Os perigos da campanha da CUT

A outra barreira que os trabalhadores terão de enfrentar em 2010 infelizmente se encontra em suas próprias organizações. A CUT, que parece não ter refletido sobre as lambanças que fez na campanha salarial anterior, pretende repetir os mesmos fiascos de 2009. Pior ainda. Em câmara lenta, estendendo o acordo salarial deste ano para os próximos cinco anos.
A pauta da CUT é a reposição integral da inflação, aumento real nos salários, valorização nos pisos, jornada de 40 horas semanais e licença-maternidade de 180 dias.

O primeiro e mais perigoso erro está em não divulgar o índice reivindicado. Isso significa que os trabalhadores não saberão por quanto estarão lutando. Além disso, se o índice não é definido com os trabalhadores, significa que será acertado com os patrões. Entre outros objetivos, a falta de um índice esconde dos trabalhadores quanto eles foram explorados e quanto os patrões lucraram. Isso permite que se aprove um índice rebaixado, já que os critérios para defini-lo não serão divulgados.

Essa manobra é agravada pelo fato de que a CUT, segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, quer fazer um acordo que se estenda por cinco anos. Os trabalhadores podem imaginar perfeitamente o que seria permanecer cinco anos com os acordos rebaixados como os de 2009. Ficarão à mercê das medidas do governo contra eles, além de estarem sujeitos ao tempo necessário para que as empresas terminem de fazer sua reestruturação.

Os trabalhadores devem estar alerta a esses riscos para não permitirem que a CUT cometa os mesmos erros de 2009, quando os trabalhadores de Taubaté (SP) obrigaram a CUT a desconhecer o acordo que havia feito com a patronal.

Por isso, o melhor remédio contra acordos rebaixados é a mobilização e a unidade.
Os sindicatos paulistas de São Carlos, São Caetano do Sul e Tatuí não podem seguir a reboque dos acordos rebaixados da CUT. É preciso romper a unidade com a CUT e se unir aos sindicatos combativos.

Só a luta e a unidade podem romper as montanhas de lucros que os patrões conseguiram erguer com a ajuda do governo.

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