Convenção lança alternativa socialista para capital pernambucana

Mesa da Convenção

O PSTU oficializou a candidatura do servidor estadual Jair Pedro para concorrer à prefeitura de RecifeAgora a população recifense já tem confirmada a candidatura socialista para as eleições 2012. No dia 27 de junho, o PSTU oficializou a candidatura do servidor estadual Jair Pedro para concorrer à prefeitura. O evento reuniu cerca de 90 pessoas, entre militantes e apoiadores do partido de Recife e de Caruaru, além de convidados do PSOL de Petrolina e da ex-pré-candidata pelo PSOL, Noélia Brito.

“A nossa candidatura é de lutadores”. Foi com essas palavras que Jair Pedro deu início a sua explanação no evento. Com o lema “Recife para os trabalhadores” a candidatura de Jair se apresenta com um programa socialista para Recife, contrária à política de desmonte do estado que explora e oprime a classe trabalhadora tal como defende a Frente Popular do PT e PSB, bem como a direita tradicional.

Jair Pedro dedicou todo seu discurso à companheira Eugênia, primeira condutora do metrô em Recife e militante do PSTU, que faleceu em 2011 durante o congresso da categoria. “Em homenagem à companheira, a partir de agora vamos colocar nossa locomotiva nesse projeto socialista para Recife, um projeto de classe, independente e de luta”, fala emocionado Jair.

A atividade também contou com a exibição de dois vídeos, um sobre o PSTU, produzido pela equipe nacional de comunicação do partido, e outro com imagens dos candidatos nas lutas em Pernambuco feito pela militância de Recife.

É possível governar para todos?
Ainda no começo de sua fala, Jair fez uma pergunta aos presentes: É possível governar para todos? De acordo com o candidato, esse tem sido o discurso da Frente popular que governa há 12 anos a capital pernambucana. Entretanto, para ele, é impossível na sociedade capitalista um governo garantir os interesses de todos. “Nós estamos dizendo que os governos que aí estão, não só aqui no Brasil, mas em diversos países do mundo, não governam para todos”, declarou Jair.

O pré-candidato argumentou que, com a crise econômica se aprofundando na Europa, os governos preferem atacar os trabalhadores para salvar as fortunas dos banqueiros e empresários. “Os governos estão dizendo que para sair da crise é preciso demitir 30 mil trabalhadores, de imediato. Que a saída é privatizar a saúde, privatizar a educação. Porque nós precisamos pagar os banqueiros. Isso é o que está sendo apresentado hoje na Grécia, mas não é diferente do que acontece na Itália, em Portugal, Egito, Síria”, afirmou Jair.

Ainda sobre as prioridades dos governos diante a crise econômica mundial, Jair Pedro citou o que aconteceu recentemente na Espanha, onde o governo pediu, ao FMI e ao banco central Europeu, 100 milhões de euros para salvar os bancos quando 24% de trabalhadores se encontram desempregados.

Para o servidor estadual, esse discurso de governar para todos não pode ser aceito pela classe trabalhadora. Isso porque, segundo o pré-candidato, a classe dominante tem seus políticos representantes, como acontece no Brasil, com Dilma (PT) ou Eduardo Campos (PSB) e João da Costa (PT). “É por isso que nós do PSTU lançamos um candidatura e dizemos que vamos governar para os trabalhadores e para a população pobre”, afirmou Jair, bastante aplaudido na ocasião.

Para o pré-candidato, o governo Dilma Roussef (PT) segue o mesmo caminho de querer conter a crise prejudicando os trabalhadores. Não é a toa que 70% da população se encontra endividada. “O governo Dilma escolheu um caminho que foi governar para os banqueiros. Hoje, pagamos 45% do nosso PIB para os banqueiros. Isso significa R$ 3 trilhões. Isso é pouco? Agora para a saúde, pra educação, não tem dinheiro”, reclama Jair.

Diga com quem andas que te direi quem tu és…
“Se juntar com a direita não é o caminho”, falou Jair alfinetando sobre a situação da Frente Popular em Pernambuco. ”Estamos vendo o retorno de Jarbas, através de Eduardo Campos com a turma de Arraes. Estamos vendo o PT do outro lado, agonizando com ataque violento do próprio Eduardo. O PT está sendo atingido por algo que ele mesmo criou com a crise interna pela disputa do aparato”, ironiza o candidato. Esse fato foi comparado ao que acontece em nível nacional, com Lula e Maluf.

Em relação a Frente de Esquerda, Jair explicou todo o esforço do partido para se garantir a unidade necessária com PSOL e PCB. Jair afirmou que o PSTU chegou a retirar a candidatura para dar lugar à Noélia Brito – até então pré-candidata pelo PSOL – ficando apenas como vice. “Nós entendíamos a importância e localização estratégica da Frente de Esquerda em Pernambuco, mas Edilson Silva (presidente do PSOL de Pernambuco) disse publicamente que era impossível porque era preciso ter um discurso mais aberto e mais amplo e incluir setores mais amplos”, explica Jair.

Em entrevista a rádio CBN, Edilson afirmou que não há problema em fechar acordos com o PT, PSB ou PV, mas Jair afirmou que o PSTU não aceita coligações com partidos que são contrários aos interesses dos trabalhadores. “Se nós estamos dizendo que esses partidos estão atacando a classe trabalhadora, estamos dizendo que com esses setores não podemos governar, nem levar adiante as reivindicações da classe, como vamos se juntar e fazer uma frente com esses setores?”, questiona Jair. Em relação ao PCB, até o dia da Convenção, não foi dada nenhuma resposta ao PSTU, uma vez que estariam esperando o posicionamento do PSOL.

Jair ainda afirmou que as candidaturas do PSTU não irão aceitar financiamento da burguesia, das empreiteiras, construtoras e das empresas metalúrgicas, porque para ele quem paga dita a política. “Quem contrata a orquestra escolhe a música, ou não é assim? Nós queremos ter a nossa independência de classe”, afirma o servidor.

O pré-candidato ainda falou aos presentes que serão eles que financiarão as candidaturas do PSTU. “Nós vamos pedir a cada um de vocês, podem ter certeza, financiamento para nossa campanha”, brinca com seriedade Jair para afirmar que são os trabalhadores que irão apontar o caminho das candidaturas do PSTU.

Jair em seu discurso deu um exemplo claro disso. Em relação à mobilidade urbana, ele apresentou um estudo nacional feito ILAESE (Instituto Latino Americano de estudos Socioeconômicos)para diversos sindicatos dos trabalhadores metroviários do Brasil. De acordo com os dados colhidos pela pesquisa “Transporte no Brasil, um projeto sobre a mobilidade”, apenas 2% do PIB seriam suficientes para resolver o problema do transporte no Brasil, mas falta interesse dos governos. “É possível a gente ter uma passagem hoje, com os recursos que o Brasil tem, a R$ 1. Isso é um estudo científico. Agora eu pergunto, porque o PT com 12 anos de gestão não conseguiu implementar isso?”, indaga o candidato. O PSTU defende os 2% para mobilidade urbana.

Com esse questionamento, Jair atacou os governos e políticos que criminaliza os movimentos sociais. “Por que Eduardo, aqui em Pernambuco, não implementa esse projeto que requer apenas 2% do PIB? Preferiu atacar os estudantes, colocar a tropa de choque sob os estudantes que faziam uma reivindicação justa. E é preciso dizer com apoio de João da Costa, Humberto, João Paulo e companhia”, denuncia o candidato.

Queremos mais do que seu voto…
A atividade terminou com um chamado aos presentes para fazer parte do PSTU. “Para nós, um projeto socialista não se pode construir sozinho. É importante que cada pessoa saia daqui convencida que nossas candidaturas estão a serviço dos trabalhadores e da juventude, mas mais do que isso, chamamos todos a construir um embrião de um projeto revolucionário. Estamos aqui para chamar vocês a construírem o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, um partido que está a serviço do socialismo no mundo todo”, encerrou a convenção Janaina Oliveira, da juventude do PSTU.