PT, MDB de Temer e os Ferreira Gomes fortalecem aliança no Ceará

Brasília - O governador do Ceará, Camilo Santana (José Cruz/Agência Brasil)

A aliança eleitoral em torno da reeleição do atual governador Camilo Santana (PT) caminha a passos largos e inclui, além do MDB de Temer e Eunício, a família Ferreira Gomes.

Em evento realizado no Palácio da Abolição na última sexta-feira, 23, o governador Camilo Santana, o presidente do Congresso Nacional, Eunício Oliveira, e o prefeito de Sobral (CE), Ivo Gomes (PDT), entre gracejos e afagos, consolidaram um acordo político para a disputa eleitoral desse ano no estado.

A aparente ruptura entre os Ferreira Gomes (Ciro, Cid e Ivo) e o grupo de Eunício Oliveira não durou quase nada. A aproximação dos blocos burgueses em torno de Camilo confirma a estratégia de conciliação de classes que o PT vem trilhando há muitos anos. E também confirma que os que antes se diziam inimigos, agora estão juntos por conveniência para garantirem mais mandatos e cargos públicos.

A base aliada de Camilo Santana é bem ampla. As alianças do governador chegam até o DEM. Camilo conseguiu montar essas alianças do mesmo jeito que faz Temer, liberando dinheiro público para agradar padrinhos políticos. E esse dinheiro foi conseguido à custa de privatização, de arrocho sobre os servidores e do congelamento de gastos sociais por 10 anos.

A degeneração do PT
Na fase atual do capitalismo, as conquistas arrancadas com muita luta pelos trabalhadores são inevitavelmente perdidas em um momento posterior. E quando surge uma crise econômica, os ataques aos direitos e condições de vida da classe trabalhadora se aprofundam. Logo, reformar/humanizar o sistema se demonstra impossível.

Para combater o capitalismo de verdade é preciso enfrentar os privilégios da burguesia. Ao jogar fora esse princípio elementar há algumas décadas, o petismo acabou cavando sua própria cova.

O PT investiu todas as suas forças em eleger a qualquer custo. Aliou-se com Temer, Sarney, Renan, Eunício, Cabral, Pezão, Maluf, Kátia Abreu, Ciro Gomes, Henrique Meirelles e um longo etc. Envolveu-se em corrupção como qualquer outro partido burguês. E também reprimiu e retirou direitos da classe trabalhadora.

Vale lembrar que na condição de presidente do Senado, Eunício foi um dos principais articuladores do impeachment de Dilma. E agora o PT sem nenhuma vergonha, e por ordem do próprio Lula, vai formar aliança com o próprio “golpista”. Demostrando uma vez mais que o caminho de alianças com a burguesia que o PT trilhou é sem volta.

São tudo farinha do mesmo saco!
Na verdade, para além das disputas políticas eventuais entre os diversos blocos burgueses pelo poder, todos eles entram em acordo e atuam em unidade para atacar os direitos dos trabalhadores e do povo pobre. Representam assim faces de uma mesma moeda, em um jogo hipócrita e viciado.

Podemos lembrar também quando Lula convocou o povo cearense a votar em Eunício nas últimas eleições ao Senado. O mesmo Eunício que comandou com Temer a reforma Trabalhista. Ou mesmo, quando o PT se posicionou a favor de livrar a cara do corrupto Aécio Neves (PSDB).

Fortalecer uma alternativa socialista independente para além das eleições
Os trabalhadores são convocados a votar de dois em dois anos. Porém, a vida não melhora. E não melhora justamente porque no sistema capitalista a razão de ser dos governos é preservar a propriedade privada dos meios de produção e elevar o lucro das grandes empresas e bancos. Nesse jogo quem acaba perdendo é a classe trabalhadora.

Portanto, nossa tarefa deve ser remar contra essa maré e fortalecer uma alternativa dos de baixo para derrubar os de cima. Nossa força não depende de um simples voto, os trabalhadores e o povo pobre podem se organizar para tomar o poder em suas próprias mãos e construir uma nova sociedade, que aponte para o socialismo.

O PSTU defende a independência de classe e acredita que somente com a luta organizada dos explorados e oprimidos podemos reverter essa lógica cruel. É preciso combater a raiz de nossos problemas, atacando a desigualdade social e as injustiças. É hora de construir uma rebelião contra o capitalismo!