Mais de 26 milhões de pessoas não têm emprego no Brasil

Foto Marcos Santos/USP

Quando 2017 terminou, 26,5 milhões de pessoas no Brasil estavam sem emprego. O dado foi divulgado na última semana pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e tem como base a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do quarto trimestre de 2017.

Esse número dá uma ideia mais abrangente e realista do desemprego no país, muito mais do que o índice de desemprego normalmente utilizado (a taxa de desocupação), que está na casa dos 12 milhões. Isso porque ele conta, além da taxa de desocupação (os trabalhadores que procuravam emprego no período e não encontravam), as pessoas que trabalham menos de 40h semanais e a “força de trabalho potencial”, ou seja, as que estão disponíveis para trabalhar. O total dessa taxa chamada de “subutilização da força de trabalho” ficava em 23,8%, maior que o registrado no ano anterior, de 22,2%.

Mas mesmo esse número não dá conta do total de desempregados no país, pois desconsidera, por exemplo, o desalento (as pessoas que já desistiram de procurar emprego) e são consideradas “inativas”. Segundo o próprio IBGE, em 2017 o número de pessoas que caíram no desalento era de 4,3 milhões, maior número desde 2012.

Desemprego de longa duração
Além dos milhões de trabalhadores sem emprego, a crise está mudando o perfil do desemprego, elevando o chamado desemprego de longa duração. Mais de 5 milhões de pessoas chegaram ao final de 2017 desempregadas há um ano ou mais. Crescimento de 130% nos últimos três anos. O número de trabalhadores desempregados há mais de um ano cresceu 5% em relação ao ano anterior; desses 54,1% são jovens de 14 a 29 anos de idade.

Esse dado mostra o drama perverso do desemprego: quanto mais tempo o trabalhador fica desempregado, mais difícil se torna arrumar um novo serviço. E se o desemprego é em geral um flagelo que atinge sobretudo os mais pobres, com menor acesso à educação, a crise está tratando de “democratizar” esse mal. Das pessoas que buscam emprego por mais de um ano, quase 10% têm curso superior e mais de 40% tem o ensino médio completo.

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