Valério Arcary fala para mais de mil pessoas em atividade do PSTU

Palestra realizada no Conat discute reforma ou revolução`Cromafoto`Na noite desta sexta-feira, o PSTU realizou no Conat uma palestra sobre “Reforma e Revolução”, com a presença do historiador Valério Arcary, militante do partido. A atividade contou com mais de mil ativistas.

Arcary iniciou sua exposição falando sobre a excepcionalidade histórica da situação política do país, afirmando que “não é muito comum na História de um povo quando se abre uma oportunidade como essa, de reorganização do movimento operário brasileiro”. Lembrou que oportunidades similares ocorreram no final dos anos 70, início dos 80, quando foram construídas direções alternativas contra os sindicatos pelegos controlados pela ditadura.

Contudo, ponderou que aquela geração de novos ativistas sindicais atuou nos limites da institucionalidade burguesa, após a derrubada da ditadura. Na opinião de Arcary, novas formas de lutas devem se sobrepor ao programa reformista do PT, que aponte na via da superação do capitalismo. “Não há saída para os problemas do Brasil no capitalismo. A disjuntiva é: ou civilização, ou colônia”.

Para ele, as burguesias latino-americanas aceitaram o estatuto de colônia, cumprindo a função de sócios menores do imperialismo norte-americano, “razão pela qual” – segundo Valério – “implementam reformas na Previdência, para favorecer os fundo de pensão privados, que pagam as dívidas em dia e fazem superávit primários recordes”.

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Polemizou com o PT que por anos pediu “paciência” aos trabalhadores até que Lula torna-se presidente da República. “Foi isso que fizeram enquanto o desemprego assolava as grandes cidades, quando explodia a criminalidade, quando o Brasil tornava-se um país irreconhecível neste início de século”, declarou.

Valério opina que depois das traições do PT, e da revolta de amplas parcelas das massas contra o governo, “não é apenas o capitalismo que está sendo julgado pela História, a direção do PT e da CUT também estão sendo julgadas”. Denunciou que o PT, quando chegou ao governo, em nada melhorou a vida dos trabalhadores: “eles não conseguiram convencer nenhum burguês a fazer a mínima concessão para as massas. Por outro lado, a vida dos burocratas cutistas melhorou muito, porque passaram a engordar enormemente seus salários com cargos e jetons”.

Superação do reformismo e a luta pelo poder operário e popular
A conclusão de Valério é que a adoção de um programa que propunha a reforma do sistema capitalista levou o PT a se adaptar ao regime. Por isso, em sua opinião, é preciso superar tal programa. “Qual é a saída então?”, pergunta o palestrante, que responde: “A saída é o socialismo. Isso significa o fim da propriedade privada dos meios de produção, significa a expropriação dos bancos, dos latifúndios e das grandes corporações”. Para ele, qualquer processo revolucionário que não avance nesse sentido prepara o terreno da contra-revolução. “O imperialismo tentou golpear Chávez e não conseguiu, foi impedido pelas massas venezuelanas. Tentará da mesma forma golpear Evo Morales. Ou se impede isso, avançando na expropriação, que é muito superior a nacionalização, ou avança a contra-revolução”.

O significado da democracia burguesa também não passou em branco na palestra. Para Valério a luta contra o regime democrático burguês não pode ser confundida com as liberdades democráticas. “Eles (a burguesia) controlam tudo, controlam o Executivo, o Parlamento, a Justiça, a TV e tudo mais. O povo só é chamado para votar a cada dois anos, enquanto eles fazem leis contra o povo toda semana”. Para ele, a saída é a luta pelo poder operário e popular, “criar novos organismos de poder, como fizeram as massas na revolução argentina. Só o poder popular pode derrubar a república do capital”, disse.

Frente Classista

No final de sua exposição, Valério falou sobre a campanha pela construção de uma frente de esquerda entre PSTU, PCB e PSOL.

Defendeu a necessidade da frente e disse que enxerga a sua construção como uma oportunidade para a educação das massas. “Não acreditamos na mudança pela via morta das eleições, queremos uma campanha política de educação das massas que explique quem são os inimigos, que as eleições não mudam nada, que o capitalismo é o responsável pelos males da humanidade e que faça uma campanha pelo socialismo”, declarou.

Ponderou, contudo, sobre a forma antidemocrática que a direção do PSOL impõe à construção da frente. Nas últimas semanas o partido lançou várias candidaturas a governos estaduais sem consultar os partidos aliados. Mais recentemente, lançou o intelectual César Benjamin (PSOL) com vice de Heloísa Helena.

“Nós do PSTU achamos que o perfil da frente deve se diferente. Por isso, propomos Zé Maria como vice. Lutaremos até o fim pra que seja o candidato a vice. Se não aceitarem, nós não iremos romper com a frente. Mas não aceitamos flexibilizações no programa, não aceitaremos tergiversões com os princípios”, concluiu.