A insatisfação cresce junto com a economia

O crescimento econômico no Brasil vem acompanhado de uma forte exploração nos salários, ritmos de trabalho e condições de vida. Isso favorece a existência de lutas, porque diminui a preocupação dos trabalhadores em relação ao emprego.

Os salários são baixos, reduzidos cada vez mais pela volta da inflação que atinge alimentos, combustíveis, aluguéis e tarifas. Além disso, existe um endividamento crescente dos trabalhadores, que aumentou de 6% para 15% do PIB nos dois governos Lula. Essa foi uma das fontes da incorporação ao mercado dos setores mais pobres dos trabalhadores. Agora está se transformando em um elemento de crise pelo grau do endividamento deles.

Para piorar, existe um caos crescente nos serviços públicos (educação, saúde e transporte), cada vez mais afetados pelas opções da política econômica do governo.
O resultado é uma insatisfação importante, espalhada, mas que pode ser sentida por todo lado. Essa é a base para as lutas salariais e uma onda de greves importante, a maior desde 2006. A insatisfação não é um subproduto da crise, mas do próprio crescimento com suas características de superexploração. Todos percebem o crescimento, e os trabalhadores querem sua parte nos frutos.

Uma conjuntura de lutas
As greves voltaram com força em muitas categorias. Não se trata de um ascenso generalizado, mas de uma série de setores importantes (construção civil, metalúrgicos, professores, funcionalismo público, motoristas e outros). É um ascenso sindical, por reajustes salariais, mas gera alguns conflitos políticos, como no caso dos bombeiros no Rio de Janeiro contra Sérgio Cabral.

Houve greves operárias de peso, como a metalúrgica da Volkswagen no Paraná (37 dias), assim como da CAF em Campinas e da General Motors em São José dos Campos. Ou ainda no setor operário, com as greves da construção civil puxadas por Girau, que depois tiveram continuidade em Fortaleza e outros locais. Greves no funcionalismo público, com destaque para a educação.

A mobilização dos bombeiros foi a situação mais aguda deste ascenso, por ter gerado uma crise de regime no estado do Rio. Trata-se de um setor especializado das Forças Armadas, que se unificou com setores do funcionalismo e conseguiu o apoio da população. O resultado dessa luta vai ter influência importante para outros setores fardados, assim como para o movimento como um todo.

Esse ascenso tem conquistado algumas vitórias importantes, que ajudam a fortalecer nas massas a consciência de que lutar vale a pena. Além disso, tem apresentado métodos radicalizados, tanto em Girau como em Fortaleza, na duração da greve da Volks do Paraná e na ocupação do quartel general pelos bombeiros.
Essas lutas nos permitem prever um segundo semestre ainda mais quente, pela entrada em cena dos setores mais pesados do proletariado brasileiro, como metalúrgicos e petroleiros. Se vierem grandes ataques aos trabalhadores (como as reformas neoliberais esboçadas), pode ocorrer uma reação ainda maior.