crescendo para as colheitas do século futuro, cuja germinação não tardaria em fazer rebentar a terra.” (p. 527)

Vale lembrar que, para além das muitas polêmicas em torno da obra e posições políticas do autor, um marco da chamada “literatura naturalista”, o texto ecoa, em grande medida, o impacto da Comuna de Paris, de 1871 (com a qual ele se envolveu diretamente) e toda discussão sobre a classe operária, no final do século 19. E ambos os filmes, de diferentes formas, são boas releituras da obra.

Pão e Rosas

(2000, França, Reino Unido, Suiça, Espanha, Alemanha, 1h e 45min, colorido). O filme é mais uma das contribuições imprescindíveis do cineasta britânico Ken Loach, que tem uma obra recheada de trabalhos voltados para as lutas dos trabalhadores, como o excepcional “Terra e Liberdade” (1995), que em plena época em que o discurso neoliberal sobre o “fim das ideologias” corria solto, resgatou a participação do Partido Operário de Unificação Marxista (POUM), um grupo muito criticado por Trotsky, devido aos seus equívocos e vacilações, mas que em muito se distanciou da criminosa atuação do Partido Comunista, na Revolução Espanhola, nos anos 1930, o que, inclusive, resultou num verdadeiro massacre de “poumistas”, em emboscadas e pelotões de fuzilamento organizados pelos stalinistas.

Outros filmes e aspectos da obra do diretor podem ser conhecidos em artigos como “‘Eu, Daniel Blake’” e o convite de Ken Loach para se revoltar”, “À procura de Eric: comédia de Ken Loach retrata mais que o futebol e a classe operária”, “‘Ventos de Liberdade´, por Ken Loach: uma perspectiva de classe para a libertação nacional e “O Romeu e Julieta de Ken Loach”.

Em “Pão e Rosas”, Loach se debruça sobre a história de uma organização sindical de trabalhadores terceirizados do setor de limpeza nos Estados Unidos que, como acontece mundo afora, além de superexplorados e oprimidos (particularmente no caso das muitas mulheres que trabalharam no setor), são “invisibilizados”, algo que, no filme, é mostrado de forma impactante numa cena em que um trabalhador e uma trabalhadora, trabalhando agachados, limpam a entrada de um elevador, sendo quase que pisoteados por um grupo de executivos, que entra sem sequer pedir licença.

Ao acompanhar a trajetória da personagem mexicana Maya, que muda para Los Angeles (Califórnia), onde sua irmã já reside, o filme também é um profundo mergulho na situação dos imigrantes latinos e os “sem-documentos”, ou seja, os tidos como “ilegais”, também discutindo as contradições que caracterizam o trabalho das entidades sindicais no que se refere à organização dos setores mais oprimidos e explorados da classe.

Pride: Orgulho e Esperança

(Reino Unido, 2014). Dirigido pelo britânico Mathew Warchus e baseado em um episódio real, o filme, em tom de comédia, gira em torno de um encontro que, para muitos, pode parecer um tanto inusitado: uma organização ativista de gays, lésbicas e trangêneros e a União Nacional dos Mineiros, durante o vigoroso processo grevista, em 1984, quando a asquerosa “Dama de Ferro” era primeira-ministra e fez o impossível para derrotar os trabalhadores e destruir seus movimentos e entidades.

Num momento em que o movimento LGBTI também atravessava um forte processo de organização, um grupo, de Londres, de ativistas decide arrecadar dinheiro para enviar às famílias dos mineiros. Mas a União Nacional dos Mineiros fica, num primeiro momento, “constrangida” em receber ajuda vinda de gente cuja vida continuava a ser criminalizada no Reino Unido. As LGBTIs (mesmo com oposição interna), contudo, não se deixam abater e encaram o desafio de viajar até o País de Gales para entregar, pessoalmente, as doações para os mineiros que haviam escolhido.

O encontro resulta numa emocionante (e, também, divertida) reflexão sobre a construção das necessárias solidariedade e unidade entre a classe trabalhadora e os/as que lutam contra a LGBTfobia e da indissociabilidade do combate à exploração capitalista e às opressões, com ambos lados aprendendo a como dialogar e se colocar, ombro a ombro, no mesmo “front” pela construção de uma sociedade mais justa, igualitária e libertária.

O filme pode ser encontrado nos “streamings” (canais que disponibilizam vídeos online).