Petrobras não avança negociação e petroleiros ampliam a greve

Veja o quadro da greve neste terceiro diaA força da greve obrigou a Petrobras a marcar uma reunião de negociação no final da tarde de terça-feira, 24. Porém a proposta de PLR da empresa não avançou para uma que contemplasse a categoria. Da mesma forma, a Petrobras negou-se a discutir qualquer outro ponto de pauta. Não havendo avanço nas negociações, nova reunião foi marcada para esta quarta.

A avaliação do comando é que, no segundo dia, a greve foi mais forte. Aumentou a participação da categoria, inclusive com o apoio dos trabalhadores terceirizados. A conclusão do comando foi de que, se a negociação com a Petrobras não avançar, os petroleiros farão avançar a greve.

Assim, logo no término da reunião, vários grevistas e ativistas da Conlutas de Alagoas e Sergipe dirigiram-se para o Tecarmo com a intenção de paralisar o turno. O mesmo grupo passou a noite na área aguardando os trabalhadores que chegariam nesta manhã.

A greve cresce nas refinarias, plataformas, centros administrativos e de pesquisa. Já há redução de produção de derivados do petróleo e diminuição drástica de bombeamento de combustível para aeroportos e oleodutos. A Petrobras está reprimindo como pode, tentando evitar a paralisação da produção, colocando equipes de contingência e tentando criminalizar a greve via Justiça. Veja, abaixo, como está a greve em todo o país até o momento.

Região Sudeste
Em Duque de Caxias (RJ), a Reduc também continua retendo trabalhadores do Grupo A de domingo. Nesta terça-feira, foram concluídas as assembleias de avaliação da proposta de PLR na Reduc, em que 141 petroleiros votaram. Desses, 140 trabalhadores votaram contra a proposta da Petrobras e apenas um se absteve. Não houve nenhum voto a favor.

Já no Norte Fluminense, na Bacia de Campos, as equipes de contingência assumiram o controle das 28 plataformas que aderiram à greve. No Terminal de Cabiúnas, os trabalhadores assumiram o controle do terminal por 13 horas e foram coagidos a entregar a unidade para a equipe de contingência.

No Rio de Janeiro, os trabalhadores do Terminal da Baía de Guanabara (TABG), por onde passa grande parte do gás brasileiro, aderiram à greve com boa participação. Não houve corte de rendição, mas a direção do sindicato está discutindo com os trabalhadores a importância de cortarem a rendição nos turnos. Os trabalhadores do Terminal de Angra dos Reis também aderiram à greve.

Os petroleiros do Rio têm realizado concentrações e panfletagens na frente das unidades da Petrobras. No Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Melo (Cenpes), maior centro de pesquisa do setor petrolífero da América Latina, os trabalhadores do setor administrativo vêm promovendo um atraso-paralisação de duas horas na entrada da manhã. Os trabalhadores de turnos do Cenpes realizam paralisações parciais ou totais de emissão de Permissões de Trabalho, com indicativo de corte de rendição a qualquer momento. Na quarta, no Cenpes, durante a paralisação, haverá um debate sobre o Plano Petros, direitos trabalhistas e segurança do trabalho.

Em São Paulo, o sindicato obteve habeas corpus para liberar os trabalhadores do Grupo A da Recap que estavam desde domingo na refinaria. A equipe de contingência da Petrobras assumiu a unidade. Na Replan, em Paulínia, os trabalhadores cortaram a rendição na manhã de terça, vencendo as dificuldades impostas pela Petrobras para impedir os trabalhadores de controlar a troca de turno. Nesta quarta-feira (25), a equipe de contingência da Petrobrás assumiu a refinaria.

Os terminais de São Caetano, Barueri, e Guarulhos continuam sem rendição nos turnos e sob responsabilidade integral das equipes de contingência. Em Guarulhos, os trabalhadores controlaram o bombeio até terça-feira à noite e foram obrigados a desocupar o terminal após a Petrobras ter obtido liminar favorável ao interdito proibitório ingressado pela empresa. No Terminal de Guarararema os trabalhadores também não estão realizando a troca de turno.

No Litoral Paulista, não há rendição nos turnos na Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão (RPBC) e nos terminais de Alemoa, Pilões e Tebar.

Em Minas Gerais, os trabalhadores da Regap permanecem na refinaria desde às 15h30 de domingo, 22, apesar de o sindicato ter obtido liminar obrigando a Petrobras a negociar. A unidade de biodiesel de Montes Claros está parada desde terça-feira à noite.

No Espírito Santo, o sindicato está denunciando a Petrobras por cárcere privado na Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas (UTGC), onde os trabalhadores estão sendo retidos desde domingo. Nas plataformas, a empresa cortou telefones e acesso à internet.

Região Norte
No Pará, os trabalhadores não substituíram os turnos nos terminais de Belém. Na Província Petrolífera de Urucu, a produção permanece reduzida. O controle da produção está nas mãos dos grevistas. O administrativo do Compartilhado entrou em greve, mas como a ampla maioria dos trabalhadores é terceirizada (que não aderiu) fica difícil precisar o grau de adesão à paralisação. A Transpetro Belém também aderiu.

O Administrativo do Amazonas paralisou massivamente, quase 100%. O campo de produção terrestre de Urucu está com 60% de adesão à greve. A expectativa do diretor de comunicação do Sindipetro PA-AM-MA-AP, Jiumar do Carmo, é de paralisação total. Na Refinaria Manaus (Reman), a adesão também é total. No Terminal de Solimões, os trabalhadores grevistas assumiram o controle da produção, mas um interdito proibitório da Petrobras obrigou os trabalhadores a entregarem o terminal para a equipe de contingência. O terminal foi entregue parado.

Região Nordeste
Na refinaria Lubnor (Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste), no Ceará, uma liminar obtida pelo sindicato obrigou a Petrobras a liberar ao trabalhadores do turno de domingo. A unidade sob responsabilidade da equipe de contingência, ou seja, os pelegos colocados pela empresa para substituir os trabalhadores em greve. O corte de rendição permanece na Fazenda Belém e na unidade de biodiesel de Quixadá. Nas plataformas de Paracurú, Curimã, Xaréu e Atum, os trabalhadores tentam controlar a produção.

No Rio Grande do Norte, os trabalhadores chegaram a controlar 70% da produção de gás e óleo nas plataformas, mas, após interdito proibitório movido pela Petrobras, foram obrigados a desembarcar e entregaram as plataformas para as equipes de contingência. Nos campos terrestres, a adesão é de 80%, mesmo com interdito proibitório. Equipes de contingência estão assumindo os campos. No Pólo de Guamaré, os trabalhadores controlam a produção em todas as unidades de processamento de gás e óleo. Apenas uma Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN) está em atividade com carga mínima.

Em Pernambuco, o Complexo Industrial Portuário de Suape está 100% paralisado, trabalhadores diretos e terceirizados. O gasoduto de Paratibe está sob controle dos trabalhadores.

Em Sergipe e alagoas, o segundo dia da greve foi marcado pelo crescimento das paralisações. A adesão é total ou quase total em quase todos os setores. Na Sede da Rua Acre, onde a adesão é menor, é de 60%. Em assembleia na manhã desta quarta-feira, os petroleiros terceirizados votaram greve em solidariedade à greve nacional. No Tecarmo/Atalaia a produção está sob controle dos trabalhadores. No Pilar, a Petrobras mantém trabalhadores retidos há mais de 24h trabalhando. O Sindicato está notificando o Ministério Público do Trabalho sobre esta situação.

Na Bahia, os trabalhadores da Relam que entraram às 7h30 de domingo, 22, permanecem na refinaria. Não há troca de turno, mesmo com o interdito proibitório ingressado pela Petrobras. Os trabalhadores do administrativo e os terceirizados também aderiram à greve. Três campos pararam a produção nos municípios de Entre Rios e Esplanada. São os campos de Jandaia, Sertres e Rou. Jandaia é o maior campo de produção do estado. Os trabalhadores terceirizados participam ativamente da greve. A fábrica de fertilizantes Fafen e o Terminal Madre de Deus continuam sem rendição no turno. Na sede administrativa, a adesão é de mais de 70%.

Região Sul
Todas as unidades da Petrobras no Paraná e em Santa Catarina estão em greve. A adesão entre o pessoal de turno é de 100% e no administrativo é 40%. Na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR), o sindicato conseguiu liberar trabalhadores do turno de domingo que permaneciam retidos. Uma liminar obtida pelo sindicato também obriga Petrobras a liberar a equipe de contingência após oito horas seguidas de permanência na refinaria.

Os terminais de Santa Catarina – Itajaí, Biguaçu e Guaramirim – estão sob controle das equipes de contingência. O Terminal de São Francisco do Sul está sob controle dos trabalhadores grevistas, com produção abaixo do normal. Em Paranaguá (PR), o terminal está sendo operado pela equipe de contingência.

No Rio Grande do Sul, não há rendição de turno na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) desde a manhã de segunda-feira, com adesão de 70% dos trabalhadores.

*Com informações da Conlutas e da Agência Petroleira de Notícias