Venezuela: trabalhadores da General Motors revoltados destroem 200 carros

Felix Martinez, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Mitsubishi e da Union Nacional de Trabajadores Sector Carrocero, Autopartistas y Automotriz (UNTSCAA), conta como foi o fato ocorrido em maio. Martinez fala da superexploração dos trabalhadores dCésar Neto – O que aconteceu na GM de Valencia (Venezuela)?
Feliz Martinez
– Os trabalhadores estão negociando o seu Contrato Coletivo para os próximos três anos. Entre as várias reivindicações formuladas pelos trabalhadores, estava um aumento no salário diário em 35 bolivares fortes. A empresa ofereceu apenas 22 bolivares fortes de incrementos diários. Acontece que a inflação na Venezuela está na nas nuvens. Os alimentos subiram 35% nos últimos doze meses. A proposta da GM pareceu uma provocação para os trabalhadores.

E que aconteceu?
O sindicato dos trabalhadores da GM fez uma assembléia e denunciou a provocação da empresa. Os trabalhadores já acumulam uma grande bronca por causa das péssimas condições de trabalho e da infinidade de doenças profissionais.

Como é isso de doenças profissionais?
Qualquer trabalhador, em sua casa, quando quebra o ventilador, fogão ou qualquer outro bem, em geral, ou o trabalhador conserta ou então, vendo o custo do reparo opta por jogar fora e comprar outro novo. Na indústria automotriz é diferente. Quando uma linha de produção está obsoleta, as empresas compram linhas novas e as velhas linhas enviam para países onde os salários são mais baixos, as jornadas são mais longas e a legislação favorece aos empresários. A GM sabe muito bem aproveitar-se dessa situação. Por isso, produz carros no Brasil, por exemplo, e os envia desmontados, os chamados CKD, para Equador, Colômbia e Venezuela, onde o custo de produção é mais barato.

Então essas máquinas velhas são mais lentas…
Nada disso. Eles montam essas verdadeiras sucatas e colocam a linha para rodar com alta velocidade e tirando uma produção parecida com a que se consegue com as máquinas novas. Só que essa condição provoca um montão de doenças do trabalho, como hérnias, doenças músculo-esqueléticas etc. Para dar-te um exemplo, dos 1.800 trabalhadores da Toyota, quase a metade apresenta doenças profissionais irreversíveis.

Então, doenças profissionais e salários baixos mantêm os trabalhadores em estado de mobilização permanente…
É verdade. Doenças profissionais, inflação alta e a GM oferecendo um aumento salarial que não chega a recuperar as perdas salariais. Isso levou a uma explosão dos trabalhadores.

E como foi a ação dos trabalhadores?
Os trabalhadores entraram na fábrica e destruíram 200 carros. Com martelinho de funileiro, golpeavam, furavam o teto dos carros. Com serra tico-tico, cortavam as partes da lataria etc. A empresa sentiu o golpe e resolveu melhorar sua proposta.

Qual são os próximos passos?
Bom, nós da UNTSCAA estamos propondo que quando o Sindicato for entregar o Contrato Coletivo na Inspetoria do Trabalho [a DRT, da Venezuela], façamos uma grande manifestação envolvendo outros sindicatos automotrizes e de autopeças e, ao mesmo tempo, que façamos uma campanha de esclarecimento à população sobre o papel que cumpre essa transnacional imperialista, do mesmo país, Estados Unidos, que tramou o golpe contra o presidente Chávez. Já andamos bastante irritados com essas transnacionais imperialistas e a UNSTCAA está disposta a mobilizar em defesa dos trabalhadores venezuelanos.