Professores do Maranhão atropelam direção do sindicato e caminham para greve

Direção do sindicato, ligada ao PCdoB e ao PT, foge da assembleia, mas base define por continuação das mobilizações pelo reajuste de 19,2%Os professores da rede estadual do Maranhão paralisaram suas atividades na semana passada por 48 horas, iniciando as mobilizações da campanha salarial. A categoria reivindica reajuste salarial de 19,2% (índice referente ao aumento das verbas do Fundeb destinadas ao Estado) e a aprovação do PCCS dos trabalhadores da educação.

A governadora Roseana Sarney, que durante os seus dois primeiros mandatos não construiu uma escola sequer e foi a responsável pela implantação do Tele-Ensino (mais conhecido como Tele-Engano e que custou aos cofres públicos cerca de R$ 160 milhões), ofereceu reajuste de 6,1%, proposta que foi rejeitada pela categoria em assembleia no dia 21 de setembro.

No primeiro dia de paralisação, 29 de setembro, enquanto a direção do sindicato, ligada ao PCdoB e ao PT, que negocia um acordo rebaixado e cargos com o governo, chamava apenas reuniões com os pais nas escolas, mais de 300 professores participaram de uma passeata organizada pela Oposição pelas ruas do centro de São Luís.

Na quarta-feira, 30, a direção do sindicato tentou mais uma vez dar um golpe durante o credenciamento da assembleia. Percebendo que estava em minoria, criou um tumulto para impedir a sua realização, desligou a caixa de som e se retirou do auditório onde ocorreria a assembleia.

Entretanto, mesmo sem a direção do sindicato, os professores permaneceram no auditório e realizaram a assembleia numa verdadeira rebelião de base. Assim como ocorreu há dois anos, quando a categoria atropelou a burocracia sindical e foi a uma greve de quase cem dias contra a lei do então governador Jackson Lago que reduzia os salários da categoria.

Diferente das assembleias feitas pela direção onde a base é impedida de falar, desta vez reinou a democracia e qualquer um pode se inscrever e colocar sua opinião. A assembleia definiu a instalação de estado de greve e paralisação por tempo indeterminado a partir de quarta-feira, 7 de outubro.

Sabemos que a burocracia sindical da CUT e CTB tentarão a todo custo isolar a greve e assinar um acordo rebaixado para preservar o governo e negociar cargos. Por isso é preciso agora fortalecer a luta com todos os trabalhadores da educação e unificar as mobilizações com as demais categorias mobilizadas: bancários em greve desde o dia 24 do mês passado e os servidores da CAEMA (Companhia de Águas e Esgotos) em greve a partir do dia 5. A Conlutas vai levar o apoio e a solidariedade a estas lutas.