Nove anos do assassinato de Gildo Rocha

No dia 6 de outubro de 2009 completaram nove anos do assassinato de Gildo da Silva Rocha, companheiro, trabalhador, sindicalista, diretor do SINDSER-DF e militante do PSTU. Ele foi morto em Ceilândia, por policiais civis durante um piquete da greve do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), órgão do qual era servidor e trabalhava como gari.

Passados noves anos, ninguém foi punido e a perpetuação da injustiça se agiganta com a recente sentença proferida pela justiça (setembro/2009) negando à esposa e filhos de Gildo qualquer indenização pelo crime que tirou a vida de seu marido aos 33 anos.

O crime revoltou o movimento sindical pela forma covarde e mentirosa com que agiram os policiais. Gildo levou um tiro pelas costas e ainda, mesmo depois de morto, foi vítima de calúnias e difamações por parte da polícia para justificar o injustificável. Posteriormente a perícia realizada pela polícia civil do DF desmentiu a armação feita pelos policiais para acobertar o crime que haviam cometido.

Governo Roriz
Em 2000, Joaquim Roriz era o governador de Brasília e em suas costas, pesam dois crimes contra trabalhadores inocentes. Gildo foi o segundo trabalhador morto pela intolerância e violência contra as lutas sindicais no governo Roriz. Em 1999, durante uma assembléia e piquete na greve da Novacap, foi assassinado o trabalhador José Ferreira da Silva, crime que ficou conhecido como o Massacre da Novacap.

A repressão à luta dos trabalhadores e os assassinatos fizeram parte de uma política de privatização e tercerização das empresas públicas. O SLU foi privatizado e o contrato firmado entre o governo do Distrito Federal e a Qualix rendeu a essa empresa privada a fabulosa quantia de R$ 658 milhões, entre 2000 e 2006.

Nesse período a Qualix descumpriu uma série de obrigações, cometeu várias infrações, mas nunca recebeu sequer uma multa do governo. A empresa tinha a obrigação de desativar o Lixão da Estrutural, recuperar a área degradada e reintegrá-la ao Parque Nacional de Brasília (Água Mineral), implantar e colocar em operação o novo aterro sanitário e dar continuidade a atividades de coleta seletiva de lixo. Nada disso foi feito. O governo, porém, continuou despejando milhões nos cofres da empresa.

Autoridades e policiais seguem impunes. Nós, do PSTU, não esqueceremos e continuaremos lutando contra a impunidade, exigindo punição aos assassinos e indenização à família de Gildo. Em seus 15 anos, o PSTU presta sua homenagem militante aos trabalhadores Gildo da Silva Rocha e José Ferreira da Silva, assassinados pela repressão policial movida contra movimentos legítimos dos trabalhadores.

Manteremos acesa a luta pela responsabilização e punição dos autores e mandantes desses crimes, bem como pela indenização plena de suas famílias.

Viva a luta dos trabalhadores! Viva Gildo! Viva Zé Ferreira!
Nove anos de impunidade para a polícia que mata! Nove anos sem Gildo da Silva Rocha!