O que 2018 deixa e o que virá em 2019 para nossas lutas

Ninguém poderá negar que 2018 foi um ano intenso. O imperialismo e as burguesias nacionais não abrandaram seus ataques, mantendo-se firmes em sua intenção de que a crise econômica – que eles geraram – seja paga pela classe operária e pelos povos explorados do mundo.[1]

Daniel Sugasti

Há mais de uma década, o mundo atravessa uma crise econômica que se expressa em uma “curva descendente” do sistema capitalista como um todo.

Isto significa que, apesar de que possam existir débeis e efêmeras “recuperações” em um ou outro país ou região, a tendência geral é que a crise se aprofunde, e isto somente pode traduzir-se em mais desemprego, miséria, crises migratórias, guerras regionais, ataques frontais dos governos contra os direitos históricos conquistados pela nossa classe, etc. Em suma, em mais exploração e deterioração de nossas condições de vida. [2]

Há economistas que, inclusive, preveem uma possível recessão mundial em um período próximo, um fato que teria consequências imprevisíveis no social e político.

A classe trabalhadora e os povos resistem
Mas não somente os capitalistas atuam. A classe operária e os povos oprimidos também têm dado mostras, como em anos anteriores, de uma enorme disposição de luta.

Houve derrotas e vitórias, avanços e retrocessos, mas a classe trabalhadora, em geral, resiste aos planos de descarregar o peso da crise dos ricos em suas costas.

Este panorama, que em última instância pode sintetizar-se nos altos e baixos e fases do enfrentamento fundamental entre revolução e contrarrevolução, é normal que gere uma enorme instabilidade política e uma crescente polarização/radicalização da luta de classes, que abarca quase todos os países e continentes.

guerra social que os capitalistas declararam à classe operária ainda não tem um vencedor. Esta luta está em curso. Não é possível predeterminar o resultado desta duríssima contenda social e política. Mas, se levarmos em conta o curso deste ano que termina, é possível supor que 2019 será um ano tanto ou mais intenso e até decisivo para o rumo de muitas batalhas principais.

Em 2018 houve mobilizações gigantescas, muitas delas radicalizadas. No momento de escrever estas linhas, por exemplo, presenciamos a fortíssima luta dos “coletes amarelos” franceses, que se enfrentam – ao custo de dezenas de feridos e detidos – com a polícia em Paris. Os “coletes amarelos” já puseram o arrogante Macron na defensiva, obrigando-o a retroceder em algumas questões. Além disso, os manifestantes gauleses contam com 70% de apoio popular, inclusive quando expõem a guilhotina em plena avenida dos Campos Elíseos[3]. A luta dos “coletes amarelos” – que ainda não está resolvida – teve ecos em Bruxelas, Madri, e outras cidades. Isto é um incentivo importante.

Protestos na França

Por outro lado, o povo húngaro, recentemente, encostou contra a parede o governo do ultradireitista e  xenófobo Orbán. Milhares se mobilizaram para derrubar o decreto que denominaram, com razão, como “lei da escravidão”[4].  Recordemos que o ano havia começado com a impressionante greve dos metalúrgicos alemães pela semana de trabalho de 28 horas [5]. Em Portugal, os estivadores e dezenas de setores estão em greve ou mantendo lutas intensas. Na Albânia, as ruas gritam contra as taxas universitárias. Na Sérvia, contra a violência estatal.

Protestos na Hungria

Existe instabilidade política nos próprios EUA, o imperialismo hegemônico. A eleição de Trump e o resultado das eleições de “meio mandato”, realizadas em novembro, mostram, ainda que de forma distorcida, uma polarização política importante, assim como um revés eleitoral do atual governo estadunidense[6].

Em outras palavras, esta situação de maiores choques entre as classes e de polarização não ocorre somente nos países mais pobres, semicoloniais, mas também afeta, evidentemente de maneira desigual, a alguns países imperialistas centrais.

E falando de países semicoloniais, em 2018 presenciamos verdadeiras insurreições que enfrentaram regimes ditatoriais e sanguinários. No final de 2017, começou um processo insurrecional contra o ditador Juan Orlando Hernández (JOH) em Honduras, que continuou em 2018 marcado por ações de massas e por uma repressão sangrenta[7].

Protestos na Nicarágua

Em abril deste ano, explodiu outro processo revolucionário contra a ditadura corrupta de Daniel Ortega e Rosario Murillo, que também foi reprimido de maneira brutal, mas que não está derrotado [8]. A América Central, de fato, esteve no centro dos acontecimentos políticos latino-americanos em 2018, seja por estes processos insurrecionais, pela repressão selvagem que as ditaduras questionadas exerceram nas ruas, mas também por expressar a enorme crise migratória que levou milhares de pessoas a empreender uma inédita caravana até à fronteira do México com os EUA[9] , cujo resultado ainda está por ver.

A Argentina, com os dias de luta de dezembro de 2017 contra os planos de ajuste do governo de Macri, também merece um destaque importante. Foi referencia para o mundo inteiro na luta contra a opressão da mulher. Milhares de mulheres argentinas saíram, valentemente, às ruas exigindo a legalização do aborto e o direito a decidir sobre nosso próprio corpo. Este processo inspirou mulheres de outros países da região. De fato, as mulheres combatendo a ditadura na Nicarágua, protestando no Irã, na Irlanda, no Chile e essa luta pelo aborto legal na Argentina são parte de um ascenso generalizado das lutas contra as opressões [10]. Um ascenso no qual se destacam, também, as incontáveis lutas dos negros e dos LGBTI, todas elas apoiadas incondicionalmente pela LIT-QI.

Manifestação pela legalização do aborto na Argentina

Há um processo de lutas fortíssimas na América Latina. E, também, de maneira mais desigual, poderíamos dizer que existe um processo de reorganização. A recente vitória da chapa ORO nas eleições de sindicato de mineiros de Huanuni, na Bolívia, contra todo o aparato do MAS de Evo Morales, é uma mostra disso. Aqueles céticos da classe operária, ou diretamente derrotistas, que passam seus dias alardeando uma suposta “onda conservadora”, fixando-se somente em certos resultados eleitorais, estão batendo de frente com a realidade.

Na África houve lutas intensas na República Centro-africana. Por outro lado, em agosto caiu o ditador Mugabe, a partir de um processo de mobilização popular importante, ainda que continue pendente a luta para acabar de uma vez por todas com o regime ditatorial do Zimbabue [11] . Na África do Sul, a grande noticia é mais recente. Nos primeiros dias de dezembro, foi fundado o Partido Socialista Revolucionário dos Trabalhadores, com a participação de representantes da nossa corrente. Isto é, sem dúvida, um passo adiante no processo de reorganização política em um país de muita importância para o continente africano  [12] .

No Oriente Médio, a polarização se expressou, principalmente, nos duros enfrentamentos que aconteceram durante a Marcha do Retorno, que este ano teve um complemento especial pelo motivo dos 70 anos da ocupação israelense. Isto gerou um processo de mobilização importante e radicalizado, com centenas de mortos palestinos que, mais uma vez, deram mostras de coragem ao enfrentar com pedras e pneus queimados o poderio do Estado sionista de Israel [13].

Nakba Palestina

Os “de cima” reprimem e a ultradireita ganha terreno
Esta luta dos povos, ora na ofensiva ora na defensiva, evidentemente teve e terá sua contrapartida. Gerou um ressurgimento da ultradireita e um recrudescimento da repressão e da criminalização da luta social.

Centenas de lutadores foram assassinados na Venezuela, em Honduras, na Nicarágua e na Palestina, para citar alguns exemplos. Continua a matança contra o povo sírio nas mãos do eixo Assad-Putin-Hezbolá-Irã. Todos os dias, centenas de pessoas morrem no Iêmen, no marco de uma agressão sanguinária da ditadura teocrática da Arábia Saudita ao país mais pobre do Oriente Médio. Na Europa, centenas foram presos na França e Hungria.

Na Argentina, a luta contra os planos de austeridade aumentou a repressão por parte do governo de Macri. Neste caso, nosso partido na Argentina, o PSTU, foi seriamente perseguido. Desde o início do ano, nosso camarada Sebastián Romero, está sendo caçado pelo Estado pelo simples fato de ter participado no final do ano passado em uma manifestação que defendia as aposentadorias [14] ; e pela mesma causa, nosso companheiro e dirigente operário Daniel Ruiz, foi preso e continua encarcerado [15] .

Daniel Ruiz

Entretanto, longe de nos intimidar e de influenciar o movimento social como um todo, a luta continua na Argentina. Isto ficou demonstrado no protesto contra o G20 que tomou conta de Buenos Aires em dezembro, apesar do descomunal operativo de repressão policial-militar montado pelo governo de Macri e seus convidados “de honra”, os maiores bandidos imperialistas do planeta.

Na luta contra o G20, tivemos o orgulho de participar como LIT-QI, nas ruas, junto com o povo trabalhador argentino [16] .

Manifestação contra o G20 na Argentina

A polarização social e política, a instabilidade e as crises “por cima”; as traições do reformismo e das putrefatas burocracias sindicais tradicionais, somados à falta de uma direção política revolucionária fortemente arraigada na classe operária, contribuíram para o surgimento de novos fenômenos, que causaram grandes debates na esquerda.

No Brasil, após o constante aumento dos combustíveis surgiu uma greve de setores da classe média e trabalhadores autônomos que paralisou o país. O que ficou conhecido como a Greve dos Caminhoneiros, um fato novo da realidade, com muita similaridade ao que presenciamos na França [17] .

Em outubro, a enorme crise aberta com o processo de gigantescas mobilizações de 2013 e que foi se agravando nos últimos anos, se expressou eleitoralmente na vitória do ultradireitista e ex militar Jair Bolsonaro. Não porque agora a maioria dos trabalhadores ou da arruinada classe média do Brasil tornou-se ultradireitista, ou de repente, se transformou em “fascista” – como dizem alguns setores adeptos da teoria da “onda conservadora” – , e sim porque a maioria da população rompeu de maneira profunda com os governos do PT, que traiu de maneira grotesca toda a esperança que grande parte do povo brasileiro depositou nesse partido.

Jair Bolsonaro

O PT de Lula governou o país durante 13 anos, sem mudar nada de maneira estrutural e enlameando-se até o pescoço em escandalosos casos de corrupção. O voto em Bolsonaro foi, em grande medida, um “voto castigo” ao PT e, em certo sentido, a “todo o sistema” corrupto brasileiro. Expressou, Expressou, antes de qualquer coisa, uma enorme crise da decadente “democracia” burguesa e de suas instituições. Também colocou em evidencia, lamentavelmente, a falta de uma direção revolucionária com peso decisivo na classe operária e entre os setores populares [18] .

Assim, a classe trabalhadora no Brasil, a maior da América Latina, está sob um ataque constante ao seu nível de vida. As contrarreformas neoliberais foram impulsionadas, na realidade, por todos os governos do PT, depois por Temer – que, não esqueçamos, era o vice-presidente de Dilma-, e agora é muito provável que se aprofundem por meio do governo ultradireitista e ultraneoliberal de Bolsonaro, que incorporou vários ministros militares em seu gabinete.

Mas a classe operária e o povo brasileiro não estão derrotados. E no próximo ano se avizinham enfrentamentos decisivos. A luta de classes dará seu veredicto.

Como viemos mostrando, esta situação de polarização, além de abrir crises nos partidos reformistas tradicionais, gera espaços maiores para posições mais radicais, desde a esquerda revolucionária até à ultradireita mais rançosa[19]. E, repetimos, nada está definido. Tudo dependerá da luta de classes.

A crise do neorreformismo e o espaço para os revolucionários
Com a crise econômica, sem perspectiva de solução em curto prazo, o reformismo e o neorreformismo têm mostrado cada vez menos capacidade de enganar e conter os movimentos sociais, ou de “controlar” os novos fenômenos, a maioria deles espontâneos.

Não existe mais a mesma “gordura” para queimar ou o mesmo espaço para fazer “concessões” que existia antes. O reformismo clássico, a antiga socialdemocracia, há tempos se incorporou claramente ao aparato estatal burguês e à gestão direta dos planos de austeridade e o neorreformismo(Syriza, Podemos, PSOL, etc.) não oferece – ou faz – nada diferente.

Pedro Sánchez e Pablo Iglesias

Isto gerou uma enorme crise nestas correntes durante os últimos anos. A crise do PT brasileiro, o desmascaramento do Syriza, que assumiu o governo na Grécia para aplicar os mesmos planos de ajuste que aplicava a “direita tradicional” a mando da Troika, o esvaziamento do efêmero “fenômeno PODEMOS” no Estado espanhol [20] , que agora apoia o governo de Pedro Sánchez ou a sanguinária repressão exercida por Maduro y Ortega na América Latina, são algumas amostras dessa crise e do descrédito crescente nestes aparatos.

Os partidos reformistas ou neorreformistas, que estão mais desacreditados e com mais dificuldades de conter as lutas – quando não governam e atacam a classe diretamente -, abrem cada dia mais espaço para as organizações revolucionárias, como nossa corrente. Não existe nenhuma avenida aberta, com certeza. Mas existe mais espaço e uma audiência superior para propostas revolucionárias para sair da crise.

Entretanto, não estamos nem estaremos sozinhos nesta luta pela consciência da classe operária. Além do “velho” e do “novo” reformismo, existe o fenômeno de certas expressões de ultradireita que também crescem, muitas vezes abraçando bandeiras, geralmente abandonadas pelo reformismo e pelo castro-chavismo, como a ruptura com a UE na Europa, ou a luta contra as atrocidades das ditaduras de Maduro e Ortega na América Latina. Assim, não fazem mais do que facilitar o avanço dos setores mais reacionários e amplificar sua campanha de desprestígio contra “a esquerda” e contra “o socialismo” ante a classe trabalhadora. O combate à ultradireita deve ser implacável, em todos os terrenos.

A única saída: construir uma direção revolucionária mundial
A única saída para resolver toda esta crise econômico-social a favor da classe operária e dos povos oprimidos passa por, além de enfrentar os governos e seus agentes nas ruas e a partir de nossas organizações, construir uma direção política revolucionária, operária, socialista e internacionalista. Não há outro caminho.

Isto significa construir partidos nacionais, como parte de uma Internacional revolucionária e centralizada democraticamente, fortemente arraigados na classe operária industrial e ancorados na teoria marxista. Construir fortes partidos e uma Internacional com a estratégia da tomada de poder por parte da classe operária e da construção do socialismo a nível mundial.

Esta Internacional, sem negar nossas limitações de todo tipo, para nós é e continuará sendo a LIT-QI, que, por sua vez, nunca foi concebida como um fim em si mesma e sim como uma ferramenta para a reconstrução da Quarta Internacional, fundada há 80 anos pelo revolucionário russo León Trotsky como embrião do Partido Mundial da Revolução Socialista[21]  .

Esta é a grande tarefa, camaradas. Por um 2019 de muitas lutas e vitórias para nossa classe.

[1]  Veja nossa retrospectiva de 2018 no vídeo do programa especial de Marxismo Vivohttps://www.youtube.com/watch?list=PLALYQAbbBFqYLWNi9ooXj8RdtcSOkfrne&v=Uo7e9-B2xok

[2] Ver: https://litci.org/pt/mundo/america-latina/argentina/o-mecanismo-da-crise-economica/;

https://litci.org/es/menu/economia/10-anos-la-crisis-los-ricos-mas-ricos-los-pobres-mas-pobres/

[3] Ver: https://litci.org/pt/mundo/europa-mundo/franca/macron-na-defensiva/

[4] Ver: https://litci.org/pt/mundo/europa-mundo/hungria/aumentam-os-protestos-na-hungria/

[5] Ver: https://litci.org/pt/mundo/europa-mundo/alemanha/ig-metall-trava-luta-dos-metalurgicos-alemaes/https://litci.org/pt/mundo/europa-mundo/alemanha/forte-greve-de-operarios-metalurgicos-na-alemanha-pelas-28-horas-semanais-de-trabalho/

[6] Ver: https://litci.org/pt/mundo/america-do-norte/eua/estados-unidos-uma-derrota-parcial-de-trump/

[7] Ver: https://litci.org/pt/especiais/crise-em-honduras/insurreicao-total-ate-derrubar-joh/

[8] Ver: https://litci.org/pt/mundo/america-latina/costa-rica/que-a-luta-se-estenda-por-toda-a-america-central/

[9] Ver: https://litci.org/pt/mundo/america-do-norte/eua/joh-e-trump-os-principais-responsaveis-pela-migracao/

https://litci.org/pt/mundo/america-do-norte/eua/cercar-de-solidariedade-a-caravana-dos-migrantes/

[10] Ver: https://litci.org/es/menu/opresiones/mujeres/mujeres-luchas-polemicas-futuro-la-pelea/

[11] Ver: https://litci.org/pt/mundo/africa/zimbabue/zimbabue-caiu-o-ditador-mas-nao-uma-ditadura/

[12] Ver: https://litci.org/pt/mundo/africa/africa-do-sul/africa-do-sul-trabalhadores-lancam-o-seu-partido/

[13] Ver: https://litci.org/pt/mundo/oriente-medio-mundo/palestina/milhares-se-manifestam-em-gaza-na-vespera-do-dia-da-nakba/

[14] Ver: https://litci.org/pt/mundo/america-latina/argentina/carta-de-sebastian-romero/;

https://litci.org/es/menu/polemica/ano-las-jornadas-del-14-18-diciembre-argentina/

[15] Ver: https://litci.org/es/menu/mundo/latinoamerica/argentina/carta-sebastian-romero/https://litci.org/es/menu/polemica/ano-las-jornadas-del-14-18-diciembre-argentina/

[16] https://litci.org/pt/especiais/cobertura-g20/argentina-o-que-o-g20-nos-deixou/

[17] https://litci.org/pt/mundo/america-latina/brasil/fala-ze-maria-por-que-e-preciso-dar-todo-apoio-a-greve-dos-caminhoneiros/ ; https://litci.org/pt/mundo/america-latina/brasil/greve-dos-caminhoneiros-o-que-faltou-para-a-greve-geral-que-unisse-todos-na-luta/

[18] Ver: https://litci.org/pt/mundo/america-latina/brasil/para-onde-vai-o-brasil-com-bolsonaro/https://litci.org/pt/mundo/america-latina/brasil/a-responsabilidade-do-pt-na-ascensao-de-bolsonaro/

[19] Ver: https://litci.org/es/menu/polemica/combatir-la-ultraderecha/

[20] Ver: https://litci.org/pt/mundo/europa-mundo/estado-espanhol/podemos-a-muleta-de-pedro-sanchez/

[21] Ver: https://litci.org/es/menu/teoria/historia/defensa-la-cuarta-internacional/https://litci.org/es/menu/especial/80-anos-de-la-cuarta/defensa-la-iv-internacional-ii-parte/

Tradução: Lilian Enck

Daniel Sugasti