Sindicato dos Metalúrgicos do ABC: uma entidade a serviço das montadoras

Foi-se o tempo em que, nesta época do ano, os trabalhadores do país voltavam seus olhos para o ABC paulista. Em época de campanha salarial, os metalúrgicos dessa região, onde está uma grande concentração do melhor da classe operária brasileira, já estariam em greve ou com fortes mobilizações. Porém não é isso que estamos vendo hoje.

Recentemente, as notícias vinculadas aos metalúrgicos do ABC são as da Volkswagen, por exemplo, onde, não satisfeito com a recusa dos trabalhadores em continuar sob o regime de banco de horas e semana de trabalho de 42 horas, o sindicato, junto com a empresa, impôs um plebiscito, em que toda a chefia votou. Votaram, por exemplo, os mensalista, que não trabalham sob estas jornadas. Além disso, ninguém tinha controle sobre o que foi feito com as cédulas dos trabalhadores afastados, em férias ou faltosos no dia da votação.

Nesta campanha salarial, os interesses eleitorais e das montadoras em primeiro lugar
Numa assembléia no domingo passado, 31, o presidente do Sindicato, Sergio Nobre, rasgou-se em elogios à política econômica do governo Lula. Ele disse que os metalúrgicos de todo o país estavam de olho no ABC e que esta campanha salarial era muito importante.

No entanto, metalúrgicos de São José dos Campos, Campinas, Limeira, Curitiba e até de São Caetano do Sul nada viram de exemplar no ABC. Estes centro industriais foram à luta e o ABC ficou para trás, infelizmente. Nesta quarta-feira, completam três dias de greve os metalúrgicos da Volks e da Renault do Paraná e da GM de São José dos Campos. Antes, eles paralisaram por dois dias durante duas horas as linhas de produção. Agora, a paralisação foi total na fábrica.

O mesmo está ocorrendo na Honda, na Toyota e na Mercedes de Campinas. Já na GM de São Caetano, o protesto foi de duas horas nas entradas de turno. Em Taubaté, houve atraso de uma hora.

Em São Bernardo do Campo, o Tribuna Metalúrgica, jornal do sindicato, anunciou protestos na Scania e na Mercedes. Isso, na verdade, não ocorreu. O que houve foi uma simples assembléia na entrada do segundo turno da Mercedes. Isso é assim porque toda a estrutura do sindicato está voltada para a eleição municipal, para a campanha de Luiz Marinho à Prefeitura da cidade.

O novo sindicalismo envelheceu. Que venham as novas gerações de trabalhadores com suas novas ferramentas de luta. A Conlutas é uma delas. Que possamos unificar os trabalhadores nas suas lutas cotidianas para, unidos na luta contra o capital, destruir esta entidade chamada CUT, que hoje cumpre o papel dos antigos pelegos da época da ditadura.