Oposição metroviária se consolida na categoria

A oposição metroviária consolidou seu trabalho em toda a categoria nessas eleições sindi­cais. Nos operadores de trem, manteve uma larga vantagem sobre a chapa 1, que ganhou o segundo turno.

Dos 6.061 sócios, quase 5 mil trabalhadores foram às urnas. A chapa 1, dirigida pela CSC (ligada ao PCdoB), obteve 2.576 votos. A chapa 2, da oposição metroviária (Conlutas, Intersindical e independentes) obteve 1.728. Brancos foram 60 e nulos 393, totalizando 4.757 votantes.

No primeiro turno, os votos nulos foram maiores do que a diferença de votos da chapa vencedora. Nesse caso, o estatuto do sindicato manda que se reali­ze nova eleição. Mas como era de se esperar, a direção da CSC não queria respeitar o estatuto da entidade e tentou dar um golpe na categoria. A oposição recorreu à Justiça e, forçada por uma liminar, a maioria da direção do sindicato foi obrigada a realizar o segundo turno.

As eleições foram marcadas por um forte debate sobre os rumos que a categoria irá tomar contra os ataques do governador José Serra, que enviou projeto para a Assembléia Legislativa que prevê a privatização de várias estatais, entre elas o Metrô. Outro forte debate foi sobre o governismo da chapa 1, que se cala diante das privatizações de Lula e não denuncia sua reforma previdenciária.

A chapa 1, porém, conseguiu aumentar o número de votos em relação ao primeiro turno, graças ao forte apoio da empresa e também porque conseguiram passar para a categoria a idéia de que o segundo turno atrapalhou a negociação sobre a PR (Participação nos Resultados). Algo que não era verdade.

“A oposição se manterá forte e unida para defender a categoria”
Para comentar o resultado, o Opinião entrevistou Altino e Alexandre Leme,
membros da oposição

Opinião – Como foi a campanha?
Alexandre – A maioria da direção do sindicato tentou despolitizar a campanha, usaram até baixaria para atingir a oposição. Travamos um duro embate com a maioria da direção do sindicato (PCdo B) sobre a CUT governista e a quem serve a nova central, CTB. Nós defendemos um plebis­cito na categoria para decidir em que central vamos nos filiar. Eu defendo a Conlutas. Eles se recusaram e depois saíram declarando que o nosso sindicato é da CTB sem sequer comunicar a categoria.

Como foi a votação nos operadores de trens?
Altino – Essa é uma das áreas mais importantes do metrô e também do encabeçador da chapa 1. Nela a oposição manteve uma larga vantagem também no segundo turno.

Todos na chapa são da Conlutas?
Alexandre – Não, existem companheiros da Intersindical, independentes e até petista. No interior da chapa tinha polêmica sobre o papel governista do sindicato. Mas nós demonstramos que é possível construir a unidade em torno de um programa que defende a ca­tegoria e é oposição aos governos estadual e federal.

Como vai ficar a oposição?
Altino – Pela quantidade de votos que tivemos, temos a certeza de que a oposição se manterá forte e unida para defender a categoria e suas reivindicações.

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