Zé Maria exige a revogação do aumento da tarifa durante audiência pública com Haddad


A CSP-Conlutas participou nesse dia 18 de uma audiência pública sobre transporte com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT). Estiveram presentes o Movimento Passe Livre (MPL), entidades sindicais e do movimento popular, além de artistas, líderes religiosos e empresários. A reunião do conselho, que tem poder meramente consultivo, foi convocada por Haddad no dia 14, um dia depois do protesto que reuniu cerca de 15 mil pessoas na capital paulista e que foi barbaramente reprimido pela polícia.

Mesmo não tendo poder de decisão, a CSP-Conlutas aproveitou o espaço para reforçar a pressão sobre Haddad contra o aumento da passagem do transporte. Zé Maria, representando a central, entregou ao prefeito um documento que exige a imediata revogação do aumento da tarifa do transporte, rumo à tarifa zero, e embasa tecnicamente a possibilidade dessa medida.

Segundo a central, "basta parar de repassar dinheiro para empresas privadas 'sem fins lucrativos' e suspender o pagamento da dívida pública". Em declarações à imprensa, Haddad afirmou que a gratuidade do transporte custaria R$ 6 bilhões. O documento aponta que, só de pagamento de juros e amortizações da dívida pública e a transferência de recursos para as empresas privadas, dariam mais de R$ 6,7 bilhões. Os dados, da própria prefeitura, foram levantados pelo Ilaese (Instituto Latino-Americano de Estudos Sociais e Econômicos).

Zé Maria exigiu ainda uma auditoria nas planilhas das empresas em São Paulo com a participação dos sindicatos e organizações dos movimentos populares e denunciou o aumento das tarifas, bem acima da inflação. "Desde 1996, as tarifas subiram 392%, enquanto a inflação foi de 192% e a passagem ao invés de ser R$ 3,20 deveria ser R$ 1,82. Cada usuário é lesado em R$ 1,32 por passagem", diz o documento.

A CSP-Conlutas denunciou ainda o enorme contingente excluído do transporte público devido à alta tarifa, uma das maiores do mundo em levantamento recente da Folha de S. Paulo. Segundo o próprio metrô 34% das viagens na capital são realizadas a pé ou bicicleta. Já as empresas de ônibus se beneficiam de um repasse bilionário da prefeitura para manterem seus lucros. "A tarifa é tão alta que o custo de 1 ônibus é pago em 101 rodando". Porém, o estudo aponta que a frota média de ônibus tem 5 anos e meio, ou seja, depois de pago, cada ônibus ainda roda mais 5 anos. 

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Documento entregue pela CSP-Conlutas a Haddad