Mais um negro é executado na democracia de Barack Obama

Troy Davis, executado nos EUA dia 21 de setembro

Na quarta-feira, 21 de setembro, mais um negro foi injustamente executado pelo estado norte-americano.Após vinte anos de espera no corredor da morte, e das inúmeras tentativas de provar sua inocência, Troy Davis foi executado pelo Estado norte-americano com uma injeção letal, apesar de todos os protestos ao redor do mundo e da falta de provas conclusivas sobre sua culpa.

O perfil de Troy Davis o condenou. Negro e pobre, ele tinha 42 anos e era acusado de ter assassinado o policial branco, Mark MacPhail, em 1989, na cidade de Savannah, estado da Georgia. O caso de Davis é apresentado por sua defesa como o de um negro condenado injustamente pela morte de um branco já que, das nove testemunhas ouvidas no julgamento, sete voltaram atrás em seus depoimentos, afirmando terem sido coagidas e intimidadas pela polícia. As duas testemunhas que mantiveram as declarações iniciais eram policiais. Além disso, não existem provas materiais contra Davis, o que seria suficiente para impedir a aplicação da pena de morte, segundo a posição do próprio Conselho de Perdões e Livramentos Condicionais da Geórgia.

Mais de 300 protestos foram convocados nos EUA e 1 milhão de assinaturas foi recolhido contra a execução de Troy, e mesmo com todos os pedidos, o presidente Barack Obama se recusou a intervir no caso. A Justiça norte-americana, com total apoio da direita conservadora, tem mantido inúmeros negros no corredor da morte através de processos conduzidos irregularmente.

Um dos casos mais conhecidos é o do ex-militante dos Panteras Negras, Mumia Abu-Jamal. O jornalista, do estado da Filadélfia, conhecido pelo programa de rádio ‘A voz dos sem-voz´ foi acusado de matar o policial que espancava seu irmão, em 1981. Ele foi condenado à morte, mas teve a pena revertida para prisão perpétua após inúmeros questionamentos sobre as irregularidades cometidas durante o julgamento e a investigação do caso. Apesar do esforço das autoridades em tratar Abu-Jamal como um preso comum, ele é mais um dos muitos presos políticos mantidos ilegalmente pela Justiça norte-americana.

Racismo e Pena de morte
A pena de morte nos Estados Unidos é oficialmente permitida em 36 dos 50 estados, bem como no governo federal. Os EUA são o segundo país onde mais pessoas são executadas anualmente, perdendo apenas a China.

Segundo o Instituto de Estudos Estratégicos Internacionais (IEEI), desde 1976, apenas 11 brancos foram executados por terem assassinado negros, e 161 negros foram executados por terem assassinado brancos, embora os crimes de brancos contra negros sejam mais comuns do que o contrário. Os estudos também revelam que 43% dos presos no corredor da morte são negros, número bem maior que a porcentagem de negros no país, que corresponde a 13% da população norte-americana. Os dados oficiais mostram como a raça influencia na aplicação da pena de morte e a execução de Troy Davis deixa claro o papel do presidente Obama na democracia racial norte-americana.

A luta internacional contra a condenação de Troy Davis, assim como pela liberdade de Abu-Jamal e de outros presos negros inocentes, também é uma campanha contra a opressão cometida pelo governo de Barack Obama e pela justiça burguesa contra a população negra e pobre.