A catástrofe sanitária em Manaus é um crime, um genocídio perpetrado pelos governos. Em qualquer outro lugar do outro mundo, levaria autoridades à cadeia. Porém também é uma amostra do que está por vir. Infelizmente, Manaus não é exceção. Manaus é o curso da COVID-19 sem controle, responsabilidade de um governo genocida que sempre negou e mentiu sobre a gravidade da pandemia que matou 220 mil brasileiros. Um governo que é contra as medidas de isolamento para impedir o morticínio, que lança dúvidas até no uso de máscaras e tem um presidente genocida que faz campanha contra a vacinação.

A política genocida de Bolsonaro e dos governos estaduais cúmplices, como o de Wilson Lima (PSC) no Amazonas, levou a uma crise humanitária que pode estender-se a todo o país. A sobrecarga dos leitos de UTIs em Manaus já vinha ocorrendo de forma acelerada, e o governo Bolsonaro sabia que faltaria oxigênio para os pacientes internados. Foi avisado em 8 de janeiro, oito dias antes de vários hospitais do município entrarem em colapso por falta de estoque do material.

O governo fez? Mandou o ministro-general Pazuello dias antes a Manaus para enfiar cloroquina na população, mesmo sabendo que não tem eficácia comprovada nenhuma. Enquanto Manaus colapsava, o governo Bolsonaro se posicionava na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a quebra das patentes das vacinas desenvolvidas pelas grandes corporações farmacêuticas, seguindo as orientações do imperialismo dos Estados Unidos (ver página 9).

A necessidade de consumo diário de oxigênio em Manaus ultrapassou 70 mil metros cúbicos diários. Isso poderia ser fornecido pela fábrica de fertilizantes nitrogenados da Petrobras no Paraná, que produzia cerca de 360 mil metros cúbicos de oxigênio por dia. O problema é que a fábrica foi fechada há um ano pela atual gestão da Petrobras.

Recentemente, o Ministério da Saúde confirmou que recusou ofertas de vacinas da Pfizer. Seriam 70 milhões de doses oferecidas entre agosto e setembro de 2020. Enquanto isso, Pazuello, de forma cínica, dizia à imprensa que a vacinação iniciaria “no dia D, na hora H”. Num lance tragicômico, o governo chegou a preparar um avião para ir à Índia buscar 2 milhões da vacina da Oxford/AstraZeneca, mas o governo indiano negou a liberação das doses naquele momento. De qualquer forma, representaria uma quantidade ínfima frente às necessidades do país. Bolsonaro só queria uma foto para os jornais em sua disputa eleitoreira mesquinha com João Doria.

O resultado desse negacionismo vimos agora: leitos de UTI se transformando em câmaras de asfixia. Essa é a política de Bolsonaro, Mourão, Pazuello e Guedes – responsáveis pelo crime humanitário de Manaus que logo acontecerá em todo o Brasil, com pacientes morrendo sufocados dentro dos hospitais, caso esses genocidas não sejam derrubados.

Não há previsão para vacinação em massa. A população já está percebendo que não tem vacina, não tem seringas e agulhas nem auxílio emergencial. Por isso cresce a indignação que faz a popularidade de Bolsonaro despencar. Para deter a catástrofe humanitária, é preciso remover esse governo genocida, que é um entrave para a vacina.

Pazuello está sendo investigado pela catástrofe em Manaus, mas o general não é o único genocida desse governo. Mais do que nunca, é preciso intensificar a campanha pelo Fora Bolsonaro, Mourão e Pazuello! Vacina para todos já!

 

PROTESTOS

Carreatas contra Bolsonaro genocida e em defesa da vacina tomam conta do país

No dia 23 de janeiro, movimentos sociais, partidos e organizações da classe trabalhadora promoveram carreatas que atingiram quase todas as regiões do país. Das capitais às cidades do interior, as ruas e avenidas foram tomadas por carros, motos e bicicletas que denunciaram o genocídio em marcha perpetrado por um governo de milicianos e seus cúmplices nos estados e municípios. Foi uma contundente demonstração da indignação e da revolta que fervilham diante dos descalabros e dos sucessivos crimes praticados pelo governo.

No dia 25 de janeiro, ocorreu uma plenária nacional virtual das organizações populares pela vacinação já, pelo auxílio emergencial, por emprego e pelo “Fora Bolsonaro!”. Participaram 480 representantes de entidades políticas, religiosas, sindicais, populares e de juventude, que discutiram as próximas ações. Entre as atividades aprovadas, estão a realização de novas carreatas em todo o país no próximo dia 31; um ato político de entrega do pedido de impeachment (entre os dias 1º a 5 de fevereiro); um dia nacional de solidariedade e dia de luta pelo auxílio emergencial (6 de fevereiro) e uma nova carreata nacional pelo Fora Bolsonaro (21 de fevereiro).

Plenária online reuniu partidos, movimentos, juristas e organizações diversas