Volkswagen: revolta nas linhas de produção e demissão de dirigentes sindicais de oposição

A postura do sindicato dos Metalúrgicos do ABC e da Volkswagen Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), tem gerado revolta nos trabalhadores nas linhas de produção. Graças à reestruturação produtiva, hoje eles são minoria na planta do ABC. Na quinta-feira, 28, dia seguinte à divulgação do resultado de um plebiscito sobre banco de horas e jornada de trabalho, os trabalhadores da Ala 14, em assembléia coordenada pelo membro da Comissão de Fábrica Ailton, aprovaram uma paralisação de duas horas. Essa votação se repetiu no período da tarde.

A Ala 14 é o maior setor da empresa. É onde está localizada a montagem final dos carros. Ailton faz parte de um setor que rompeu com a Artsindical, direção majoritária do sindicato. A empresa, em represália, demitiu Ailton por justa causa. Em nota, a Volks disse aos trabalhadores da montagem que, caso algum operário protestasse contra a demissão, esse seria também demitido.

Cercado por vários seguranças, Ailton ainda conseguiu realizar assembléias com os trabalhadores do turno da manhã e da tarde para denunciar a atitude da empresa. Tudo foi filmado pelo serviço reservado da Volks.

Este fato não é uma novidade na história recente dos operários da Volks. Foi assim com a demissão de dois diretores sindicais ligados à oposição: em novembro de 2006, Luís, o “Biro-Biro”, e, em fevereiro de 2007, o Rogério “Maquinista”. Isso aconteceu com a conivência do sindicato.

O caso de Ailton revoltou mais ainda os trabalhadores na montagem final. Os membros da Artisindical chegaram a comemorar a atitude da empresa.