“Olê, Olê, Olê Olá,Contra o racismo e a exploração Trabalhador vai fazer revolução!”

No início da noite de 3, o PSTU realizou o debate “Haiti: a revolução e a luta contra a ocupação”, que contou com a participação da grande maioria dos delegados ao Encontro. Na mesa estavam Eduardo Almeida, da direção nacional do PSTU e integrante da caravana que foi ao Haiti em julho, Dayse Oliveira, da Secretaria de Negros e Negras do PSTU e também parte da caravana, e Wilson Silva, também da SNN.
Edu falou do orgulho de ser negro e que foi “este mesmo orgulho que sentimos quando fomos ao Haiti, porque conhecemos o Haiti rebelde”. Um sentimento, contudo, oposto à “vergonha de ser brasileiro e ver as bandeiras brasileiras hasteadas nos tanques da ONU”. Uma vergonha ainda maior quando se sabe que o Haiti não só foi o único país que realizou uma revolução vitoriosa de escravos, como também tem uma longa e sofrida história de resistência a várias ocupações imperialistas, a última delas, lamentavelmente, liderada pelas tropas brasileiras.

Já Dayse, destacou sua emoção ao ver que, no Haiti, as mulheres negras estão dando continuidade a uma longa história de participação nas lutas revolucionárias. Uma história que, no Brasil, tem como representantes figuras como Acutirene, que fundou o Quilombo de Palmares, ou as dezenas de empregadas domésticas que participaram da organização e apoio à Revolta da Chibata.

Wilson falou que o encontro é fruto da reorganização do movimento no Brasil, lembrando que “a única forma de lutar conseqüentemente contra o racismo é combatendo o sistema que dele se alimenta” e que “a maior exemplo deixado pelo Quilombo dos Palmares foi sua luta intransigente contra o sistema que os oprimia e explorava”.

Lembrando que, hoje, isto “só pode se traduzir na organização de negros e negras numa perspectiva anti-capitalista”, Wilson destacou a importância da construção de uma nova alternativa de organização para o movimento negro e finalizou lembrando que isto, porém, não é suficiente: “tanto para os negros brasileiros, quanto para os migrantes na Europa e nos EUA, os indígenas na América Latina ou as miseráveis massas negras na África só há um caminho para destruir completamente a opressão: construir um instrumento adequado para fazer a revolução, um partido revolucionário”.

Neste sentido, o companheiro concluiu convidando os presentes ao Encontro a conhecer o PSTU e sua Secretaria de Negros e Negras e fazerem a experiência com o partido.

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