Para sindicalista dos EUA, imperialismo segurou a crise econômica com exploração de imigrantes

Cartaz de convocação do 1º de Maio, contra a ocupação
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Líder portuário fala no Rio de Janeiro sobre protestos contra a ocupação americana no Afeganistão e no Iraque, crise econômica e a luta dos trabalhadores dos EUAO Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (SEPE-RJ) realizou no dia 20 de maio um debate com Jack Heyman, membro do comitê executivo do Sindicato dos Trabalhadores Portuários da Costa Oeste dos EUA, o ILWU. Heyman falou sobre a paralisação de 29 portos da Costa Oeste dos Estados Unidos contra a guerra de ocupação no Afeganistão e o Iraque, no dia 1º de Maio. O debate, aprovado em assembléia do Sepe, contou com o apoio da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) e do Comitê de Luta Classista (CLC).

Heyman, que esteve de férias no Brasil, enfatizou a importância do debate com os trabalhadores da educação do Rio de Janeiro, afirmando que o mesmo se dá na Califórnia com os educadores norte-americanos. Em São Francisco ou Oakland estes trabalhadores se unem para exigir que os milhões gastos com a guerra imperialista sejam destinados à educação.

Sobre a paralisação do 1º de Maio, Heyman respondeu que a proposta inicial foi de uma paralisação de 24 horas. No entanto, por uma manobra da burocracia sindical, a paralisação durou apenas oito horas. Neste período foram interrompidos o embarque e desembarque feito pelos guindastes e os piquetes da greve barraram o transporte ferroviário nos estaleiros de Oakland. Segundo o dirigente, “isso é muito importante já que 40% de tudo que é comercializado com o exterior passa por estes portos”.

Heyman ainda afirmou que as resoluções aprovadas pelos comitês do sindicato para esta paralisação foram as seguintes: Pelo fim da guerra do império do petróleo; Repúdio ao Partido Democrata e ao governo que continua gastando milhões de dólares com esta guerra e imediata retirada das tropas norte-americanos do Afeganistão, do Iraque e do Oriente Médio.

Crise econômica
Uma educadora perguntou sobre a crise econômica que se iniciou nos Estados Unidos em 2007 e que se estende por todos os países. Heyman respondeu que esta crise foi contida durante boa parte dos anos 90. “A crise imobiliária não passa de uma ponta do iceberg. A indústria manufatureira norte-americana sofreu um verdadeiro desmonte e desnacionalização e a burguesia imperialista tentou segurar a crise com os tratados de livre comércio como o Nafta”, afirmou. Segundo ele, o objetivo da burguesia era a Alca como forma de expandir o mercado e aquecer a economia para evitar a crise de inadimplência que já estava no horizonte.

O retardamento desta crise se deu por uma situação de profunda exploração dos trabalhadores norte-americanos, principalmente os imigrantes. Entre os trabalhadores norte-americanos, 90% não tem sindicatos que os organize para frear ou reduzir a exploração. “Os poucos sindicatos que existem, além de organizar apenas 10% dos trabalhadores, são controlados por uma burocracia sindical que apóia os planos do governo”, afirma o dirigente.

Segundo Heyman, o Nafta não só repassou para a economia mexicana a crise norte-americano, mas também destruiu a maioria dos direitos dos trabalhadores daquele país. Isso é que explica o brutal aumento da quantidade de imigrantes ilegais nos Estados Unidos. “A única forma de garantir o direito dos trabalhadores dos vários paises é a unidade da classe”, afirmou.

Em sua opinião a crise tende a se alastrar por todos os paises e por isso os portuários da Califórnia já estão em contato com os portuários ingleses para desenvolverem ações em comum contra estes governos imperialistas. Explica que este é um pequeno exemplo de como os trabalhadores devem se organizar em todo o mundo para enfrentar a crise mundial da economia capitalista. Jack Heyman afirma também que esta unidade dos trabalhadores tem como principal tarefa a construção do partido revolucionário. “Para enfrentar os desafios colocados, devemos construir uma ferramenta mundial que possibilite tomar o poder em nossos países para destruir o atual modo de produção. Somente em um mundo socialista é que de fato poderemos garantir a justiça, a igualdade e o fim da exploração”, afirma Hyman.

Ao final do debate que tocou em vários temas pertinentes aos interesses dos trabalhadores, a Conlutas fez um convite aos portuários norte-americanos para que participem do Encontro Latino-americano e Caribenho que ocorrerá nos dias 7 e 8 de julho, em Betim (MG). Os companheiros que constroem a Conlutas, após uma explicação do caráter e objetivos deste encontro, entregaram a Heyman uma carta convite. Heyman se comprometeu a apresentar a carta e o convite ao ILWU, na certeza de que o sindicato participará desta importante atividade. O debate foi encerrado com todos os presentes cantando o hino da Internacional Comunista.