O retrato da barbárie racista e machista no Brasil

Rio de Janeiro - Em ato Contra o Genocídio da Juventude Negra, manifestantes protestam contra a morte de cinco jovens negros por PMs no último sábado (28), em Costa Barros, na zona norte (Tomaz Silva/Agência Brasil)

O Atlas da Violência de 2018, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostra toda a barbárie machista e racista existente hoje no Brasil.

Em 2016, segundo informações do Ministério da Saúde, o Brasil alcançou a marca histórica de 62.517 homicídios. Isso equivale a uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes, o que corresponde a 30 vezes a taxa da Europa. Apenas nos últimos dez anos, 553 mil pessoas perderam suas vidas devido à violência no Brasil. A maioria esmagadora de pobres e negros. Segundo o Atlas, 71,5% das pessoas que foram assassinadas a cada ano no país são negras. “São mais de 320 mil jovens negros e pobres que foram assassinados nesse período. Os dados abarcam os tempos dos governos do PT e comprovam que na última década ocorreu um genocídio que vitimou sobretudo a juventude negra e pobre”, denuncia Hertz Dias, pré-candidato à presidência da República pelo PSTU.

Em 2016, no país 33.590 jovens foram assassinados.  Os assassinatos de negros aumentaram 23% em ralação ao ano anterior.

Aumento do feminicídio
O Atlas também mostra a violência contra a mulher no Brasil. O feminicídio também aumentou ao longo da última década. De acordo com o levantamento, o número de casos registrados de homicídios contra a mulher teve um acréscimo de 15,5%, acumulando um total de 4.645 mortes só em 2016.

No Rio Grande do Norte e Amazonas, o crescimento alcançou a casa dos 130% entre 2006 e 2010. No caso das mulheres negras, a taxa de homicídios é 71% maior do que as mulheres não-negras. O aumento da violência contra mulheres negras aumentou, nos últimos 10 anos, em 15,4%. Entre as mulheres não-negras, porém, o número chegou a cair em 8%.

Precisamos parar de pagar a dívida pública que consome quase a metade do nosso orçamento”, explica Hertz Dias. Ele defende como medidas descriminalizar as drogas e colocar toda a produção e o comércio sob o controle do Estado. Também defende desmilitarizar a PM.  “Precisamos expropriar as 100 maiores empresas do país, diminuir a jornada de trabalho pra gerar emprego para a juventude”, diz Hertz.

Se no período colonial nossos antepassados negros e negras declaravam sua humanidade fazendo rebeliões contra a escravidão, hoje em dia, mais do que nunca, esse país precisa de uma grande rebelião socialista pra garantir aos pobres e negros um direito básico, o direito à vida“, finaliza.