Um haitiano no morro da Providência

O sindicalista Didier Dominique visita o Rio, participa de ato pela retiradas das tropas do Haiti e conversa com as mães dos jovens
mortos do Morro da Providência

Didier Dominique, dirigente do Batay Ovriye (Batalha Operária), em visita ao Rio de Janeiro, participou de várias atividades convocadas pela Conlutas e pelas entidades Jubileu Sul, IDDH, CMP, MST e Rede Contra a Violência.

A jornada começou na audiência da Comissão de Relações Internacionais da OAB, em Brasília, no dia 23 de julho, onde o sindicalista denunciou a situação do Haiti, a exploração de seu povo e a violência por parte da Minustah (as tropas de ocupação da ONU lideradas pelo Brasil). No evento, foi assinado um documento para acompanhar a situação haitiana que será enviado à OAB com o objetivo de denunciar toda violência contra o povo haitiano.

A visita ao Rio começou na manhã do dia 24. A convite do GT de Negros e Negras da Conlutas, o sindicalista foi visitar a ocupação Zumbi dos Palmares. Em seguida, a convite do Jubileu e da CMP, Didier visitou a ocupação Chiquinha Gonzaga. Em Zumbi dos Palmares, ele conheceu moradores, ativistas e visitou todo o prédio, com direito a uma parada na sacada do último andar para conhecer um pouco mais da história do centro do Rio, como a Pedra do Sal, antigo local de venda de escravos.

Visita às mães da Providência
A visita ao Morro da Providência foi sem dúvida a mais marcante. Após ouvir as mães que tiveram seus filhos assassinados por soldados do Exército, Didier entregou um documento do Batay Ouvriye se solidarizando com elas e com os trabalhadores do local. O depoimento das mães emocionou a todos. Não só pelo sofrimento, mas também pela força e clareza dos fatos. A reportagem do Opinião ouviu Lílian, mãe de Wellington, e Benedita, avó de David. Também ouvimos Jandira, cujo nome verdadeiro não dizemos por razões de segurança. Ela tentou retirar os meninos das mãos do Exército e é uma das testemunhas do caso.

Elas relatam a brutalidade do Exército não somente naquele dia, mas o terror que causavam diariamente, com disparos e provocações cotidianas. “Depois do que fizeram, eles voltaram e continuaram a zombar de nós, eles tinham a força (armas pesadas) e nós só tínhamos nossa coragem e caixotes de comida”, disse Jandira.

Ao ouvir o relato do Didier, entre um soluço e outro, a mãe de Wellington se perguntava que tipo de gente pôde tirar a vida de jovens daquela forma. Ela lembrou a visita anterior feita por companheiros de várias entidades e ativistas sociais, como o Instituto de Defesa dos Direitos Humanos (IDDH) e Cyro Garcia, do PSTU.

Apesar da dor e do sofrimento, a população da Providência se levantou contra a ocupação do Exército e o colocou para fora do morro. No final, uma delas declarou emocionada: “nossa comunidade toma pé, por nós, na solidariedade ao povo do Haiti”.

Post author Tarsila Andrade, do Rio de Janeiro (RJ)
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