PSTU de São José dos Campos alcança 3,47% e sai fortalecido da campanha

Campanha de Toninho amplia presença do partido junto aos trabalhadores e o povo pobre da cidadeEm São José dos Campos (SP), Toninho Ferreira (PSTU), candidato a prefeito pela Frente de Esquerda Socialista, fez a expressiva votação de 3,47%. Foram 10.602 votos. Já os candidatos a vereador da Frente fizeram mais de 7 mil votos. O melhor colocado foi Marrom (PSTU), líder do Pinheirinho, com 1.792 votos.

“Esta foi uma campanha vitoriosa, porque não teve nenhum centavo de empresários”, avaliou Toninho. Ele disputou com as campanhas milionárias do atual prefeito Eduardo Cury (PSDB) e do petista Carlinhos, apoiado por Lula.

Foi uma campanha de poucos recursos. Por haver apenas três candidatos, foi em São José que o PSTU conseguiu o maior tempo na propaganda eleitoral gratuita da TV, 3min27s. Nos programas, foi mostrada a realidade dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre da cidade.

A campanha de Toninho foi crescendo ao longo dos últimos meses. Aos poucos, ele foi alcançando a simpatia de milhares. Uma pesquisa a menos de uma semana da eleição estimou 5% para o candidato. Muitas pessoas se somaram, declararam apoio, procuraram Toninho e o partido para falar de seus problemas. A população de São José se identificou com a candidatura da Frente.

“Foi uma campanha que disse o que a gente pensava, que defendeu os trabalhadores e o povo mais pobre da nossa cidade, que vive nos bairros irregulares”, disse Toninho. Os programas da Frente foram feitos junto aos trabalhadores e à população. Pessoas deram depoimentos sobre diversos temas, como saúde, moradia e a atuação dos vereadores e do prefeito.

A luta dos operários da GM foi outro tema de grande importância retratado pelos candidatos do PSTU. Renatão, um dos candidatos a vereador, é metalúrgico da empresa e está sempre junto aos seus companheiros na defesa dos direitos. Edmir, outro candidato, foi mais um representante da classe operária forte da cidade.

Na ocupação do Pinheirinho, os moradores aderiram em massa à campanha. Sem dinheiro e muito distante das campanhas dos ricos, eles fizeram cartazes pintados à mão com o número de Marrom e com o 16 do PSTU que foram pregados por todo o bairro. Uma faixa na entrada da ocupação deixava claro o que os moradores queriam: “nossos candidatos estão na luta há quatro anos, e os seus?”.

A luta das mulheres contra a opressão ficou expressa na candidatura de Rosângela. Ela é um exemplo de mulher trabalhadora e de luta. Rosângela é metalúrgica e diretora do Sindicato dos metalúrgicos de são José dos Campos e região.

O professor Gradella, que já foi vereador da cidade, também era muito bem recebido nas ruas. Ele é reconhecido por toda a cidade por sua luta incansável. Gradella também foi deputado e votou pelo impeachment de Fernando Collor em 1992.

Num comício durante a campanha, Plínio de Arruda Sampaio, importante intelectual de esquerda, elogiou muito Gradella, resgatando sua história. Plínio dizia que ele não deixou de usar a tribuna por um dia sequer para defender os trabalhadores. Como o próprio Plínio falou, ele “ia lá e descia o cacete”.

A campanha também ganhou o apoio de militantes de fora da cidade, que se deslocaram até São José para ajudar.

Os trabalhadores sabem: Toninho era o melhor!
Dos debates que participou com os outros dois candidatos, Toninho ganhou todos segundo avaliação de alguns órgãos de imprensa. Isso foi perceptível também nas ruas. A população o cumprimentava pela atuação e pela coragem de dizer a verdade diante das câmeras.

“As pessoas diziam que eu era o melhor candidato, que fui o melhor nos debates, que estava nos bairros, mas que eu tinha poucas chances”, conta Toninho, “e elas acabaram votando no Carlinhos, do PT, com medo de que o Cury continuasse”.

Em vários momentos, Toninho se emocionou com a reação das pessoas. “O carinho das pessoas foi muito grande, principalmente dos mais pobres”, disse Toninho. Mesmo declarando o voto em Carlinhos para impedir a vitória de Cury, muitos diziam que o candidato da Frente de Esquerda era o melhor.

Ele conta que “as pessoas chegavam e diziam ‘dessa vez não vai dar, mas é preciso continuar´, ela incentivavam”. Nestes momentos, Toninho e os militantes do partido conversavam com as pessoas e tentavam convence-las de que havia três candidatos, mas apenas dois projetos. Cury e Carlinhos representavam um mesmo lado.

Entre os militantes, o sentimento é de vitória. Ao término da votação, eles se dirigiram à sede do partido onde confraternizaram e comemoraram. “Valeu a pena, agora somos uma referência ainda maior em São José e é isso que importa”, concluiu Toninho.

As eleições de São José são um bom exemplo de que voto útil é aquele que é dado a um legítimo representante da classe trabalhadora. O voto útil em Carlinhos não impediu que Cury ganhasse ainda no primeiro turno, com 56,27% dos votos. Isso é possível porque nas eleições não há democracia: ela é apenas uma ilusão. Ganha aquele que tiver mais dinheiro e mais influência entre os ricos e poderosos do país.

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