Greve dos Correios atinge 70% nos dois primeiros dias

Passeata dos Correios no Centro de São Paulo
Cromafoto

Os trabalhadores dos Correios, que possuem o menor piso salarial de todas as estatais, entraram em greve por tempo indeterminado no dia 14 de setembro. A greve atinge todo o país e cresce a cada dia. Cerca de 70% dos 108 mil funcionários dos Correios aderiram à paralisação. A greve é maior nas áreas operacionais, que reúnem a imensa maioria da categoria, ou seja, 90 mil trabalhadores. Elas abrangem atendimento ao público, transporte e entrega.

O movimento atingiu 80% dos trabalhadores em São Paulo, 70% no Rio de Janeiro e chegou a 95% em Brasília. Dos 33 sindicatos que representam a categoria no país, 29 votaram greve em suas assembléias e pararam a categoria.

No Rio Grande do Sul, cerca de 1.400 trabalhadores foram à assembléia do dia 13 votar a greve. A votação esmagou os governistas, menos de 5% contra a greve, burocratas e chefes travestidos de trabalhadores, que defendem o governo Lula e a CUT. A greve iniciou forte e estima-se que 80% da categoria esteja paralisada no Estado. Os trabalhadores dos correios tiveram grande presença no ato unificado do dia 15 e no mesmo dia, antes da passeata, ocuparam o prédio sede dos Correios, fazendo com que a agência fosse fechada.

Intransigência
A direção dos Correios se nega a negociar com a categoria. Além disso, já tomou atitudes com o objetivo de derrotar o movimento grevista. Primeiro, a empresa resolveu contratar 2.000 funcionários em caráter temporário para substituir os grevistas. Depois, a estatal entrou com um pedido de dissídio no TST (Tribunal Superior do Trabalho), com o objetivo de julgar a ilegalidade da greve.

Sobre a contratação dos substitutos, a ação da empresa é um claro desrespeito ao direito de greve. A lei proíbe a “rescisão de contrato de trabalho durante a greve, bem como a contratação de trabalhadores substitutos“. Isso foi ignorado pela direção da empresa de Correios.

Já o pedido de dissídio é completamente descabido. A própria lei, que muitas vezes está contra os trabalhadores, diz que a ilegalidade da greve só pode ser decretada se houvesse ausência de serviços essenciais. Decisões judiciais anteriores, porém, determinaram que o serviço postal não tem caráter essencial.

Além disso, no Rio Grande do Sul, a empresa conseguiu um interdito proibitório na Justiça, para impedir os ativistas de fazerem piquetes de convecimento nos locais de trabalho.

Reivindicações
As perdas dos trabalhadores são de 62% e o piso salarial é de R$ 448,28, com média salarial de R$ 600. No mesmo período em que a categoria acumulou essas perdas, o lucro líquido da empresa foi superior a R$ 4 bilhões. A participação nos lucros e resultados deste ano foi de R$ 140, em compensação o rombo apurado em 252 contratos nos anos de 2003 e 2004 é de R$ 7 bilhões, o que daria mais de R$ 65 mil reais para cada um dos 108 mil trabalhadores dos Correios. É a corrupção do governo Lula, o mesmo que diz que não tem como dar aumentos aos trabalhadores.

Além da recuperação das perdas salariais e da garantia dos direitos, nesta campanha, também está em jogo a questão do monopólio postal. Está sendo julgada no STF uma ação das empresas privadas que afirma ser inconstitucional o monopólio da União exercido pelos Correios.

A greve continua
Durante toda a greve, os trabalhadores realizam assembléias diárias para definir os rumos do movimento e avaliar a continuidade da paralisação. Na tarde do dia 15 de setembro, as assembléias definiram pela continuidade da greve.

Hoje, dia 16, devem ocorrer novas assembléias. Em São Paulo, a assembléia será às 15 horas, na Praça da Sé.