Greve em Suape: PSTU responde às acusações da direção do SINTAPAV-PE

Operários se revoltam contra direção do sindicato

O SINTAPAV-PE (Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Pesada de Pernambuco), organização cuja direção é ligada ao PDT, tem divulgado uma séries de calúnias contra o PSTU. A direção dessa entidade acusa o partido de envolvimento com a radicalização da greve de Suape, ocorrida nesta quarta-feira (08/08), que resultou em pelo menos sete ônibus queimados e várias pedras jogadas no trio elétrico onde estavam os representantes sindicais.

O PSTU afirma que é muito fácil acusar o partido nessa situação, pois foi a única organização que publicamente declarou apoio a esse movimento paredista e que há tempos denuncia a situação precária em que vivem os mais de 40 mil operários de Suape.

Segundo uma pesquisa do Índice Nacional da Construção Civil (SINAPI) do IBGE, as empresas da construção em Pernambuco são as que menos gastam com mão de obra e com a compra de terrenos em todo o país.

Isso significa que os salários desses trabalhadores são os mais baixos do país, e o governo Eduardo Campos (PSB) e as prefeituras da Região Metropolitana dão todo tipo de facilidades para a compra de terrenos por parte das grandes construtoras. Sem falar nas péssimas condições de trabalho, longas jornadas de trabalho e subnotificação dos Acidentes de Trabalho por pressão da patronal nas indústrias.

Com tudo isso, o partido acredita que essa acusação não passa de uma tentativa de desviar o foco das atenções da sociedade e da própria mídia. Tudo para esconder as reais causas da situação de ebulição social que tomou conta do Pólo Petroquímico de SUAPE e garantir os interesses das construtoras.

O PSTU afirma que a atual direção do SINTAPAV perdeu qualquer legitimidade para representar os trabalhadores da construção civil pesada da região. Eles perderam a confiança da categoria por causa de seu alinhamento com a patronal e com o próprio governo Eduardo Campos (PSB). Essa direção, também ligada à Força Sindical, fechou acordo com a patronal sem a aprovação da maioria dos operários presentes na assembleia e essa é a principal causa da crise e da revolta instalada na base da categoria.

Esse fato chegou a ser reconhecido até pelo Ministério Público do Trabalho, através do procurador-chefe, Fábio Farias. “Se a categoria não concordou com o acertado pelo sindicato, a atitude prévia a acontecer, seria a de afastar a direção do sindicato, que ao ver da categoria, talvez, não tivesse cumprido com o dever de representá-los”, declarou o procurador.

Vamos aos fatos…
Na assembleia, realizada no dia 27 de julho, o sindicato mandou que todos fossem embora, enganando os trabalhadores que participavam da atividade desde o início e que por ampla maioria rejeitaram a proposta da patronal apresentada pelo sindicato.

Os trabalhadores tinham entendido que estava deflagrada greve a partir de 1º de agosto e que uma nova assembleia iria definir os rumos do movimento a partir da resposta da patronal diante da nova pauta aprovada. Esta, entre outras coisas, reivindicava 15% de reajuste, aumento do vale alimentação para R$ 400, equiparação salarial imediata e que não houvesse descontos ou retaliações após o encerramento da greve.

Segundo denúncias de operários, quando a maior parte dos participantes já havia saído, em meio a uma forte chuva que caía, os diretores chamaram os menos de 100 funcionários que ainda permaneciam no local. Isso para “aprovar” a proposta da patronal. Há informações de que algumas pessoas que votaram a favor da proposta não eram da categoria, mas sim seguranças contratados pelo SINTEPAV.

Com isso, se fechou um Acordo Coletivo à revelia da maioria dos trabalhadores. Foi firmado um reajuste de 10,5% e o aumento da cesta básica para R$ 260, mas a categoria não aceitou e permaneceu em greve fazendo com que o sindicato patronal, SINICON, entrasse com pedido de dissídio coletivo no Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT).

No dia 31 de julho aconteceu uma nova assembleia com a participação ampla da categoria, pelo menos 40 mil operários. Mais uma vez a proposta da patronal é rejeitada e os trabalhadores reafirmam a continuidade do movimento paredista.

O julgamento da greve aconteceu na terça-feira (7) e o TRT decretou a abusividade do movimento, além do desconto dos dias parados dos 44 mil trabalhadores da Refinaria Abreu e Lima, no Complexo de Suape e uma multa de R$ 5 mil por dia, caso a categoria não retornasse ao trabalho.

Pertencente à Petrobras, não há nenhum envolvimento do governo federal nesse impasse entre patronal e trabalhadores. Mais uma vez o governo Dilma (PT) prefere “lavar as mãos”. O presidente da Refinaria Abreu e Lima, Marcelino Guedes afirmou à imprensa local que não cabe à Petrobras resolver o problema que está acontecendo na refinaria. “Este é um problema entre as empreiteiras e os trabalhadores. O que estamos percebendo é que está havendo uma dificuldade de liderança sindical”, declarou.

O dia D E solidariedade classista
Na assembleia do dia 8 de agosto a direção do SINTEPAV apenas informa que a greve foi declarada ilegal e que o sindicato não se responsabilizaria por quem decidisse continuar no movimento. Isso mostrou que a entidade estava desconsiderando a pauta aprovada na assembleia do dia 31 de julho e que não iria fazer qualquer esforço junto à patronal e à Justiça do trabalho em defesa dos operários. Essa atitude arrogante e descomprometida, somada à presença da polícia militar na assembleia, acabou gerando a revolta que é de conhecimento de todos. O que vai acontecer a partir de agora ainda é incerto.

Agora, com o impasse instalado e com o descrédito do SINTEPAV, é preciso ampliar a solidariedade aos trabalhadores em luta por parte do movimento sindical, estudantil e popular. O PSTU reafirma seu apoio à luta dos operários de Suape e ainda exige:

  • Reabertura das negociações;
  • Posicionamento do governo Eduardo Campos do PSB a favor dos trabalhadores;
  • Retirada da Polícia Militar dos canteiros de obra;
  • Assistência médica por parte da Petrobrás aos trabalhadores feridos no conflito;
  • Liberdade imediata dos operários presos.

    Relembrar para continuar a luta
    Todo movimento sindical comprometido com a luta dos trabalhadores marcou bem a data de 9 de fevereiro de 2011. Nesse dia, operários da construção civil na obra da Refinaria Abreu e Lima foram recebidos à bala em plena assembleia da categoria quando protestavam contra as péssimas condições de trabalho e salário a que estão submetidos.

    O operário Tiago Ramos de Souza levou um tiro no rosto e foi internado em estado grave. Felizmente, esse trabalhador escapou com vida e hoje se recupera do atentado que sofreu. Quem comandou os disparos contra os trabalhadores foram seguranças contratados pelo sindicato dos trabalhadores da construção pesada, o SINTAPAV-PE.

    Esse fato foi largamente noticiado pelos órgãos de imprensa local e rendeu um inquérito policial com a posterior prisão dos acusados. É preciso lembrar esse episódio para que possamos começar a entender o grau de desconfiança da categoria em relação ao SINTAPAV-PE. Ninguém esqueceu. Muito menos os operários da Refinaria.

    Recife, 09 de agosto de 2012
    Direção Estadual do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU