Ministério da Justiça concede anistia política a ex-metalúrgicos da GM

O Ministério da Justiça concedeu nesta quinta-feira, dia 2, o título de anistiados políticos a 65 ex-metalúrgicos da General Motors, demitidos na histórica greve de 1985. Esses trabalhadores perderam seus empregos e foram alvos da perseguição política por sua atuação na mobilização ocorrida naquele ano.

A sessão de julgamento foi presidida pela juíza Sueli Aparecida Belotto, da Comissão e Anistia do Ministério da Justiça que, em nome do Estado brasileiro, pediu perdão aos anistiados pelos danos causados pela ditadura.

Entre os demitidos, a maioria trabalhou na GM de São José dos Campos. Apenas um trabalhador é da fábrica de São Caetano do Sul. Entre eles, havia diretores do sindicato, cipeiros, membros da Comissão de Fábrica e ativistas sindicais.

Os ex-metalúrgicos receberão indenização retroativa e prestação mensal permanente continuada, uma espécie de aposentadoria. O valor de cada indenização será definido de acordo com a função ocupada pelos trabalhadores na época da demissão. As indenizações variam entre R$98.852,30 e R$427.000,00. Elas são retroativas a cinco anos anteriores à data de entrada de cada processo.

Reparação histórica
Estes anistiados da GM são trabalhadores que foram protagonistas de uma fase sombria do país e da perseguição da ditadura militar.

A greve na GM, por aumento de salário e redução da jornada para 44 horas semanais, foi deflagrada em 11 de abril de 1985 e durou 28 dias. Mas o clima de tensão foi intensificado quando, no dia 25, a empresa anunciou a demissão de 93 trabalhadores. Iniciou-se, então, a ocupação da fábrica, que só terminou 17 dias depois, quando 700 homens da Polícia Militar ameaçavam invadir o local. Cerca de 4.500 metalúrgicos estavam acampados nas dependências da GM.

Iniciou-se a partir do fim da greve, um obscuro período de caça às bruxas. Todos eles tiveram seus nomes incluídos em uma “lista negra” enviada pela GM ao Serviço Nacional de Informações (SNI) e para todas as empresas da região. Tornou-se impossível a qualquer um desses trabalhadores conseguir um novo emprego.

Dentre os demitidos, 33 foram acusados criminalmente e sofreram todo tipo de perseguição e repressão não só da GM, mas também do Estado, da imprensa e da sociedade.

Esta concessão do título de anistiado representa um marco na luta dos metalúrgicos pela democracia e pela liberdade sindical. “É uma vitória política de extrema importância para a classe trabalhadora e para o movimento sindical. A decisão reconhece a perseguição política do Estado, bem como o valor da luta operária para esse período da história de nosso país”, afirma o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Ivan Trevisan, que acompanhou a o julgamento.

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