Dia de luta da CUT e da Força Sindical foi para negociar direitos

O “dia nacional de luta” da CUT, da Força Sindical e da CTB foi uma soma de manifestações totalmente controladas para evitar qualquer possibilidade de uma mobilização que escapasse ao controle dessas centrais pelegas e governistas. Trata-se de centrais que ainda são majoritárias entre os trabalhadores, com um enorme peso no aparelho do Estado.

Poderiam, se quisessem, planejar uma mobilização nacional que apontasse para uma greve geral. No entanto, o que ocorreram foram panfletagens em grande parte do país, com alguns atos públicos reduzidos em São Paulo e uma paralisação de três horas das montadoras no ABC Paulista.

O exemplo maior do que esses pelegos se propõem se deu no ABC. Mesmo em mobilizações parciais de só um dia, existe uma tradição no ABC de parar as montadoras e ocupar a rodovia Anchieta. Isso causa um impacto político razoável. O problema é que, para isso, seria necessário parar por pelo menos um dia inteiro, porque os operários não voltam para as fábricas. E as montadoras, que deixam correr (ou mesmo apóiam) essa “campanha”, não querem perder nem um dia de trabalho para não atrapalhar o pique na produção de automóveis.

Mais incrível ainda é que a jornada de trabalho nas montadoras já é formalmente de 40 horas, o “objetivo maior da campanha” das centrais pelegas. Mas, ao ser associada ao banco de horas, não traz nenhum benefício para os trabalhadores. O Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, diga-se de passagem, apoiou a medida dos patrões. Por isso, a burocracia não mobilizou as empresas que poderiam ter algum benefício com as 40 horas para evitar perder o controle sobre as manifestações dos operários.

Essa “mobilização” controlada tem uma explicação. Não se trata de uma luta real contra os patrões e o governo, mas uma campanha junto com as representantes dos patrões – Fiesp e CNI – e o governo com o objetivo de negociar as 40 horas em troca do banco de horas. Isso é o que foi feito nas montadoras. A conseqüência é a redução dos pagamentos das empresas nas folhas de pagamentos.

Do outro lado, os lutadores
Por outro lado, em São José dos Campos (SP), a partir da direção da Conlutas, a resposta foi diferente. Ali a luta é pela redução da jornada sem redução de direitos e sem banco de horas. Os operários da General Motors pararam duas horas. Os trabalhadores da construção civil em greve fizeram uma passeata com cinco mil trabalhadores.

Vale a pena dizer que esses operários da construção estão em greve contra a direção pelega do sindicato que é da CUT. Essa direção tentou desviar a luta dos operários da construção para o ato da campanha da CUT. A base paralisada recusou, fazendo uma mobilização independente.

É precisão que se diga, então, que a maior mobilização operária, com greve e passeata do dia 28 foi realizada em São José com Campos, com a campanha da Conlutas.

A Conlutas também realizou atos em outras regiões do país. No mesmo dia da presença de Lula no Haiti, houve atos no Rio e em Brasília para protestar contra a ocupação militar. É preciso que se diga que a Minustah, comandada por tropa brasileiras, impediu a manifestação de Batay Ouvriye em Porto Príncipe contra a presença de Lula e a ocupação militar.

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