No Ceará, professores enfrentam governo com a maior greve dos últimos anos

Professores em greve tomam as ruas de Fortaleza

Nesse dia 27 de setembro, greve dos professores no estado completou 54 diasNo estado do Ceará, os professores da rede pública estão em greve desde o dia 5 de agosto e fazem uma das maiores mobilizações dos últimos anos. Como em outros estados, os trabalhadores da educação exigem a aplicação da lei do Piso Nacional. E como em outros estados, batem de frente com a truculência e intransigência do governo, no caso o governo de Cid Gomes (PSB). Além de não negociar com os professores, o governador ataca a categoria na imprensa e dá declarações como “quem entra na atividade pública deve entrar por amor, não por dinheiro” .

O estado que conta com o 5º pior piso nacional ainda sofre com a precária estrutura nas escolas e salas superlotadas. “Nossa greve está muito forte, com uma grande participação da base“, afirma Nivânia Menezes, do Comando de Greve e da CSP-Conlutas. “No início da greve, o governo tinha uma proposta que, além de não aplicar o piso, ainda atacava nosso Plano de Carreira”, explica. A proposta do governo ficou conhecida na categoria como ‘tabela maldita’ e apostava na divisão da categoria para derrotar a mobilização.

A força do movimento, porém, vem fazendo o governador recuar. Na rodada de negociação imposta pela greve e realizada no último dia 22 o governo apresentou a proposta da implementação de 2 tabelas salariais, garantindo o piso aos professores de nível médio. “Nós recusamos porque isso beneficiaria apenas uma pequena parte da categoria, apenas 250 professores”, explica Nivânia. O estado conta com algo como 25 mil professores na rede estadual. Ao restante dos professores, o governador afirmou que “abriria” o Orçamento para estudar o que seria possível fazer.

A dirigente do Comando de Greve explica que não está nos planos de Cid garantir mais recursos para área e para a aplicação do piso. “O orçamento que o governo Cid pretende apresentar é o mesmo destinado atualmente à educação, ou seja, 29,5%, o que torna inviável a implantação do piso na carreira atual”, diz.

Autoritarismo
Além da intransigência nas negociações e das declarações na imprensa atacando a categoria, o governo ainda ameaçou abrir processo administrativo contra os professores que insistissem em continuar em greve. Já a Justiça “orientou” o retorno dos educadores à sala de aula.

Por mais que a direção da Apeoc, o sindicato dos professores do Ceará, ligada à CUT, venha trabalhando contra a greve, não colocando, por exemplo, a estrutura da entidade à serviço da mobilização e defendendo o retorno ao trabalho nas últimas assembleias, a base está passando por cima dessa orientação e encampando a paralisação. A assembleia do último dia 23 ratificou a continuidade da greve e nesse dia 28 os professores fazem um novo ato público no Palácio do Governo. No próximo dia 30 ocorre nova assembleia.

“Estamos resistindo ao governo e vamos continuar lutando, pela aplicação do Piso e a repercussão na carreira” finaliza Nivânia.

VEJA O ATO DO ÚLTIMO DIA 21

Texto modificado à 0h45 de 28/09/2011