Reprodução/redes sociais

Por: Pitéu e Júlio Condaque

A greve dos trabalhadores da Comlurb foi aprovada em assembleia expressiva e representativa da categoria na sexta-feira (25), atropelando qualquer intenção de esfriar os ânimos que viesse da parte de seu sindicato, o Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação do Município do Rio de Janeiro (Siemaco-RJ). A partir de meia-noite de domingo (27), os piquetes nas unidades da companhia de limpeza urbana se iniciaram, com grande participação dos trabalhadores.

A prefeitura, a Justiça do Trabalho e a Comlurb fizeram todo tipo de ameaça para evitar a deflagração da greve. Porém, esse movimento já vinha sendo construído no interior da categoria por semanas a fio.

Mesmo sem a empresa municipal cumprir a lei de reposições salariais anuais, a Justiça do Trabalho chegou a determinar uma multa contra o Siemaco, que representa os garis, de 200 mil reais por cada dia de greve. Uma medida com a clara intenção de inviabilizar a entidade de classe.

Contudo, a massa trabalhadora de garis não se intimidou. Sua mobilização exige reajuste de 25% nos salários; reajuste de 25% no tíquete alimentação; conclusão da implantação do Plano de Cargos, Carreira e Salários; e implantação do adicional de insalubridade para os Agentes de Preparação de Alimentos, que ainda não têm esse direito.

Para tentar evitar a adesão à greve, a Prefeitura, a Justiça do Trabalho e a Comlurb convocaram uma reunião de negociação na manhã da última segunda-feira (28). Com a greve já instalada desde os primeiros minutos desse dia, os trabalhadores em assembleia rejeitaram a proposta apresentada.

Como se não bastassem todas as perdas que os trabalhadores estão tendo que combater na luta, ao sair da mobilização na sede do sindicato nesta segunda-feira, o companheiro Bruno Gari (liderança da oposição sindical da CSP-Conlutas e militante do Combate/Psol) foi agredido violentamente pela Guarda Municipal e preso.

Bruno foi solto no final da noite. Essa arbitrariedade foi uma tentativa de desmoralizar o companheiro e fragilizar a vanguarda que dirige a greve pela base. Os trabalhadores seguem firmes na luta e não vão arregar para Paes nem para a Guarda Municipal, que, apesar de ser composta por trabalhadores que também são oprimidos e explorados pela prefeitura do Rio, quando não entendem a que classe pertencem, acabam sendo simplesmente os agentes repressores do prefeito!

Na Câmara de Dissídios Coletivos da Justiça do Trabalho, local onde ocorreu a reunião de negociação, a Comlurb apresentou uma proposta que aumentava de 4 para 5% o reajuste dos salários e do tíquete alimentação. Uma proposta para fingir que há vontade de negociação, uma vez que as perdas inflacionárias dos últimos três anos já ultrapassaram a marca de 19,3%.

A intenção da Prefeitura de Eduardo Paes (PSD), da Comlurb e da Justiça do Trabalho é carimbar nos trabalhadores a pecha de “intransigentes” e, dessa forma, justificar o aumento da repressão, das intimidações e das retaliações.

A categoria, com razão, está indignada com a proposta de apenas R$25,00 de aumento no salário e no tíquete, afronta que provoca indignação e uma consequente radicalização na luta da campanha salarial.

Para o conjunto da classe trabalhadora, há a necessidade de cercar essa greve de solidariedade. Esses trabalhadores, além de enfrentar o arrocho salarial, os ataques promovidos pela Prefeitura e a Comlurb, ainda estão obrigados a reorganizar o sindicato, que está nas mãos de uma burocracia que nunca defendeu os direitos dos garis.

Então, esse movimento grevista deve receber apoios por meio de moções endereçadas ao prefeito e à cúpula dirigente da Comlurb. Também devem ser utilizadas mensagens pelas redes sociais e telefonemas para exigir da empresa a concessão de todas as reivindicações dos garis.

Por fim, não se pode deixar de mencionar que a Comlurb é uma empresa de economia mista, uma sociedade que inclui particulares, inclui o mercado. É uma empresa constituída por capital público e privado.

Essa é uma observação indispensável porque parte importante dos problemas hoje enfrentados pelos trabalhadores garis tem a ver com o fato de que a empresa de limpeza, acima de tudo, objetiva o lucro. Isso significa que opera a lógica de explorar cada vez mais os garis, o que coloca a necessidade de lutarmos pela estatização da Comlurb, sob controle dos trabalhadores!

Que possamos construir fortes lutas pela melhora dos salários e das condições de vida e combiná-las com o processo mais geral de derrubada de Bolsonaro e de organização dos trabalhadores. Que possamos, a partir dessa organização, discutir um outro projeto de sociedade, uma sociedade em que a classe trabalhadora governe a partir de seus locais de trabalho, estudo e moradia. A organização e o fortalecimento da greve dos garis mostram o caminho!

A vitória da greve será a nossa vitória!