Representantes da Conlutas visitam a GM na Colômbia

Em vista a Bogotá, representantes da Conlutas conheceram a realidade dos metalúrgicos da General MotorsRepresentantes da Conlutas estiveram com trabalhadores da montadora General Motors em Bogotá, na Colômbia. A visita foi levar solidariedade de classe aos trabalhadores de lá. Assim como foi buscar solidariedade para a luta que os trabalhadores da multinacional estão enfrentando na unidade de São José dos Campos (SP).

O que foi observado é que o grau de exploração e de precarização do trabalho naquele país está em estágio muito mais avançado do que o vivido no Brasil.

Em 1990, a GM começou um plano de reestruturação produtiva. Passados quase 20 anos, a planta de Bogotá tem 1.600 trabalhadores. Destes, exatamente 1.050 são contratados por tempo determinado, que varia de quatro meses a um ano.

A filiação sindical é fortemente proibida. Quando algum trabalhador tenta se organizar, pode ser mandado embora e não ser recontratado. Sem contar que não existe nenhum tipo de proteção social. Para se ter uma idéia, quando um trabalhador é demitido não existe indenização. O absurdo é tamanho que há trabalhadores que estão nessas condições há 15 anos.

Dos 1.600 operários, pelo menos 250 são funcionários diretos da GM. No entanto, 232 assinam contrato individual com a montadora. Contraditoriamente, o acordo é chamado de contrato coletivo, pois os trabalhadores não são sócios do sindicato. Apenas 118 operários são associados ao sindicato, pois não aceitaram, na época, mudar de sistema laboral. Mas, na medida em que forem se aposentando, o sindicato irá acabar.

Para piorar a situação, as fábricas de autopeças têm suas tendas de fornecimento dentro da planta da GM. Obviamente, os salários desses trabalhadores são menores do que os dos demais. Existem, ainda, mais ou menos 300 operários que se reúnem em cooperativas, que podem ser formadas por, no mínimo, dez trabalhadores. No entanto, mesmo numa cooperativa, eles não têm garantia nenhuma. Existe uma siderúrgica, em Bogotá, na qual os 300 trabalhadores são de cooperativas.

Na GM, há 50 estagiários. Eles não recebem nenhum centavo e são obrigados pagar, inclusive, o uniforme. Embora a montadora lhes prometa a contratação, eles são substituídos entre quatro e cinco meses.