Para onde vai – e de onde vem – o marxismo?

Capa do livro `Considerações sobre o Marxismo Ocidental`
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Leia resenha do livro de Perry Anderson Considerações sobre o Marxismo Ocidental / Nas Trilhas do Materialismo Histórico, publicado em São Paulo, pela Boitempo Editora, em 2004Faça o download deste artigo

A surrada afirmação sobre a “referência obrigatória” e o tradicional critério de aferir o status de “clássico” à obra que se deseja apresentar não deveria surtir efeito algum – ao menos a priori – entre um público leitor de alguma forma identificado com a perspectiva marxista e, conseqüentemente, com o horizonte da revolução social. A rebeldia que lhe é intrínseca, afinal, torna-o avesso a qualquer dogma. Mais adequado seria dizê-la – a suposta obra “clássica” e pretensa referência “obrigatória” – consoante com as lutas sociais que sacodem o mundo desde o ocaso do século XX e a aurora do século XXI.

Melhor do que isso – a fina sintonia com o que os velhos hegelianos chamam o “Espírito do Tempo” (“Zeitgeist”) –, somente uma análise crítica sobre as experiências, equívocos e derrotas das tentativas de superação do velho que fosse, ao mesmo tempo, cartografia e instrumental necessários para a construção do novo. Tal certamente é o caso de Considerações sobre o Marxismo Ocidental / Nas Trilhas do Materialismo Histórico, de Perry Anderson, obra fundamental para todos (as) aqueles (as) que buscam alternativas para além da ordem do Capital e seu ideário dominante.

O recente relançamento dos ensaios de Anderson em volume único inscreve-se em fenômeno editorial que ultimamente tem impulsionado o lançamento de publicações marxistas, refletindo a nova emergência dos trabalhadores no cenário histórico, que fazem tremer estruturas de poder assentadas em décadas de ofensiva neoliberal. A luta de classes abre caminho, desta forma, para a possibilidade de unificação entre as massas proletárias em movimento e a crítica marxista à ordem do Capital. Isso se considerarmos a gênese do próprio materialismo histórico – para além das “cabeças” de Marx e Engels – enquanto objetivação teórica do ponto de vista social das parcelas mais avançadas da nascente classe operária, em processo de formação desde o século XIX. Aqui, certamente, já adentramos o universo político-epistemológico das teses centrais de Anderson.

Sobre o ‘marxismo ocidental’: da teoria sem prática e da prática sem teoria
A premissa central da unidade dialética entre teoria e prática – ou mais precisamente, do vínculo orgânico entre teoria marxista e movimento social revolucionário de massas – configura sem dúvida o fio condutor vermelho e fundamental que une os textos aqui apresentados. A deserção dos postos avançados da luta de classes em direção ao refúgio nas cátedras universitárias são a expressão mais gráfica do que o autor entende por “deslocamento” (“displacement”) teórico e temático no interior do que chama de “marxismo ocidental”. Neste ensaio as coordenadas gerais desta tradição intelectual – pertencente a um marco europeu comum de afastamento progressivo do movimento operário socialista e, simultaneamente, excessiva ênfase na reflexão acadêmica sobre áreas do conhecimento como filosofia, arte/cultura e método – são consideradas na amplitude de seu espectro teórico-temático. Trata-se de penetrante análise das causalidades profundas que operaram em gerações marxistas inteiras da Europa Ocidental que surgiram após o marxismo clássico dos fundadores do materialismo histórico, de Kautsky e de Plekhanov, de Lenin e de Trotsky.

A expressão “marxismo ocidental” é tomada de empréstimo de um célebre ensaio de Merleau-Ponty (1955), que o contrapunha ao mal-chamado “marxismo-leninismo”, doutrina oficial da ex-URSS stalinizada bem como dos países do Leste Europeu. No caso de Anderson, a categoria “marxismo ocidental” é utilizada para traçar um mapa da constelação teórica que sucedeu o marxismo clássico de Lênin, Kautsky, Plekhanov, Luxemburgo, Bauer, Hilferding, Bukharin, Trotsky e outros. As condições objetivas através das quais operaram estes “deslocamentos” podem ser sintetizadas em “coordenadas históricas” situadas após a vitória e o isolamento da Revolução Russa: (i) a derrota da insurgência proletária no Velho Continente (Alemanha, Áustria, Hungria e Itália) no pós-guerra, entre 1918 e 1922; (ii) a constituição de Frentes Populares, abrindo passo à ascensão do fascismo e configurando nova derrota operária, nos anos 30; (iii) a stalinização dos partidos comunistas – com crescente afastamento/neutralização/passivização de seus intelectuais – e a dispersão dos movimentos de resistência partisana em meados dos 40 e (iv) a subordinação do Trabalho ao Capital mediante o boom econômico do segundo pós-guerra, sob as democracias parlamentares na Europa Ocidental constituem, por fim, a quintessência contra-revolucionária do período pós-1945, com a adesão ativa dos partidos social-democratas e comunistas à Ordem do Capital.

Para além de traços geográficos, geracionais ou lógicos; o signo oculto em Lukács, Gramsci, Sartre e Althusser, Marcuse e Della Volpe – em diferentes gerações, perspectivas e nacionalidades – era eminentemente histórico: todos eram produto de uma angustiante e no mínimo dupla derrota do movimento operário, o triunfo fascista no Ocidente e a consolidação stalinista no Oriente. O desespero, a solidão e o pessimismo marcaram a ferro e a fogo suas produções, sendo a imagem de Gramsci, escrevendo seus Quaderni no cárcere fascista – da Itália de Mussolini –, a mais sintomática. Neste sentido, o deslocamento teórico e temático que se dá no interior do marxismo promove um afastamento cada vez maior do que era o “exame das leis econômicas do funcionamento do capitalismo como modo de produção, a análise da máquina política do Estado burguês, a estratégia da luta de classes necessária para derrubá-lo” (CSMO, p. 64). O divórcio das práticas populares converteram seu discurso – apesar das extraordinárias inovações temáticas – em “esotérica” disciplina: dialeto altamente técnico e especializado.

Ao se distanciar do mundo dos trabalhadores, o marxismo ocidental foi sintonizando-se cada vez mais com diferentes tendências da cultura teórica liberal-burguesa (idealismo alemão, psicanálise, estruturalismo francês etc.). Assim, a unidade dialética entre interpretação e transformação do mundo, que caracterizara a teoria marxista clássica, havia se rompido drasticamente. Ao mesmo tempo em que a intelectualidade crítica apartava-se da prática política – silenciando sobre as mudanças estruturais do sistema político-econômico capitalista e em questões táticas e estratégicas do socialismo – os trabalhadores, militantes e partidos operários distanciavam-se de uma teoria crítica e revolucionária, amortizados pelo reformismo social-democrata e pelas vulgatas stalinistas, mitigando desta forma as contradições do real. Os países do Leste Europeu, apesar de reivindicados como o “socialismo realmente existente” por ambos os lados do Muro de Berlim – em especial pelos teóricos do Comintern – não expressavam qualquer criticidade ou inquietude de maior lastro.

‘Nas trilhas do materialismo histórico’: caminhos e descaminhos
Há neste ensaio (NTMH) uma rigorosa exegese metodológica sobre como (mediante quais critérios) e porquê (com quais objetivos) deve-se proceder à análise histórica de tendências marxistas, a qual – por sua vez – deve ser profundamente estudada por todos aqueles que pretendem conhecer os caminhos (e descaminhos) da história interna e externa das gerações pretéritas (ou presentes) de marxistas, de modo a iluminar as ‘trilhas’ futuras. Primeiramente, cabe ressaltar a asseveração clássica – inscrita no materialismo histórico já desde Marx – de que a práxis revolucionária na luta de classes constitui o baluarte fundamental sobre o qual, direta ou indiretamente, são desenvolvidas – e ampliadas – as formulações do pensamento marxista. Tal argumento é uma das teses centrais do texto. O marxismo constituir-se-ia enquanto:

“… uma teoria autocrítica capaz de explicar sua própria gênese e metamorfoses. (…) os requisitos para uma reflexão marxista sobre o marxismo devem ser duplos. De um lado, o destino do materialismo histórico, em qualquer período dado, precisa antes de tudo ser situado dentro da intrincada trama das lutas de classes nacionais e internacionais que o caracterizam, e cujo curso deve ser apreendido pelos seus próprios instrumentos de pensamento. A teoria marxista, buscando a compreensão do mundo, sempre pretendeu uma unidade assintótica com uma prática popular que tenta transformá-lo. A trajetória da teoria, portanto, tem sido sempre determinada primariamente pelo destino desta prática. Inevitavelmente, qualquer relato sobre o marxismo (…) será antes de tudo uma história política de seu ambiente externo. (…) Mas, ao mesmo tempo (…) tal avaliação deve confrontar os obstáculos e bloqueios internos da teoria na sua própria tentativa de se aproximar de uma verdade geral da época. (…) Uma história interna – de cegueiras e obstáculos cognitivos, assim como de avanços e descobertas – é essencial para uma real averiguação dos caminhos do marxismo (…)” (NTMH, 148-150).

No que se configurou como continuidade “não-premeditada” do ensaio anterior (CSMO), o autor confronta suas predições sobre o destino do marxismo e o desempenho das mesmas face à rudeza material do devir. Enquanto isso, brinda-nos com vasto arcabouço histórico sobre as questões centrais enfrentadas pelo marxismo a partir de meados dos anos 70 – em especial o deslocamento do eixo gravitacional do “mundo latino” para o “mundo anglo-saxão”, a relação entre teoria e história e as batalhas à morte com o pós-estruturalismo – no interior do que seria um significativo “retorno ao concreto”.

A contribuição mais importante do ensaio – e são muitas – dá-se ao redor do rico debate sobre a natureza da relação sujeito/estrutura, decisiva para evidenciar os critérios essenciais da concepção materialista da História. Observemo-la, portanto, com a devida atenção. O acento diferenciado que se coloca sobre cada pólo desta contradição em termos – entre necessidade estrutural e vontade subjetiva – leva à sobrevalorização ou das forças/processos produtivos ou das relações sociais/lutas de classes no seio do processo histórico. Poder-se-ia buscar a gênese dessa oscilação na produção do próprio Marx: por um lado, há a atribuição do papel de principal força motriz da mudança histórica à contradição fundamental forças produtivas versus relações sociais de produção (“Prefácio à Crítica à Economia Política”, 1859, várias edições); e, por outro, vê-se também o eixo central na intervenção ativa do sujeito social – considerando a história e as lutas de classes –, enquanto mediação necessária para a revolução (“Manifesto do Partido Comunista”, 1848, várias edições). Em belíssima metáfora, Valério Arcary (“As Esquinas Perigosas da História”, 2004, São Paulo: Boitempo) compara o primeiro nível lógico de abstração histórica à força caudal de gravitação que a Lua exerce sobre o curso de um rio, enquanto o segundo corresponderia – na imagem adotada – ao fluxo do vento atuando sobre a superfície das águas.

A “dualidade epistêmica” encontra reflexo enquanto “antinomia política”: economicismo de um lado, voluntarismo de outro. As intervenções de Lênin contra ambas as deduções do legado marxista não se elevaram à necessária universalidade teórico-política, constituindo intervenções meramente ocasionais, e sobretudo práticas, contra as posições reformistas e anarquistas no que se refere à questão do Estado e da revolução. De qualquer forma, aí se encontra – na articulação contraditória entre necessidade e possibilidade – o terreno propício para a formulação histórico-concreta da crítica marxista à sociedade capitalista e da estratégia revolucionária para superá-la; solo para o qual este debate deve ser transplantado, fecundado pela História e, sobretudo, pela intervenção ativa na luta de classes.

Considerações Finais: Trotsky e o século XXI
Anderson formulava as teses de seu ensaio sobre a gênese (e decadência) histórica do “marxismo ocidental” em meio uma verdadeira onda internacional de insurreições proletárias nos centros nervosos de acumulação imperialista, que apesar de ter na Paris de 68 seu epicentro revolucionário, ia muito mais além das margens do Rio Sena. O operariado italiano lançara uma escalada grevista de forma inaudita em 1969, em 1972 era a vez da classe trabalhadora inglesa pôr em marcha “a maior ofensiva industrial em sua história” (CSMO, p. 115) e, por fim, a partir de uma recessão generalizada da economia capitalista desde a guerra, eclode em 1974 a revolução portuguesa e também a possibilidade de reunificar teoria marxista e política operária de massas, que caracterizou o legado clássico de Marx e Engels. A tradição marxista que ocupou a linha de frente da história teórico-política das esquerdas européias após a ascensão de Stalin na ex-URSS – de Lukács e Korsch, Gramsci ou Althusser – não poderia, contudo, em função da natureza e dos limites expostos por Anderson, nutrir (e autonutrir-se de) esta nova configuração histórica. Caberia portanto a uma tradição em tudo distinta – desenvolvida fora dos holofotes, em conexão direta com os aspectos fundamentais da perspectiva revolucionária – a possibilidade de fazê-lo, de forma sistemática e conseqüente: o trotskysmo.

Cassado, exilado e finalmente assassinado a mando de Stálin – e em conseqüência destas condições aterradoras, desprovisto de contanto direto com o proletariado de qualquer nação – Trotsky nunca deixou de intervir no debate político sobre a Europa Ocidental (França, Inglaterra, Espanha etc.) e tampouco defeccionou à fundamental análise sobre a natureza social da URSS e ao combate teórico-político ao processo de degeneração burocrática que levaria – como a História comprovou – à restauração capitalista da ex-URSS.

Não nos parece casual que uma trajetória intelectual da envergadura da de Anderson – cujos primórdios remontam a uma progressiva crítica que não poupou a social-democracia européia, o terror stalinista e tampouco o interregno do marxismo ocidental – tenham-no levado ao legado de Trotsky. Especialmente após a vaga revolucionária que sacudiu o Velho Continente, a tradição trotskista – “perseguida, ultrajada, isolada e dividida” – aparecia enquanto alternativa político-epistemológica em seu campo de visão histórica.

Não obstante, a construção da IV Internacional – síntese histórico-concreta do internacionalismo e da política de Trotsky – nunca fez parte de sua perspectiva. A influência direta de Isaac Deutscher, contrário aos desdobramentos da Oposição de Esquerda e entusiasta sobre a possibilidade de autoregeneração do stalinismo, foi sobreposta à que derivava diretamente do dirigente político. Após o fim do ciclo histórico que fez tremer a Europa Ocidental – com a derrota da Revolução dos Cravos – pode-se dizer que o ceticismo tomou conta do historiador, que foi progressivamente afastando-se do marxismo revolucionário, após a queda do Muro de Berlim. Não escapou ileso à ofensiva ideológica do imperialismo hegemônico . O prognóstico sobre a fusão entre teoria marxista e práxis proletária a partir do referencial trotskista, porém, continua de pé. Tal prognóstico, independentemente das novas paixões (ou ausência delas) do último Anderson, respira, pulsa, vive e luta – enquanto necessidade e possibilidade histórica – nas consignas anticapitalistas ecoadas nos EUA, nas greves operárias da Europa Ocidental, nos gritos de “¡Que se Vayan Todos!” de trabalhadores argentinos e bolivianos, na Intifada palestina e na resistência do povo iraquiano.

Se é fato que o historiador Eric Hobsbawm afirmara que “o velho século não acabou bem” (“Era dos Extremos”, 2000), não é menos verdade que vaticinou: “o mundo não vai melhorar sozinho” (“Tempos Interessantes”, 2002). Mãos à obra!

SOBRE O AUTOR
Perry Anderson nasceu em 1938, em Londres, e freqüentou a Universidade de Oxford, na segunda metade dos anos 50. Depois de três semanas de matrícula, explodiria a invasão soviética na Hungria e, ao mesmo tempo, a ofensiva anglo-franco-israelense contra o Egito, após a nacionalização do Canal de Suez – promovida por Nasser. Na mesma quadra histórica, dar-se-ia a Conferência Ásia-África em Bandung – descortinando o movimento ‘terceiro-mundista’ de países “não-alinhados” – e Khrushchev pronunciaria, no ano seguinte, seu ‘discurso secreto’, anti-Stálin. A partir desta nova millieux histórico-política formaram-se as primeiras gerações do que passou a ser conhecido como a Nova Esquerda inglesa; “e da imediata reação política houve a necessidade de tomar as ruas, de se posicionar contra o que o governo estava fazendo no Egito, mas também contra o que os russos estavam fazendo na Hungria” – disse Anderson em entrevista a Harry Kreisler (“Conversations with History”, University of Berkeley, 2001). Como Marx descrevera no Manifesto Comunista, face à agudização do antagonismo social, parte da intelectualidade burguesa atinge a compreensão teórica do devir histórico e se passa ao socialismo proletário. Em alguma medida, pode-se dizer que este é o caso de Anderson.

Logo após interromper a licenciatura de História em Oxford – com seus vinte e poucos anos –, Anderson passou a colaborar e, subseqüentemente, em 1962, tornou-se editor da recém-lançada New Left Review (NLR). A revista socialista representou um novo contexto ideológico na Grã-Bretanha, contrário ao revisionismo trabalhista e às vulgatas stalinistas. Tornou-se a mediação necessária entre a “provinciana” cultura teórica e política anglo-saxã e as sólidas tradições marxistas da Europa Continental (em especial da França, Itália e Alemanha), por um lado e, por outro, entre os movimentos sociais e a teoria marxista, em escala internacional. Anderson & Cia. foram responsáveis pelas primeiras traduções de livros e ensaios de autores tais como Althusser, Lukács, Adorno, Habermas, Gramsci etc. ao idioma inglês. Como diz o autor, o destino do texto “Considerações sobre o Marxismo Ocidental” (CSMO, p. 18) seria compor “o balanço conclusivo do legado [do “marxismo ocidental”] que a revista procurara tornar acessível de uma forma sistemática”.

Alguns trabalhos do autor:
1 ANDERSON, P. Passages from Antiquity to Feudalism. London: NLB, 1974a. [ANDERSON, P. Passagens da Antigüidade ao Feudalismo. São Paulo: Boitempo Ed., no prelo]
2 _____. Lineages of the Absolutist State. London: NLB, 1974b. [ANDERSON, P. Linhagens do Estado Absolutista. São Paulo: Boitempo Ed., no prelo]
3 _____. Considerations on Western Marxism. London: NLB, 1976a. [ANDERSON, P. Considerações sobre o Marxismo Ocidental; Nas Trilhas do Materialismo Histórico. São Paulo: Boitempo Ed., 2004]
4 _____. “The Antinomies of Antonio Gramsci”. NLR, Nº 100, 1976b. [ANDERSON, P. As Antinomias de Gramsci, em ANDERSON, Perry. Afinidades Eletivas. São Paulo: Boitempo Ed., 2002]
5 _____. Arguments within English Marxism. Verso, London, 1980.
6 _____. In the Tracks of Historical Materialism. Verso, London, 1983. [ANDERSON, P. Considerações sobre o Marxismo Ocidental; Nas Trilhas do Materialismo Histórico. São Paulo: Boitempo Ed., 2004]
7 _____. “Trotsky’s interpretation of Stalinism”, in: Ali, T. The Stalinist Legacy. Hamondsworth: Penguin, 1984.
8 _____. English Questions. Verso, London, 1992a.
9 _____. A Zone of Engagement. Verso, London, 1992b. [ANDERSON, P. Zona de Compromisso, 1996]
10 _____. The Origins of Postmodernity. Verso, London, 1998. [ANDERSON, P. As Origens da Pós-Modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998]
11 _____. “Renewals”. NLR (2), Nº 1, 2000. [ANDERSON, P. “Renovaciones”, NLR (2), Madrid, Nº 2, 2000.]
12 ANDERSON, P. & CAMILLER, P. Introduction to Mapping the West European Left, in: ANDERSON, P. & CAMILLER, P. Mapping the West European Left. London: Verso, 1994. [ANDERSON, P. e CAMILLER, P. Um mapa da esquerda na Europa Ocidental. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996]

Alguns trabalhos sobre o autor:
1 ACHCAR, G. The ‘historical pessimism’ of Perry Anderson. Internacional Socialism, London, Nº 88, 2000.
2 BERMAN, M. The signs in the streets: a response to Perry Anderson. NLR, Nº 144, 1984. [Os Sinais da Rua: uma resposta a Perry Anderson. Presença, Rio de Janeiro, Nº 9, 1987]
3 BLACKLEDGE, P. Perry Anderson and the End of History. Historical Materialism, London, Nº 7, 2000a.
4 _____. Perry Anderson’s Journey to Postmodernity. Studies in Marxism, Nº 7, 2000b.
5 _____. Realism and Renewals: Perry Anderson and the prospects for the left. Contemporary Politics, Nº 4, vol. 7, 2001.
6 _____. Perry Anderson, Marxism and New Left. London: Merlin Press, 2004.
7 CALLINICOS, A. Perry Anderson and Western Marxism. Internacional Socialism, London, Nº 23, 1984.
8 ELLIOT, G. Olympus Mislaid. Radical Philosophy, Nº 71, 1995.
9 _____. Perry Anderson: The Merciless Laboratory of History. Minnesota: University of Minnesota Press, 1998. [ELLIOT, G. Perry Anderson: el Laboratorio Implacable de la Historia. Girona: Universitat de Girona, 2000]
10 LEHER, R. Considerações sobre uma teoria sem prática. Margem Esquerda, São Paulo, Nº 4, 2004.
11 POULANTZAS, N. Marxist Political Theory in Great Britain. NLR, Nº 43, 1967.
12 SADER, E. Introdução: o marxismo ocidental no Brasil, em: ANDERSON, P. Considerações sobre o Marxismo Ocidental / Nas Trilhas do Materialismo Histórico. São Paulo: Boitempo, 2004.
13 THOMPSON, E. P. (1965). The Peculiarities of the English, in: THOMPSON, E. P. The Poverty of Theory and Other Essays. London: Merlin, 1978. [Thompson, E. P. As Peculiaridades dos Ingleses e Outros Artigos. Antonio Negro e Sergio Silva (orgs.). Textos Didáticos n° 10, vol. 1, 3ª ed., IFCH/Unicamp, 1998].


NOTAS
1 – O prognóstico de “derrota histórica” seria, para Anderson, o signo fundamental do séc. XXI. Mais ainda. “Pela primeira vez desde a Reforma, não há mais oposições significativas – ou seja, com perfil de rivalidade sistêmica – no interior do mundo das idéias do Ocidente capitalista; e raramente, tampouco em escala mundial, à exceção de doutrinas religiosas e arcaísmos largamente inoperantes” (“Renovações”, 2000, Londres: NLR). Em suas considerações após a queda do Muro de Berlim, o mal-estar fin-de-siècle corresponderia à absoluta e incontestável hegemonia neoliberal. Desta forma assevera que todo o horizonte referencial das gerações de 1960 teria sido banido e, com ele, qualquer diferenciação entre reformistas e revolucionários. Seus ponteiros históricos – “Que horas são?”, perguntar-se-iam os “marxistas ocidentais” – não poderiam estar em piores condições de ajuste temporal. Pode-se dizer que, em plena batalha teórica, caiu em combate. O “pessimismo” histórico e o “deslocamento” teórico-político que Anderson atribuíra aos “ocidentais” voltam-se, desta forma, contra o próprio autor: feitiço e feiticeiro.