Proibir o sopão? Por que não proibir a pobreza?

Ana Luiza, é pré-candidata do PSTU à prefeitura
Sérgio Koei

Poderia ser uma daquelas piadas de Internet. Mas, tragicamente, não era. Uma reportagem publicada nesse dia 28 de junho dava conta que a prefeitura de São Paulo planejava proibir a distribuição de sopas aos moradores de rua em via pública. E mais, ameaçava enquadrar “administrativa e criminalmente” as instituições filantrópicas que insistirem em distribuir o sopão nas ruas da cidade.

É incrível o ponto em que chegou essa política higienista e elitista do prefeito Kassab. Sua gestão vem promovendo uma sistemática perseguição aos moradores de rua. O prefeito elegeu os miseráveis como seus principais inimigos. A desastrada ação na Cracolândia, realizada junto com o governo Alckmin, mostrou que a política social de Kassab é a do porrete.

É evidente que a filantropia não resolve o problema da miséria e da indigência. Mas Kassab, além de aprofundar as injustiças sociais, quer fazer da vida dos miseráveis um inferno maior ainda. Sua gestão é marcada pelo fechamento de albergues, principalmente nas regiões centrais da cidade. A prefeitura faz isso para expulsar os mais pobres do centro para a periferia da cidade. É uma clara orientação fascistóide.

Mas não são só os moradores de rua que estão na mira de Kassab. A prefeitura quer acabar com as poucas licenças de camelôs que ainda existem, criminalizando por completo essa atividade que garante o sustento de inúmeras famílias em São Paulo. Quer transformar, como já vem fazendo, camelôs que lutam diariamente pela sobrevivência, em bandidos.

Ao invés de acabar com a pobreza, sua gestão quer eliminar os pobres. Kassab tem raiva de pobre!

E não é só isso. Sua prefeitura investe contra as iniciativas populares que buscam levar cultura à periferia, como o tradicional Sarau do Binho, no Campo Limpo. A prefeitura quer tirar até mesmo a possibilidade de a população da periferia se divertir e ter acesso à cultura.

A ameaça de proibição do sopão, agora, é o cúmulo da política higienista de um prefeito dos ricos, que não enfrenta os problemas criados e aprofundados por sua própria administração. O prefeito que voa de helicóptero não está interessado no que acontece com os “de baixo”. Não é afetado pela Educação precária, não precisa usar o sistema público de saúde e está comprometido com a especulação imobiliária no centro.

Isso reforça a necessidade de virarmos essa prefeitura de cabeça para baixo. De uma prefeitura dos ricos para uma prefeitura voltada aos interesses e necessidades da maioria da população. E, assim, fazermos uma São Paulo para os Trabalhadores.