Seis meses de governo Dilma. Nada a comemorar, a não ser as lutas

O governo Dilma está completando seis meses. Dois fatos saltam à vista, importantes e contraditórios. Por um lado, uma série de greves e crises maior que durante todo o segundo mandato de Lula. De outro, a manutenção dos mesmos índices de popularidade de Dilma. De um ângulo, uma dinâmica importante de lutas. De outro, a grande capacidade de enganação que o governo do PT segue tendo, mesmo com Dilma e não com Lula.

Brasil é parte da situação internacional
O mundo acumula hoje elementos cada vez maiores de instabilidade e polarização, com as lutas do proletariado europeu e a revolução árabe em curso. As bases econômicas dessa instabilidade estão na crise aberta em 2007, que segue até hoje. A dinâmica dessa crise econômica, por outro lado, está estreitamente ligada à evolução da luta de classes.

As grandes empresas estão desenvolvendo um ataque brutal aos salários e conquistas do proletariado nos países imperialistas. O objetivo não é simplesmente repassar os custos da crise para os trabalhadores, mas determinar um novo nível de exploração que possibilite uma retomada do ascenso da economia imperialista. Os reflexos são brutais, com a juventude europeia enfrentando um desemprego de 40 a 50% em alguns países, índices semelhantes aos das crises em países semicoloniais. Isso pode levar a uma desestabilização das bases econômicas da democracia burguesa na Europa: a expectativa de ascensão social de seu proletariado, ou pelo menos a certeza de manutenção de suas conquistas. Hoje isso está sendo claramente questionado. A juventude não tem possibilidades de manter o padrão de vida de seus pais.
Essa é a mesma base, com características muito mais agravadas, da revolução árabe. Não por acaso, foi a juventude sem perspectivas que esteve na linha de frente das mobilizações antiditatoriais.

O resultado das lutas em curso influenciará fortemente a economia. Já existe uma desaceleração no crescimento dos EUA (1,8% no primeiro trimestre, contra 3,1% no último de 2010), recessão no Japão e estagnação na Europa (0,8% no primeiro trimestre), enquanto a China ainda segue com forte crescimento (9,7% no primeiro trimestre).

O Brasil continua sendo uma aposta do imperialismo na divisão mundial do trabalho, recebendo altos índices de investimentos diretos, cerca de 55 bilhões de dólares neste ano. O forte crescimento chinês mantém condições econômicas semelhantes às existentes durante os governos de Lula.

Mas as contradições começam a se acumular. O superávit comercial caiu e o déficit em conta corrente subiu (devendo alcançar um recorde de 67 bilhões de dólares em 2011).
O PIB brasileiro segue crescendo, mas começou a desacelerar. No primeiro trimestre aumentou 1,3% em relação ao último de 2010. Em abril houve uma redução do PIB de 2,1% em relação a março. A previsão é de crescimento de 4,5% em 2011, ainda bastante forte, mas bem menor que os 7,5% de 2010.

Os reflexos da situação econômica e política internacional começam a se verificar no Brasil. Por um lado, uma disposição do governo Dilma de atacar os trabalhadores, com uma postura dura em relação ao funcionalismo e o esboço de uma nova reforma da Previdência e trabalhista. Por outro, um importante movimento político na vanguarda pelos exemplos de luta na Europa e no mundo árabe.
Post author Eduardo Almeida, da redação
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