Renúncia de Mesa não acaba com protestos na Bolívia

Mesmo depois que o presidente Carlos Mesa apresentou sua renúncia ao Parlamento boliviano, milhares de trabalhadores mineiros, camponeses e estudantes, vindos da cidade de El Alto, foram às ruas de La Paz.

Nesta terça-feira, os trabalhadores entraram em choque com a polícia, mas conseguiram chegar até o Centro da capital onde lançaram dinamites contra o palácio presidencial. Como a cidade está cercada por barricadas e tomada por mobilizações, os congressistas foram impedidos de chegar até a sede do Parlamento e decidiram realizar a sessão que vai analisar o pedido de renúncia de Mesa no dia 9 de junho, na cidade de Sucre.

Apesar da renúncia, Mesa segue formalmente como presidente. Mas isso parece não estar evitando uma situação de vácuo de poder no país. A burguesia boliviana pode estar preparando, como tentativa de saída para a crise, a antecipação das eleições. Portanto, é bastante provável que a renúncia de Mesa seja aceita e o presidente da Suprema Corte de Justiça assuma para garantir a transição.

Morales, o eleitoreiro
O Movimento ao Socialismo (MAS), do deputado Evo Morales, apóia a realização de eleições, mesmo que haja a renúncia simultânea dos presidentes da Câmara de Deputados e de Senadores, vinculados ao ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, derrubado em outubro de 2003 por uma insurreição popular. Segundo Morales, o Congresso deveria aceitar a renúncia de Mesa e colocar como novo Presidente o primeiro homem do Poder Judicial, o advogado Eduardo Rodríguez, que teria a missão de convocar a novas eleições em três meses. Este também é o plano da Igreja Católica, desenvolvido neste fim de semana, e que contaria com o aval dos partidos neoliberais.

Preocupadas com o lucro
As multinacionais que exploram o gás boliviano já estão preocupadas com seus lucros. Os bloqueios das estradas estão prejudicando a produção de gás para exportação. Além disso, houve ocupações de alguns campos de produção, que estariam paralisados.

Poder aos trabalhadores
A burguesia do país está encurralada pelas manifestações e procura uma saída para sair das cordas. No momento estão contando com uma importante ajuda do deputado Morales e do seu partido. Juntos, tentam impor uma saída institucional para perpetuar a atual condição colonial da Bolívia. Morales, que apoiou timidamente a Lei dos Hidrocarbonetos pressionado pela mobilização popular, defende agora uma saída que preserve o regime e os negócios capitalistas, inclusive da Petrobras, na Bolívia.

O povo boliviano que segue nas ruas exigindo a completa nacionalização do gás não pode se submeter a essa armadilha “democrática”. Só um governo dos trabalhadores, baseado na COB e nas demais organizações populares em luta, pode solucionar a grave crise social da Bolívia. Só um governo dos trabalhadores pode nacionalizar o gás e as multinacionais que exploram o país.