Operários da Boeing dão exemplo de como agir durante a crise

Operários cruzam os braços na Boeing
Reprodução / Blog dos Grevistas

Há mais de 50 dias não saem aviões dos hangares da Boeing nos Estados Unidos. Cerca de 27 mil funcionários estão em greve desde 6 de setembro. Depois de muitas tentativas de negociação entre sindicato e empresa, os trabalhadores resolveram cruzar os braços numa votação com mais de 87% de adesão.

Os trabalhadores reivindicam mais segurança no trabalho, melhorias no plano de aposentadoria e cobertura médica (nos EUA o sistema previdenciário é privado), aumento salarial e fim das terceirizações na fábrica. Sobre o aumento salarial, a última proposta da empresa propunha um 11% em três anos, enquanto o sindicato defende 13%. A empresa lucrou cerca de US$4,1 bilhões em 2007. Porém os trabalhadores não têm aumento há quatro anos.

Os grevistas estão lutando para que as contribuições para os cuidados de saúde não diminuam e, sobretudo, que seja limitada a possibilidade de a empresa fazer terceirização usando trabalhadores sem contrato com a Boeing e empresas subcontratadas. Em 2002, a empresa impôs um contrato que facilitava a terceirização. Os trabalhadores rejeitaram-no, mas não aprovaram a greve que o sindicato pretendia. A empresa se aproveitou da situação e começou um duro processo de terceirização.

Na atual proposta de acordo coletivo da Boeing, não há garantias de estabilidade no emprego. Ela também reserva o direito de, se necessário, transferir partes da produção e da própria empresa para fora dos EUA, especialmente para Ásia.

Os patrões estão atrás de mão-de-obra mais barata para aumentar seus lucros. O sindicato exige que a maioria da produção seja mantida na unidade de Seattle, incluindo a produção do Dreamliner, o primeiro avião a ser produzido em grande escala fora do país. Expressões da terceirização são as fornecedoras de peças. As asas do Dreamliner são construídas pela Mitsubishi Co. do Japão. As suas portas, pela Latecoere, da França. Uma empresa mista dos EUA e da Itália constrói as seções/fuselagem do avião no estado da Carolina do Sul, entre outras.

Uma greve histórica
Segundo o sindicato, a greve já custa US$100 milhões em prejuízo por dia, custando um total de US$3,36 bilhões em vendas e lucro à empresa.

Além de já estar afetando duramente operações e projetos, a greve pode tomar dimensões ainda maiores. Aos mais de 27 mil metalúrgicos parados, podem se somar 21 mil engenheiros de outro sindicato, que também são contra a diminuição na estabilidade dos empregos na Boeing e a terceirização.

Os trabalhadores da Boeing estão dando uma prova de que é possível sim lutar contra a retirada de direitos e por melhores condições de trabalho e renda. Desde o dia 6 de setembro, centenas de grevistas se somam aos piquetes nos portões da fábrica. Em seu blog, são atualizadas noticias da greve, dos piquetes e dos passos da patronal e do governo americano.

Os patrões estão sentindo a força da greve. Foi necessária uma intervenção do governo federal para intermediar as negociações entre o sindicato e a Boeing. A reunião de negociação começou na quinta-feira, 23. Até o momento, não se chegou a uma resolução.

A burguesia, junto com o governo Bush, teme que a greve possa durar mais. Se isso acontecer, com certeza virão ainda mais prejuízos econômicos. Mas um de seus maiores temores é que essa greve possa contagiar e motivar trabalhadores de outras fábricas e categorias do país que estão sofrendo com os efeitos da crise, com a retirada de direitos e demissões.

É o caso, por exemplo, dos trabalhadores da General Motors, que vive uma de suas maiores crises, podendo decretar falência a qualquer momento. A empresa já cogita a fusão com a Chrysler, outra gigante automobilística em crise. Para isso, o governo norte-americano poderá liberar, nos próximos dias, US$10 bilhões.

A atual situação econômica de recessão nos Estados Unidos está levando os trabalhadores a refletirem mais sobre suas situações e, em caso de ataques como esses, irem à luta. A greve na Boeing é mais uma demonstração de resistência necessária a qual os trabalhadores dos Estados Unidos e de outros países terão que encaminhar no próximo período.

  • Todo apoio à greve dos trabalhadores da Boeing!
  • Pelo atendimento de todas as reivindicações dos trabalhadores! Que os patrões paguem pela crise!
  • Não à terceirização! Por estabilidade no emprego e efetivação dos trabalhadores terceirizados!