Morte de Celso Daniel reabre debate sobre a impunidade

O seqüestro seguido de assassinato do prefeito de Santo André (ABC paulista), Celso Daniel, ocorridos na semana passada chocou a população e provocou o recrudescimento do debate sobre a violência, a ação de grupos de extermínio e a segurança pública no país. O presidente Fernando Henrique e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (ambos do PSDB) chegaram a propor desde a proibição de telefones celulares pré-pagos até a pena de morte para os seqüestros.

Algumas barbaridades foram ditas, como a do secretário-geral da Presidência (e ex-militante guerrilheiro de esquerda nos anos 60), Aloísio Nunes Ferreira, que defendeu a retomada de ações “organizadas como ocorriam durante o regime militar para desbaratar o crime organizado”.

O que não foi levantado pelos governantes e teve pouca expressão na mídia nacional foi que desde o início do atual governo, a miséria e o desemprego aumentaram em proporções geométricas. Milhares de brasileiros foram jogados às margens da sociedade, tudo em nome de uma ordem que enriquece cada dia mais alguns empresários e banqueiros e deixa para a imensa maioria da população trabalhadora a conta dos acordos com o FMI, o pagamento das dívidas interna e externa e a redução do papel do Estado nas áreas que não interessam ao capital. A população tem que se mobilizar contra a escalada da violência, mas para dizer não à tortura, à pena de morte, para uma ação organizada sobre as causas da violência (a fome, o desemprego, a violência estatal). O que significa defender o não pagamento da dívida externa, a ruptura dos acordos com o Fundo Monetário Internacional que só tiram mais direitos do trabalhador e contribuem para a atual situação do país.

Petistas se pronunciam
Durante o enterro do prefeito Celso Daniel, o Opinião Socialista ouviu vários dirigentes políticos e sindicais. Leia aqui algumas declarações

Lula:
“Eu não acredito que o Celso foi morto por obra do destino, ou seja, que estava vindo do restaurante e dois carros com bandidos que estavam passeando de noite, de repente, sortearam o carro do Celso para abordar. Não acredito nessa hipótese. Na minha opinião deve haver algo mais. Eu não quero afirmar nada porque não sou delegado, mas estou convencido que tem coisa por trás.”

João Felício (presidente da CUT):
“A ausência de segurança e a corrupção que existe na polícia brasileira, a forma como determinados setores se apoderaram do aparelho de Estado vai exigir das autoridades e da população uma forte pressão para que haja uma limpeza total no aparelho de Estado.”

João Batista “Babá” (deputado federal pelo PT/PA):
“Nós caracterizamos que isso aí claramente é um ataque da ultradireita, aliada a setores do narcotráfico, de quadrilhas de roubo de cargas. Há todo um jogo em função disso aí de setores da direita que, na verdade, querem criar um clima de terror no país para tentar criar na população uma imagem de que num governo Lula a violência iria imperar.”

César José Bonjuani Pagan (prefeito de Amparo/SP, um dos que recebeu ameaças de morte):
“Eu não sei o que está acontecendo e se alguém sabe, mas a quantidade de eventos que têm acontecido… A probabilidade de que aconteça um é razoável, dois já é mais difícil. Agora, três, quatro… sete, aí tende a indicar que é impossível que não haja uma relação entre os casos. Talvez não haja uma relação de articulação entre eles, no planejamento direto. Talvez sejam vários focos de ação, mas que estão direcionadas.”

Post author Luciana Araújo, da redação
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