Uma lei racista no coração do império

Entrou em vigor no dia 29 de julho a lei anti-imigração (Lei SB 1070), que criminaliza a presença de imigrantes no Estado do Arizona, Estados Unidos. A lei coloca na mira da polícia os 400 mil trabalhadores sem documentação que estão em trabalhos precários no Arizona, que faz fronteira com o México. A lei foi promulgada pela governadora do Estado, Jan Brewer, uma lamentável figura direitista que procura com isso sair da crise de popularidade de seu governo.

A Justiça Federal do país, porém, suspendeu temporariamente alguns trechos draconianos da lei. No entanto, a iniciativa, de nenhuma maneira, tornou a lei menos racista ou preconceituosa. Estão suspensos dispositivos que obrigam a polícia a interrogar aqueles que apresentam “uma suspeita razoável” de serem imigrantes sem documentos, ou seja, em situação ilegal.

A aplicação deste ponto já é em si mesmo um absurdo. Ninguém estaria livre de uma perseguição implacável das autoridades. Qualquer estrangeiro residente, mesmo os legais, seriam confundidos e interrogados.

Outro dispositivo que não está vigorando é o que concede permissão aos agentes de segurança para deter um indivíduo sob suspeita de não ter documento ou requerer que tenha consigo documentação que o identifique como imigrante.

Por outro lado, a lei mantém o dispositivo que orienta a polícia a questionar a situação migratória de uma pessoa considerada “suspeita” e que for pega durante qualquer tipo de controle policial, como uma batida de trânsito. Também prevê punições para quem contratar ou transportar imigrantes ilegais.

Sob ameaça de serem considerados bandidos, muitos imigrantes fugiram do Arizona. “Todo mundo está vendendo o pouco que tem e indo embora” , afirma Villasenor, 31, imigrante ilegal, que pretende partir para o Estado da Pensilvânia. E é esse mesmo o objetivo dos governantes que estimam em 100 mil o número de imigrantes ilegais a deixaram o estado depois da aplicação de uma lei que obriga as empresas a confirmarem o status migratório de seus trabalhadores.

Embora o presidente norte-americano Barack Obama tenha declarado ser contrário à lei, a política de seu governo não difere muito de George W. Bush sobre a questão da imigração. Em muitos aspectos é até pior.

Segundo estimativa do próprio governo, 400 mil imigrantes ilegais devem ser forçados a deixar EUA neste ano. Esse número é 10% maior do que em 2008, ainda sob o governo Bush. A preocupação dos democratas é tentar capturar votos do eleitorado conservador do país para as próximas eleições legislativas.

Assim, a burguesia norte-americana explora a barata mão de obra de milhares de imigrantes, enquanto, ao mesmo tempo, jogam a responsabilidade da falta de empregos e da crise no país sobre suas costas.