Tem início o terceiro Congresso Nacional da CSP-Conlutas

O clima de animação era perceptível entre as centenas de delegados que tomavam o plenário deste primeiro dia do terceiro Congresso Nacional da CSP-Conlutas, em Sumaré (SP). Muitas delegações enfrentaram dias na estrada, mas isso não foi suficiente para tirar a empolgação das caravanas de operários, de ativistas do movimento popular, estudantes etc., que mesmo nas inscrições se animavam com tambor de criola e palavras de ordem.

O grupo Gíria Vermelha deu o pontapé inicial, levantando o plenário ao som de hip hop militante. Após uma rápida saudação de representantes da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, e um vídeo resumindo os onze anos da construção de uma alternativa independente e de luta para a classe trabalhadora, organizações sindicais e políticas vieram dar a sua mensagem ao congresso.

As saudações anteciparam um pouco os debates que devem se desenrolar nos próximos dias. No marco da luta contra as reformas e o governo, diferentes visões se desenham sobre a conjuntura atual, e são expressas no congresso. Para setores como o PSOL, os recentes ataques são expressão de um golpe contra o então governo Dilma.

Acreditamos que houve um golpe, o que propiciou as condições para que as elites revejam as bases da Constituição de 1988“, afirmou o presidente nacional do PSOL, Luís Araújo. Para ele, outra expressão da atual conjuntura é o avanço da extrema-direita, que “ataca o direito de expressão, se colocando como alternativa à presidência e até um certo assanhamento dos quarteis“. Para ele, os desafios colocados à esquerda é resistir aos ataques, enfrentar o avanço da extrema-direita e construir um programa que não repita os erros dos governos de colaboração de classes.

Já para Zé Maria, que representou o PSTU neste início de Congresso, os ataques refletem a crise econômica, social e política, que “provoca isso que estamos vendo: reforma trabalhista, retirada de direitos, essa rapinagem sem limites que os bancos e as grandes multinacionais executam em nosso país, como vemos com o pagamento da dívida e as privatizações, e a precarização cada vez maior do trabalho e das nossas condições de vida“.

Mas para Zé Maria, “isso tudo não foi fruto de um golpe que teria levado o governo do PT, golpe foi o sofremos nós, trabalhadores”, afirmou. “Isso é o capitalismo nu e cru“, afirmou o dirigente, explicando que os ataques é a forma com que a burguesia resolve suas crises no marco do capitalismo.

 

 

Ao mesmo tempo em que conclama a necessidade de uma nova Greve Geral para “colocar todos ele para fora”, sendo o próximo dia 10 de novembro um passo importante neste sentido, Zé Maria lembra que isso só não basta. “O desafio colocado a cada um de nós, não apenas às organizações políticas, mas todas as organizações da classe trabalhadora, é a luta pelo fim da exploração e de toda forma de opressão“, defendeu.

Nunca foi tão atual as lições daquele processo da Revolução Russa. Não vamos acabar com a exploração, a opressão e a violência que se abate contra a nossa juventude sem acabar com o capitalismo“, disse ainda. Os 100 anos da Revolução Russa serão tema de um painel na manhã de sábado.

Unidade na luta
Entre as diferentes falas de visões políticas distintas, como o PCB, a Intersindical, a Pastoral Operária e a CGTB, a necessidade da unidade para enfrentar os ataques do governo se destacou, e ao mesmo tempo impedir que se repita o que ocorreu no dia 30 de junho, quando as direções das grandes centrais sindicais como a CUT e a Força Sindical recuaram da Greve Geral.

Certamente teríamos ganhado a batalha da reforma trabalhista não fosse a capitulação de certos setores sindicais, que preferiram vender os direitos em troca do imposto sindical“, afirmou Ubiraci Dantas Oliveira, presidente da CGTB. “O dia 10 de novembro será um dia histórico, porque não vamos permitir traição e vamos garantir uma greve geral“, disse ainda.

O papel que a central cumpriu até agora, assim como os desafios colocados para o futuro da CSP-Conlutas foram temas também tocados pelos convidados para as saudações deste início de Congresso, e que serão aprofundadas no decorrer dos debates.