As esperanças e as ilusões em Obama

A campanha de Obama entusiasmou milhões que desconfiavam da política feita pelos dois grandes partidos dos EUANo imaginário da população, Obama é o oposto de Bush. O democrata oferecia uma nova imagem, de um homem negro e jovem com um discurso conciliador, supostamente sensível às necessidades de um povo abandonado por seus governantes. Nas primárias do Partido Democrata, Obama venceu a extraordinária máquina dos Clinton, que representavam o mais do mesmo.

A imagem de Obama não era vinculada aos tradicionais políticos corruptos de Washington. Por isso, sua campanha tornou-se um formidável instrumento para recuperar o prestígio do desgastado e corrupto regime bipartidário norte-americano. Sua campanha capitalizou o voto da população negra, dos latinos e da juventude, que antes não expressavam interesse pela política nacional.

Mais do que invocar clichês ianques, em seu discurso de vitória, Obama fez questão de afirmar a força da democracia burguesia norte-americana, dizendo que ao chegar à presidência era uma mostra de que sua América é um país onde tudo é possível, onde as oportunidades não têm limites.

Opção da burguesia
Contudo, Obama esqueceu de agregar que isso só foi possível graças aos milhões de dólares investidos pela burguesia em sua campanha. Ele realizou a campanha mais cara da história dos EUA. Recebeu o apoio de grandes multinacionais, dos principais bancos financeiros e dos setores mais dinâmicos da burguesia, como os de tecnologia e de comunicação.

Obama foi uma opção da burguesia mais poderosa do planeta. Algo que se vê no financiamento da sua campanha. Enquanto John McCain coletou US$360 milhões, Barack Obama arrecadou US$639 milhões.

O sistema político norte-americano baseia-se na existência de dois grandes partidos, Republicano e Democrata. É certo que os partidos possuem diferenças, mas ambos servem para manter o regime de dominação imperialista.

Os republicanos costumam ser lembrados por suas políticas reacionárias, mas os governos democratas também têm um histórico sujo de agressões. John Kennedy, por exemplo, ordenou a agressão contra a revolução cubana, em 1962, na invasão à Baía dos Porcos. Lindon Jonhson aprofundou o envolvimento dos EUA na guerra do Vietnã. E Harry Truman lançou as bombas atômicas contra o Japão.

É lógico que Obama dá um novo rosto ao regime e desperta ilusões. Mas a opção da burguesia por um presidente negro é justamente uma medida preventiva contra um dos potenciais efeitos da recessão econômica: a temida explosão do barril de pólvora que está se armando nos EUA.

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