Operários da construção civil de Belém recusam proposta da patronal e aprovam greve para 5 de setembro

Apesar dos altos lucros, patrões ofereceram apenas 1% de aumentoForam cerca de 2 mil trabalhadores que lotaram a assembléia geral no dia 25 de agosto, na região central de Belém, para deliberar sobre a campanha salarial 2011 da categoria. Um sentimento de indignação tomou conta da multidão de operários quando a diretoria do sindicato anunciou a proposta da patronal de apenas 1% de aumento. “Não vamos recuar! É greve, greve, greve!”, gritavam os trabalhadores cansados dos baixíssimos salários pagos pelos empresários e pelas péssimas condições de trabalho nos canteiros de obras. A assembléia foi convocada para decidir o rumo da campanha salarial depois da 2ª rodada de negociação realizada com os empresários dia 24. O Sinduscon, sindicato da patronal, ofereceu apenas migalha diante dos altíssimos lucros obtidos pelas empresas nos últimos meses.

“Os trabalhadores da construção civil de todo o estado do Pará estão em uma campanha salarial unificada porque do jeito que está não dá pra ficar!“, relatou o companheiro Zé Gotinha, diretor do sindicato de Belém e um dos coordenadores da assembléia. Os trabalhadores em unanimidade votaram pela manutenção da proposta inicial e início da greve a partir do dia 5 de setembro, segunda-feira, caso os patrões não avancem na negociação com o sindicato. Foi aprovado o prazo de até o dia 1º de setembro, quinta-feira, quando será realizada outra assembléia geral para encaminhar a greve.

A importância desta luta para o conjunto da classe trabalhadora se expressou na boa participação das mulheres operárias que estiveram em grande número, fruto da incorporação de pautas específicas (creche nos locais de trabalho, licença maternidade e salário igual para trabalho igual) na luta geral dos trabalhadores, mostrando a necessidade cada vez maior de fortalecermos a luta contra o machismo.

A proposta dos trabalhadores é: servente R$ 680,00; meio-oficial R$ 770,00; profissional R$ 1.000,00; cesta básica de R$ 150,00; Plano de Saúde; Qualificação e Classificação para as operárias e 10% de vagas para as mulheres.

Ao final da assembléia os trabalhadores saíram em passeata em direção à sede do sindicato dos empresários para mostrar a força da categoria e dizer ‘não´ à migalha de salário oferecida pelos patrões. Os operários dialogaram com a população pedindo o apoio a luta dos trabalhadores. Além disso, os operários protestaram contra a construção de Belo Monte, reivindicando que o dinheiro desta obra seja revestido para construir casas populares e também se manifestaram contra a Divisão do Estado do Pará e pela defesa dos 10% do PIB para a educação.

O PSTU marcou presença com faixa e panfletos em apoio a campanha salarial como também levantando as bandeiras e apresentando seu jornal para a categoria e fez sua intervenção afirmando que sua militância estará ombro a ombro nessa luta.