O zigue-zague político do P-SOL e os efeitos na greve estudantil da UFF

A greve na Universidade Federal Fluminense (UFF) talvez tenha sido até o presente momento a mais radicalizada, mobilizada e vitoriosa de todo o país. Isso se deve ao fato dos três segmentos (professores, funcionários e estudantes) estarem em greve e conduzindo a mesma de forma unificada. Além disso, a unidade da esquerda contra os governistas e o setor da direita liberal da universidade, que se expressa no bloco dos ‘NO GREVE´ tem sido um fator determinante no sucesso do movimento.

A greve estudantil tem sido a mais mobilizada e talvez seja também a que sofra a mais forte oposição, porque muitos estudantes que não têm nenhum compromisso com o caráter público da universidade e com a luta dos trabalhadores (os anos de refluxo da década de 90 e a política da UNE e do PCdoB e do PT fizeram com que o movimento estudantil brasileiro perdesse o seu corte classista das décadas de 1970 e 1980). E é nesse contexto que após a aprovação da greve numa assembléia geral dos estudantes, no bandejão, com mais de 350 estudantes, de um ato de ocupação na Reitoria, que barrou o aumento do preço do bandejão, contando com 300 estudantes, uma outra ocupação também na Reitoria que conquistou contratação de 25 professores para o Pólo Universitário de Rio das Ostras e uma série de debates e atividades unificadas com docentes e técnico-administrativos, os estudantes mais pobres, que aprovaram a greve e que precisam da universidade pública, por falta de condições econômicas ficam impossibilitados de estar presentes em todos os fóruns do movimento, fazendo com que os NO GREVE, massa de manobra da KIZOMBA (coletivo da Democracia Socialista) e da UJS (PCdoB) comecem a ter um peso maior, além do fato da base social do P-SOL na UFF não ser muito amarrada politicamente e, por isso, comece a pressioná-los pelo fim da greve. Pensando nas próximas eleições do DCE-UFF, o PSOL começa a defender a necessidade da realização de uma nova assembléia, sabendo que uma assembléia nesse momento não expressaria a real correlação de forças da universidade (a greve foi aprovada na maioria dos cursos) e que, portanto, a greve se encerraria, acabando com o seu desgaste e com o fortalecimento do PSTU nesse processo de luta. Diante disso, eles fizeram aprovar a assembléia (junto com os governistas) e a data que queriam no Conselho de DA`s. Nós levamos a maior parte do ativismo para essa assembléia, mas os professores fura-greve liberaram suas turmas (dentre eles Daniel Aarão Reis, ex-estalinista, agora pós-moderno) e construíram uma maioria artificial, tendo a assembléia implodido e a greve seguido em frente, devido à ação do ativismo da greve, dos membros do coletivo UFF Levantou Poeira (PSTU e independentes) e de uma parte expressiva da militância de base do P-SOL, que, a revelia de sua direção, seguiram na luta contra os setores mais conservadores da universidade.

Além disso, o P-SOL tentou boicotar de todas as formas a Plenária Nacional das universidades e escolas federais em greve, no dia 12 de outubro, na UFF, sendo que tiveram de vir ao serem derrotados, com a realização da Plenária no Teatro do DCE, com a presença de mais de 200 estudantes, a aprovação de uma pauta de reivindicações, um calendário de mobilizações e a formação de um Comando Nacional de Greve e Mobilização dos Estudantes. A plenária convocada por eles em São Paulo, no dia 15, foi um verdadeiro fracasso, com a participação de 80 pessoas.

Por fim, durante uma reunião do Comando de Greve Estudantil da UFF, na hora da eleição do nome para o delegado da UFF no Comando Nacional, eles insistiram que tudo tinha que ser decidido por consenso (tanto aqui quanto no Comando em Brasília), e nós e a maioria esmagadora do ativismo da greve defendemos que o Comando deveria funcionar democraticamente por meio do voto. Ao verem que perderiam a polêmica e diante de uma votação em que seriam esmagados, com o total rechaço de sua proposição, os companheiros do P-SOL decidem por se retirar do Comando. A reunião seguiu e o Comando segue funcionando. Com a virada política da greve da UFF, a partir do desgaste do bloco dos NO GREVE, que apoiaram a ação repressora da PM a estudantes e trabalhadores em greve e com a vitória obtida pelo movimento de greve, com a aprovação no Conselho Universitário da proibição da entrada da PM no campus da UFF, os companheiros do P-SOL decidiram rever sua posição e retornar ao comando. Nós aceitamos a volta dos companheiros e consideramos isso uma vitória da greve, por manter a unidade da esquerda e fortalecer os processos de luta. Porém, ressaltamos que não aceitaremos qualquer tipo de chantagem. No movimento, nem sempre as coisas são como tal ou qual força política querem. É bom falar que os companheiros, não concordando com a vigília na reitoria neste último ato, só vieram na hora do Conselho. Socialismo democrático é se submeter à maioria que está em luta e respeitar os fóruns do movimento, no entanto, sem vacilar um segundo sequer na luta a favor da causa dos trabalhadores.

Esperamos, sinceramente, que o P-SOL reveja suas posições e defina de uma vez de que lado está. Que não façam na educação como fizeram na greve da Saúde em que aceitaram um acordo rebaixado do governo junto as correntes governistas. Que não aceitem mais em suas fileiras figuras como Geraldo Mesquita, envolvido em corrupção e prática de nepotismo. Que deixem de dar um verniz de esquerda à UNE e à CUT, fortalecendo os tentáculos do governo no movimento e freando, conseqüentemente, um processo mais amplo de lutas. Que não façam aliança com o PDT, partido burguês e que compõe o governo de José serra em São Paulo, para as eleições de 2006. Mas, sim, que sigam em unidade conosco na greve da Educação. Que rompam com a UNE e com a CUT e venham construir a Conlute e a Conlutas, alternativas de direção, autônomas, democráticas e de luta para o movimento de massas. E que estejamos juntos numa Frente Classista e Socialista nas eleições de 2006, com a unidade da esquerda e dos lutadores.