Valério Arcary e as quatro lições mais recentes da História

Militante do PSTU e autor do livro ‘As esquinas perigosas da História, Valério Arcary´, foi o último orador a falar e empolgou o plenário no final desta tarde de sexta-feira. Valério dividiu sua fala em quatro pontos, chamados por ele de quatro “grandes lições desses cinco primeiros anos do século XXI”.

`ValérioSegundo ele, a primeira lição tem a ver com a farsa disseminada pela burguesia do triunfo do capitalismo. “Nada como um dia depois do outro, para vermos e aprendermos com as lições da história e com as lutas dos povos. O século iniciou como se fosse um século de vitória final do capitalismo. Todos afirmavam que o socialismo estava sepultado, mas o capitalismo só pode existir com uma grande ofensiva reacionária sobre os povos e sobre os trabalhadores. Essa ofensiva, entretanto, desperta a contra ofensiva das massas e provoca as revoluções por todo o mundo”. Como exemplo Valério citou o Iraque: “Olhem para lá, quando Bush invadiu o Iraque não nem sonhava com atoleiro em que se meteu” – e completou – “a resposta que Bush está recebendo no Iraque é a resposta que ele deve receber em todo o continente”.

Para ele a preservação da ordem imperialista tem significado mais guerra, desnacionalização e destacou: “a ordem do capitalismo se mantém, mas o custo dessa manutenção é cada vez mais prejudicial para humanidade”.

A segunda lição é sobre as recentes revoluções na América Latina, como na Argentina, Bolívia e Equador. Falando sobre os presidentes derrubados pela ação das massas nesses países, Valério declarou: “Os sócios do imperialismo viram o que era a força das massas em luta, mas se é verdade que uma vaga revolucionária derrubou governos, também é verdade que é preciso buscar saídas”. Para ele as massas insurretas não foram capazes de construir seu organismos de ação direta e não foram capazes de colocar a questão do poder. Valério rechaçou saídas por dentro do regime do capital, apresentadas por governos como os de Evo Morales e Hugo Chávez: “Não há condição de construir soluções desenvolvimentistas nos marcos no capitalismo para a necessidade dos pobres, não há como construir essa saída, nem nos Andes nem em Caracas”.

Valério falou sobre a experiência das massas com a democracia dos ricos, dizendo que essa é a terceira lição que as massas devem extrair. Destacou, em particular, a experiência dos trabalhadores brasileiros com a democracia burguesa: “Nos últimos 20 anos, Lula o PT e a CUT disseram aos trabalhadores: ‘aceitem os limites da ordem, cumpram as regras dos jogos. Um dia venceremos as eleições. Não há necessidades de confrontos´. A classe confiou e esperou. Em 2002 Lula venceu as eleições. E o que viram os trabalhadores? Viram o governo Lula enviar tropas ao Haiti e destruir os direitos que FHC não conseguiu destruir”.

Valério fez questão de ressaltar que o PT herdou inclusive a corrupção típica da burguesia: “O que os trabalhadores viram foi a promiscuidade de dirigentes do PT em aceitar o dinheiro de empresários pra comprar mansões no litoral norte de São Paulo. Viram eles se reunirem com a burguesia em bordéis”.

Por fim, Valério citou a quarta lição: a necessidade de se forjar instrumentos de lutas para a superação do capitalismo. “Nós aprendemos que é preciso avançar na reorganização dos trabalhadores, essa é a última lição que devemos tirar destes últimos anos”. Para ele, a governista CUT é um entrave das lutas que deve ser superado. “A CUT é uma penitenciária dos sindicatos, uma prisão daqueles que querem lutar pelos seus direitos”. Ele defendeu a construção do novo, de uma nova organização para dirigir a ação dos trabalhadores e que supere a CUT.

Valério ainda chamou aqueles que ainda estão em dúvida sobre a construção do novo, de uma alternativa, e que por isso seguem dentro da central governista. “Dirigentes da esquerda cutista não podem continuar assim. Ou assumem compromissos com os trabalhadores, ou honram os compromissos com o governo. Não há meio termo. Derrubem as muralhas da CUT, os sindicatos não foram construídos para defender o Ministério do Trabalho, mas pra defender aqueles que vivem do trabalho”.

Ele também respondeu os sindicalistas que levantam dúvidas em construir uma alternativa e acreditam que a construção de uma nova entidade é uma postura sectária. “Há companheiros que dizem que construir uma nova central só é possível depois de uma grande onda de lutas. Mas a construção de uma organização é a alavanca para essa onda de lutas”. Ele concluiu dizendo que é preciso preparar um ponto de apoio e lutar contra as reformas neoliberais: “chamamos aqueles que ficaram na metade do caminho, a que dêem um passo em frente e unam-se a nós”.

Hoje à noite, Valério fará uma palestra organizada pelo PSTU, com o tema Reforma ou Revolução, para os participantes do Conat.

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