SE: Dirigentes de sindicato filiado à Força Sindical são presos acusados pela morte de Barriga

Foto CSP-Conlutas Sergipe

Foram três meses de uma intensa campanha para saber quem matou o companheiro Clodoaldo Santos, o Barriga, coordenador do SOS Emprego-Sergipe, filiado à CSP-Conlutas. Nesta sexta-feira, 23, finalmente foram presos seis acusados pelo crime. Destes, três são diretores do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Montagem, Manutenção e Prestação de Serviços (Sindimont/SE), filiado à Força Sindical, inclusive o presidente do sindicato.

Quem matou Barriga?
Barriga foi assassinado a tiros em dezembro do ano passado, na porta de casa, no município da Barra dos Coqueiros, na Grande Aracaju. O homem acusado de atirar confessa ter recebido R$ 3 mil pelo crime, que teria sido articulado pelos dirigentes sindicais.

Clodoaldo Santos, o “Barriga”

Os criminosos foram identificados pela polícia como: André Silva Santana, presidente do Sindimont; Jailton Paulino Bispo e Leandro Costa Alves, dirigentes do Sindimont; César Júlio Santos, apontado como atirador, Ricardo Monteiro dos Santos, condutor da moto usada na ação criminosa e Sidney Santos de Oliveira.

Ao mesmo tempo que é doloroso perder um companheiro de luta, é uma vitória muito grande dos trabalhadores o avanço das investigações. Se não fosse a pressão feita pelos trabalhadores organizados, através da campanha nacional impulsionada pela CSP-Conlutas e o SOS Emprego, para descobrir e punir quem matou Barriga, possivelmente as investigações não tivessem avançado. Agora que descobrimos quem matou, vamos continuar pressionando para descobrir todos os mandantes.

Esquema criminoso
A principal suspeita da motivação do crime envolve um negócio criminoso da venda de vagas de emprego, da qual o Sindmont participava. Segundo a delegada que acompanha as investigações, o presidente do sindicato, André Santana relatou que Jailton e Leandro temiam que o movimento SOS Emprego crescesse e eles perdessem espaço. “Há ainda uma versão de que o sindicato estava incomodado com a atuação do SOS Emprego que nada cobrava pelo recrutamento de trabalhadores locais”, afirmou a delegada.

Com a luta por emprego na obra da Termelétrica Porto de Sergipe, o SOS Emprego ganhou tanta força, que atrapalhou o esquema da venda de vagas de emprego. Se o Sindmont era quem atravessava os currículos, quem mais intermediava o esquema? Encarregados de empresas e políticos corruptos, por exemplo, sempre costumaram encabeçar essas práticas.

Queridinho dos patrões
É importante lembrar que o Sindmont tinha trânsito livre na obra da Termelétrica e na empresa, enquanto o SOS Emprego foi mais de uma vez reprimido pela Polícia Militar, do governo de Jackson Barreto (PMDB). Nunca nenhuma empresa ou o estado questionou as práticas desse sindicato, nem da Força Sindical. Pelo contrário, na Petrobrás, por exemplo, o Sindmont sempre foi reconhecido pelas empresas, porque enganava os trabalhadores terceirizados, rifava os direitos e desarticulava as lutas.

É esse tipo de sindicato que todo patrão e governo gosta. Ou seja, os dirigentes do Sindmont foram para a cadeia, mas os principais beneficiados com esse crime continuam soltos.

Está mais do que na hora dos trabalhadores enxotarem esse sindicalismo bandido.

Campanha de solidariedade
O SOS Emprego, junto com a CSP-Conlutas também continua pedindo o apoio político e financeiro das entidades sindicais e dos movimentos sociais, para viabilizar as diversas mobilizações e iniciativas institucionais do movimento.

Abaixo, segue conta para depósito:

Conta para depósito:
Banco do Brasil
Agência: 0303-4
Conta: 108908-0
Central Sindical e popular – CSP-Conlutas
CNPJ: 07.887.926/0001-90