Um gigantesco ‘não´ ao governo Bush

Mais do que uma eleição presidencial, os votos do dia 4 de novembro tiveram o significado de um plebiscitoA vitória de Obama só pode ser explicada a partir da derrota de toda a política do governo Bush. Em filas de espera de até quatro horas, mais de cem milhões de pessoas aguardavam para dizer “não” ao presidente George W. Bush.

O governo de Bush levará para a história o sangue de genocídios e torturas. Seu governo será lembrado pela maior crise da economia capitalista desde 1929. Bush foi eleito presidente dos EUA em 2000, num processo fraudado, num cenário de profundo questionamento da globalização capitalista e dos planos neoliberais.

Em 2000 e 2001, o capitalismo produziu uma nova crise econômica. Nos países imperialistas, surgiu um movimento antiglobalização que, posteriormente, foi capaz de organizar uma mobilização internacional contra a guerra do Iraque.

A crise fez da América Latina um palco de levantes e revoluções, como no Equador, na Bolívia e na Argentina. Governos abertamente neoliberais foram derrubados ou substituídos eleitoralmente. Como expressão distorcida deste processo, uma onda de governos supostamente de esquerda varreu o continente.

Pacote militar
O auge do neoliberalismo dos anos 1990 tinha ficado claramente para trás. Seu declínio apenas começava. Bush assumiu com o plano agressivo de tentar retornar à situação reacionária da década de 1990 e impedir o ascenso do movimento de massas. Os atentados de 11 de setembro de 2001 foram a desculpa para o presidente americano lançar sua doutrina reacionária de Guerra ao Terror e lançar uma ofensiva genocida militar no Afeganistão e no Iraque.

O objetivo da guerra era roubar o petróleo iraquiano, mas ela também foi usada como remédio temporário para a crise econômica, aumentando a produção de armamentos. O enorme aparato militar consumiu bilhões dos cofres públicos. O resultado imediato foi o espetacular aumento do déficit fiscal e da desigualdade social.

Bush ainda lançou novas ofensivas para a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) e tratados bilaterais de livre comércio, os TLCs. Também tentou ampliar o número de bases militares do imperialismo no continente. Mas nem tudo saiu como o planejado.

Bush prometia uma vitória rápida no Iraque. Imaginava um governo fantoche para que as empresas norte-americanas retirassem o petróleo. No entanto, mesmo enviando mais soldados e torrando US$12 bilhões por mês, a resistência do povo iraquiano derrotou este plano. A ocupação se transformou num pântano que encurralou as tropas invasoras. A guerra se tornou extremamente impopular dentro e fora dos EUA. A situação é crítica para o imperialismo e dificilmente será resolvida a curto prazo.

As guerras de Bush despertaram uma profunda consciência antiimperialista em todo o mundo. Bush é uma figura odiada no mundo todo. Quando visita algum país é recebido com pedras. Os governos do imperialismo europeu deixaram de respaldar publicamente as ações do governo norte-americano. Os que seguiram inteiramente com Bush amargaram profundas derrotas eleitorais.

Na América Latina, o plano da Alca foi derrotado. Os governos que insistiram em TLCs tiveram de se enfrentar com os trabalhadores e acumularam um profundo desgaste.

O fracasso de Bush se refletiu no plano interno. Bilhões eram retirados dos serviços públicos e destinados à guerra – o que ficou explícito no descaso com as vítimas do furacão Katrina. Somam-se, ainda, os inúmeros escândalos de corrupção; a mentira das armas de destruição em massa no Iraque; as torturas a supostos terroristas; as grandes mobilizações dos trabalhadores imigrantes, a precariedade do sistema de saúde e, finalmente, a explosão de uma nova crise econômica que está levando a economia norte-americana à recessão.

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