Operários da Revap param novamente e consolidam vitória

Agora a patronal aceitou pagar 15 dias dos 31 paralisadosDando continuidade à greve vitoriosa dos operários das obras de expansão e manutenção da Revap, a Comissão de Trabalhadores iniciou as negociações para a compensação dos 27 dias que ainda não haviam sido pagos pela patronal. A comissão é uma continuidade do Comando de Greve eleito pela base e o maior saldo político dessa luta.

No dia 23 de junho, o Comando havia chegado à proposta de pagamento de mais dez dias e desconto ou compensação dos restantes. Porém a patronal apresentou uma “provocação”: subordinar a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) a metas e punir trabalhadores que faltassem ou se mobilizassem novamente.

A indignação foi grande. Na manhã desta terça-feira, 24, com os operários da Ecovap à frente, iniciou-se uma nova paralisação espontânea na refinaria.

A polvorosa foi geral. Houve manifestação e passeata dentro da refinaria, princípio de pânico com a explosão de bombas possivelmente por “provocadores da patronal”, presença da direção de todas empreiteiras e até da direção da Petrobras, ameaças de repressão e demissões e, no final do dia, ameaça de invasão da refinaria pelo Exército.

Corajosamente e com muita determinação, os trabalhadores e o Comando resistiram a tudo dentro da refinaria. Estavam acompanhados e assessorados por membros da Coordenação da Conlutas do Vale do Paraíba, que permaneceram do lado de fora apreensivos e vigilantes.

No final do dia, a patronal da Ecovap recuou novamente. Retirou todas as cláusulas provocativas e aceitou pagar 12 dias. Com os três obtidos na sentença do tribunal, chegaram a 15 dias. Esta conquista se soma aos 10% de reajuste, PLR de R$1.500, 90 dias de estabilidade e reconhecimento da Comissão de Trabalhadores, consolidando a vitória da greve.

Esta empresa representa 35% dos trabalhadores das obras. O próximo passo é estender este acordo para as outras empresas. Hoje, o Comando vai levar o acordo para ser assinado pela direção do sindicato, que é da CUT e nem apareceu no local.

A festa entre os operários é geral. “Assim que acabou a assembléia vários dirigentes do Comando, como o Macumba, Barba e Isaias me ligaram comemorando, dizendo que os trabalhadores estavam festejando e carregando os membros da Comando nas costas”, disse Donizete, membro da Coordenação da Conlutas principal ligação com o Comando.

Agora eles pretendem ampliar a construção de sua organização independente. Um dos passos para isso será a presença no Congresso da Conlutas. Os delegados já foram eleitos, mas muitos trabalhadores querem ir como observadores para conhecer de perto esta entidade que foi um suporte fundamental para sua vitória.

CUT mente
Mais uma mentira que esta sendo difundida pela CUT. A central afirma que a greve dos trabalhadores da Revap foi derrotada por que seriam descontados 27 dos 30 dias de greve e que esta é a mesma proposta que eles haviam apresentando uma semana antes do encerramento da paralisação, no dia 9 de junho. Isso não é verdade.

Neste dia, a CUT defendeu o fim da greve com os descontos de todos os dias parados e a posterior negociação. Uma semana depois, quando encerrou a greve, o Comando e a Conlutas conquistaram o pagamento de todos os dias parados e a posterior negociação de seus descontos ou sua compensação.